segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sobre teu dia, Mago querido...

Quando as palavras são insuficientes, tomamos emprestadas a emoção e o afeto.
Quando não sabemos o que dizer, emprestamos a sabedoria de quem já o fez por nós...



Que você esteja bem, feliz aniversário Poeta querido!
Beijos da Poesia!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Pés de Sonho - Milene Lima

Faz tempo que Rodolfo e eu decidimos ajudar a Milene a realizar seu sonho: publicar o livro com um apanhado de suas belas crônicas. Deu trabalho convencer esta moça de seu talento literário, mas vocês hão de concordar comigo que, se Rodolfo fez a primeira leitura e sugeriu alguns ajustes e correções para valorizar ainda mais seus textos, não precisamos de muitos avais extras que atestem o grau elevado desses conteúdos, não é mesