terça-feira, 30 de abril de 2013

Saudades

Quando a saudade bate...


video

...a gente abre a porta.

*  *  *  *  *
     Quis fazer aqui homenagem a três amigas queridas... mas por artes do diabo (o editor do Windows Movie Maker), os créditos saíram errados. Isso não merece perdão, mas se amizade fosse questão de merecimento sabe-se lá quem seriam meus amigos.
     Lu, minha querida Calíope, Milene e Denise, perdoem este poeta erradio. Revisei o "clip", corrigindo os erros. E permaneço em dívida sempre... Beijos.

Niterói, abril de 2013
Rodolfo Barcellos

sábado, 27 de abril de 2013

Sete sete-setes, XXII


     "Cego às distâncias do Espaço, surdo ao tiquetaque do Tempo, segue o Amor. Fere a mão no espinho, mas acaricia a rosa. Corta o pé na pedra, mas não abandona o caminho, e prossegue. Não sabe onde vai chegar, pois seu querer não é acomodar-se, é sempre seguir adiante. E vai em busca do inalcançável, e o alcança fora do Tempo e do Espaço... numa Poesia."
     (Comentário a Denise, 12/6/12)

Heraclides Thoas Brasiliensis - Foto por Beatriz

XXII.7- Cecília, 15/11/12
Há dias assim, silentes,
Fora do tempo normal,
Do calendário ausentes,
Longe do bem e do mal.
E na poesia que sentes
Os versos são surpreendentes
Mas o talento é igual.

XXII.6- Denise (MSN), 14/11/12
Teus olhos são mensageiros
Que gritam aos quatro ventos
Arautos de sentimentos
Que fogem de ti, ligeiros;
Anunciando teus desejos
Em busca daqueles beijos
Que duram breves momentos...

XXII.5- Severa, 14/11/12
Ah! L'amour, l'amour, l'amour,
Que a nossa poetisa vê
Sob a luz de um abajur
E que traz até você -
Até nós todos, deveras,
Rimas não muito "severas"
Mas bonitas como quê!

XXII.4- Marilene, 14/11/12
- Expulsa-me! - diz a treva.
- Encontra-me! - é a luz do céu.
E esta disputa me leva
A emoções soltas ao léu.
Mas por mais que a gente sinta
Não dá pra escrever com tinta
Da mesma cor do papel...

XXII.3- Regina, 13/11/12
Quando a saudade avassala
Dentro do peito, inclemente,
O coração não se cala
A alma fica dormente;
E a gente até se esquece
Que a outros acontece
Sentir saudades da gente.

XXII.2- Sissym, 13/11/12
Amar - verbo intransitivo,
Pois não requer objeto
E encerra, só e altivo,
O seu sentido completo:
"Amo!" é uma oração
Que jorra do coração
Quando transborda o afeto.

XXII.1- Jeanne, 13/11/12
Jeanne Geyer, minha cara,
Agradeço-te a visita;
Comentário é coisa rara
Feito em rima catita.
Este é o XXII.1,
Assim não perco nenhum,
E é teu, moça bonita...

Niterói, abril de 2013
Rodolfo Barcellos

sábado, 20 de abril de 2013

Trovas 291-300

     Trezentas trovas... meus agradecimentos aos amigos, que tanto contribuíram para que essa marca fosse alcançada!

Alma dançarina
300- Regina, 2/11/12
Bom de ver tua mandinga
Extraindo do calor
Fatias de bom humor
Mesmo quentando a moringa!

299- Severa, 1/11/12
Tuas folhas de outono
Desafiam o padrão;
Vicejam ano após ano
Sem nunca cair ao chão!

298- Denise, 1/11/12
A janela é a moldura
De uma rica Poesia
Bela como uma pintura
Num retrato de alegria.

297- Regilene, 31/10/12
Sorri de felicidade
Tua alma dançarina
Quando chegas à idade
De voltar a ser menina.

296- Daniel Garcia, 30/10/12
Se o permitido já inflama
O amor proibido não perca:
É bem mais verde a grama
Do outro lado da cerca.

295- Rita, 30/10/12
Agradecendo a visita
Saboreando o churrasco
Nesta receita da Rita
Da picanha quero um tasco...

294- Denise, 30/10/12
Amar é o abraço de almas
Amar é esquecer-se de si
Amar é perder-se em calmas
Amar é o que sinto por ti.

293- Zilani, 30/10/12
Deixo aqui meu comentário
Vazado em forma de trova:
Só desistirá, o otário,
Ao sentir seu pé na cova.

292- Isa, 30/10/12
Nesta noite, ao relento,
Bem depois do arrebol,
Foste tu o pé-de-vento
Que levou meu guarda-sol?

291- Cecília, 28/10/12
Talvezes não são certezas
Talvezes não são quereres
Mas podem trazer belezas
Talvez... quando te perderes.

Niterói, abril de 2013
Rodolfo Barcellos

terça-feira, 16 de abril de 2013

Menoridade

     Pelo que eu entendo, uma sanção penal tem três finalidades: a primeira é educativa, e seu alvo é o apenado; a segunda é inibitiva, e busca influenciar pelo exemplo, desencorajando procedimentos criminosos ainda latentes em indivíduos que possam ter propensão para o mesmo tipo de crime; e a terceira, que é causa e consequência das duas anteriores, é a proteção da sociedade pelo afastamento do elemento pernicioso.
     Mas algumas vezes a pena reveste-se do caráter de retaliação, de vingança, disfarçada sob o rótulo de exemplo.
     A bola da vez é a imputabilidade penal. Nosso código trata o assunto como se houvesse um instante mágico na vida de todos nós: um segundo antes, somos menores inimputáveis, um segundo depois somos maiores plenamente responsáveis por nossos atos.
     Essa ficção é necessária. Ela deriva de outra ficção legal - "Todos são iguais perante a Lei". É impraticável erigir um código diferente para cada um de nós, diferentes que somos.
     Na prática, embora as grandes diferenças sejam discriminadas na letra da lei, as pequenas são contempladas no âmbito do processo penal. Ou deveriam ser. Mas isso pressupõe um sistema jurídico bem preparado e aparelhado com princípios morais e éticos de primeira grandeza.
     No embrião da História imperava a pena de Talião, o olho-por-olho. A "vendetta" era a regra, e passava de geração em geração, dizimando famílias e clãs e enfraquecendo sociedades inteiras, que se tornavam assim mais vulneráveis ao ataque de inimigos.
Imagem: Internet
     Por volta de 1770 AC Hamurabi da Babilônia resolveu fazer alguma coisa. Mandou relacionar por escrito as práticas que davam margem às "vendettas" e coligir e ordenar as sanções para cada uma. Espertamente, manteve os castigos já tradicionalmente aplicados a cada "crime":

     218- "Se um médico operar a catarata de uma pessoa com faca de bronze e por causa disso o olho arruinar, terá sua mão cortada" (K. W. Ceram, Deuses, Túmulos e Sábios).

     Onde está o pulo do gato? Se as mesmas penas eram aplicadas aos mesmos delitos, que diferença fazia o código? Por que ele é tão famoso, afinal?
     A diferença era que o Estado assumia o papel de vingador e justiceiro. Cortava-se pela raiz a motivação das "vendettas". E a Babilônia, a partir dessa época, construiu uma das maiores civilizações de que temos notícia.
     A nossa "moderna" sociedade não é diferente. Em geral, esperamos do nosso sistema jurídico uma justiça baseada numa sólida filosofia moral. Mas quando o crime é hediondo ou a vítima nos é chegada, as declarações de "queremos justiça" soam como "queremos vingança". Eu quereria. Somos humanos, afinal.
     Talvez um dia possamos avançar um pouco além de Hamurabi. Os crimes serão catalogados como doenças e as penas serão cominadas como tratamento médico. E aqueles criminosos incuráveis ficarão isolados em "tratamento perpétuo". E não haverá sentido em estabelecer-se uma idade-limite para a inimputabilidade... muitas doenças não escolhem idade.
     Conforme a evolução e o grau de morbidez da doença, o paciente seria tratado em UTI ou enfermaria prisional, ou sob acompanhamento domiciliar. E uma vez curado (segundo o parecer da junta médico-jurídica), a alta seria concedida... que esplêndido campo para psicólogos e psiquiatras!
     Sim, um dia... quando a justiça for exercida por homens e mulheres de caráter limpo, moral ilibada, ética irrepreensível e formação sólida.
     Mas enquanto não chega esse dia, acho que deveríamos instituir uma redução da idade para aquele instante mágico...

Niterói, abril de 2013
Rodolfo Barcellos

sábado, 13 de abril de 2013

Sete sete-setes, XXI

       Em dezembro, um pouco antes do Natal, eu estava preparando a programação desta postagem (que já estava no rascunho) e deparei-me com a seguinte anotação na XXI.7: "reservada para Denise".
     E agora, José? Mandei-lhe ou não a sete-sete? Se mandei, foi em comentário, e-mail ou MSN?
     Na dúvida, incluí-a no buquê. Vou perguntar a ela... se a memória não me der outra rasteira. 

XXI.7- Denise, 12/11/12
Tu me trazes no teu beijo
Orvalhos das madrugadas,
Sabores do meu desejo,
Encantamentos de fadas,
Sementes de poesias,
Calor para as noites frias,
Promessas de alvoradas...

XXI.6- Rosa Branca, 12/11/12
Não sei se é verso sem rima
Não sei se é poema ou prosa;
Só sei que essa obra prima
Nasceu de uma Branca Rosa.
Que a doce musa exprima
Todo o lirismo que anima
Esta poesia formosa.

XXI.5- Denise, 12/11/12
Borboleta em cores novas,
Ou será casulo novo?
Para a alegria do povo
Quanta beleza comprovas!
Poesia em novas rimas
Para que em versos te exprimas
Em sete-setes ou trovas...

XXI.4- Marilene, 11/11/12
Sinto saudades dos dias
Nos quais pulsava o amor,
Quando tu me acolhias
Com sorriso encantador;
Ontem - flores e poesias,
Hoje - palavras vazias,
Amanhã - talvez só dor...

XXI.3- Catia, 10/11/12
Não admira que as luas
Comandem tuas marés;
Na lua cheia flutuas,
Na nova molhas os pés.
Na minguante e na crescente
Tu encantas tanta gente,
Poetisa que tu és!

XXI.2- Manuela, 10/11/12
Aqui se faz a beleza
Combinando poesia
Nas cores da natureza
Em linda fotografia;
E na obra de Manuela
O verso e a aquarela
Abraçam-se em harmonia.

XXI.1- Marcia, 9/11/12
No momento em que os quereres
Desafiam os pensares
Há o risco que os prazeres
Sobrepujem os gostares;
Pondera com toda a calma
Mantém em paz tua alma
E saberás o que amares.

Niterói, abril de 2013
Rodolfo Barcellos

terça-feira, 9 de abril de 2013

Dá-se um doce


Olegário Mariano
     Outra noite, batendo papo com a Milene, veio-me uma lembrança nebulosa de uns versinhos meus, feitos há algumas décadas, após ler um poema já esquecido:


- Menina, se eu te falasse,
Se eu te afagasse na face,
Tu me desse um beijo?
- Doce...

     Essas memórias que emergem de repente (não mais que de repente), gosto de pesquisar-lhes a origem. A desta, achei-a no Nordeste. Olegário Mariano, poeta e diplomata recifense, gostava de vestir em versos as falas populares, extraindo delas um lirismo ingênuo e saboroso, bem ao gosto de cordelistas e seresteiros. "Kremesse" é um clássico no gênero:


Foi um dia de kremesse. 
Depois de rezá treis prece 
Pra que os santo me ajudasse, 
Deus quis que nós se encontrasse 
Pra que nós dois se queresse, 
Pra que nós dois se gostasse. 

Inté os sinos dizia 
Na matriz da freguesia 
Que embora o tempo corresse, 
Que embora o tempo passasse, 
Que nós sempre se queresse, 
Que nós sempre se gostasse. 

Um dia, na feira, eu disse 
Com a voz cheia de meiguice 
Nos teus ouvido, bem doce: 
Rosinha, se eu te falasse... 
Se eu te beijasse na face... 
Tu me dás-se um beijo? — Dou-se. 

E toda a vez que nos vemo, 
A um só tempo perguntemo 
Tu a mim, eu a vancê: 
Quando é que nós se casemo, 
Nós que tanto se queremo, 
Pro que esperamo, pro quê? 

Vancê não falou comigo 
E eu com vancê, pro castigo, 
Deixei de falá também, 
Mas, no decorrê dos dia, 
Vancê mais bem me queria 
E eu mais te queria bem. 

— Cabôco, vancê não presta, 
Vancê tem ruga na testa, 
Veneno no coração. 
— Rosinha, vancê me xinga, 
Morde a surucucutinga, 
Mas fica o rasto no chão. 

E de uma vez, (bem me lembro!) 
Resto de safra... Dezembro... 
Os carro afundando o chão. 
Veio um home da cidade 
E ao curuné Zé Trindade 
Foi pedi a sua mão. 

Peguei no meu cravinote 
Dei quatro ou cinco pinote 
Burricido como o quê, 
Jurgando, antes não jurgasse, 
Que tu de mim não gostasse, 
Quando eu só amo a vancê. 

Esperei outra kremesse 
Que o seu vigário viesse 
Pra que nós dois se casasse. 
Mas Deus não quis que assim sesse 
Pro mais que nós se queresse 
Pro mais que nós se gostasse. 


     Pois a palavra "doce" ficou ecoando na minha cachola; e mais tarde, conversando com a Denise, esses ecos tomaram a forma de versos:


Dá-se um doce

Dá-se um doce a quem pudesse
Do seu dossel estrelado
Um desses dias me desse
Descer do céu do seu lado
Dá-se um doce a quem conceda
De seu tecido de seda
De ter sido estar cansado
De se dar está sedado
De ser dor que nunca ceda
Nesse ardor quando proceda
Dê-se o soldo ao soldado
Diz-se o doido agradecido 
Desse dar-se tão doído
Desse dar-se mal doado
Desce o dardo bem dorido
De ser dado mal dourado.

A quem disso agradou-se
Do semblante do desejo
Por pouco dar-se que fosse
A quem disse dá-se um doce
Além disso dá-se um beijo.

Niterói, abril de 2013
Rodolfo Barcellos

     PS: Alguém avise ao presidente da FIFA que "Mané Garrincha" é bem mais fácil de pronunciar do que "Sr. Joseph 'Sepp' Blatter". Ele vai ser mais um "joão" se continuar teimando.

     PPS: Avisem também ao presidente da CBF pra deixar de ficar engolindo batráquios suiços. O Mané é nosso.


sábado, 6 de abril de 2013

Trovas 281-290

     Sei que a maioria dos amigos que aqui vêm prestigiar meus versinhos singelos não dá muita importância a meros detalhes formalísticos; mas para aqueles que possam ter curiosidade a esse respeito, esclareço mais uma vez: Trova é um poema composto por uma única quadra, em versos de sete sílabas poéticas, sem título, com sentido completo e esquema de rimas definido. Assim, as de números 284 e 288 não são trovas (tecnicamente); mas não quiseram ficar fora da festa...

290- Leninha, 28/10/12
Quando a Amizade pura
Alimenta a Inspiração,
Nasce um Poema à altura
Das vozes do coração.

289- Sandra Subtil, 22/10/12
Se aí és mãe-galinha
Com asas aconchegantes
Aqui és mãe-corujinha
Pelos olhos vigilantes...

288- Sissym, 22/10/12
Belo colóquio
De poesias
Pra celebrar
Um de seus dias.

287- Graça, 17/10/12
Querida professorinha,
Não foi exagero o laudo;
Parabéns, amiga minha,
Eu simplesmente te aplaudo!

286- Sandra Puff, 17/10/12
Hoje concha, depois peixe,
Ora espuma, ora areia,
Mas nunca, menina, deixe
De cantar como sereia.

285- Sandra Subtil, 13/10/12
Se a saudade dói no fundo
Se eu me sinto ao deus-dará
Com certeza neste mundo
Nada me consolará...

284- Graça, 26/9/11 (resgatada pela própria)
Graça nas cores,
Cores na praça,
Taça de amores,
Flores na Graça.

283- Marcia, 10/10/12
Semearam-te espinhos
Cuidaste deles com jeito;
E em meio a cactos mesquinhos
Brotou um amor-perfeito.

282- Marilene, 8/10/12 (Ousadia)
Não adia aqui teu dia
Pousa aqui tua poesia
Arma aqui tua harmonia
Ousa aqui tua ousadia

281- Leninha, 7/10/12 (A moça tecelã)
Assim, no tear da vida,
Ao sabor das ilusões,
Faz-se a urdidura tecida
Com a trama das paixões.

Niterói, abril de 2013
Rodolfo Barcellos

terça-feira, 2 de abril de 2013

O descobrimento


*   *   *   *   *
Primeira parte - O contexto histórico

     Foi lá pelo início de 1500 que D. Venturoso, chamado "O Manoel", rei de Portugal, convocou às pressas o Almirante Cabral.
     - Pedroca, sabes o que aquele tal de Colombo fez?
     - Bem, Manduca... dizem que ele descobriu a América.
     - Pois fiquei sabendo que ele fez agora uma coisa mais incrível: botou um ovo em pé!
     - Não acredito! Pois se até as galinhas sentam para botar ovo, como é que ele - que nem galinha é - botou um ovo em pé?
     - Pois botou. Portugal está perdendo prestígio no cenário mundial; o Vasco da Gama, depois que achou o caminho para as Índias, amasiou-se com meia dúzia delas. E agora anda caindo pelas tabelas, perdendo todas as disputas...
     - E o que nós vamos fazer?
     - Prepare uma frota. Você vai descobrir o Brasil.
     - Mas dizem que o Brasil fica pra lá do fim do mundo...
     - Isso é superstição. Os doutores de Sagres me disseram que o mundo é redondo e gira em torno do dólar*.
     - Está bem. Só preciso de um tempinho pra me despedir da Maria.
     D. Manoel, o Curioso, perguntou:
     - Quem é essa Maria?
     - É a aia do Infante D. Miguel.
O rei, que andava arrastando a asa para a bonita cachopa, não gostou. E disse:
     - Pois bem, almirante... vá e descubra o Brasil. Mas evite a tal Maria, entendeu?
     Cabral era meio surdo; entendeu que o monarca lhe recomendara "evitar a calmaria". E respondeu:
     - Às ordens, majestade. Vou ficar longe da zona.
     - Certo. E comece a treinar para botar ovo.

(*) Citado pelo eminente historiador Mendes Fradique, em sua monumental "Historia do Brazil pelo Methodo Confuzo".

*   *   *   *   *
Segunda parte - O descobrimento

     A frota de Cabral compunha-se de dez caravelas reformadas da antiga Cantareira e três sapatos velhos do senador Sarney. Fugindo da zona da calmaria, descobriu o Brasil em 22 de abril de 1500.
     Uma das primeiras providências de Cabral foi o sepultamento de Tiradentes, que havia sido enforcado na véspera. Seu crime fora desafiar a reforma ortográfica oficial, inscrevendo na bandeira de Minas Gerais um dístico ininteligível: "LIBERTAS QUAE SERA TAMEN"**.
     Em seguida convocou Vasca Minha e Vítor Meirelles, um para enviar a D. Venturoso um fax da famosa "Carta" (cujo trecho mais emblemático é "tudo nela dar-se-á") e o outro para tirar a foto oficial do descobrimento. Mas como ambos se assinavam V. M., nunca se soube quem fez o que.
Foto oficial do Descobrimento do Brasil - V. M.
     É por isso que as coisas nesse país só começam a funcionar depois do carnaval...

(**) Esta nota não tem nada a ver com o texto e foi lançada aqui só para encher o saco do leitor.

Niterói, abril de 2013
Rodolfo Barcellos

     PS: Este pequeno ensaio humorístico foi inspirado nas lembranças que me ficaram da leitura - há muitos anos - da engraçadíssima obra de Mendes Fradique citada na primeira nota.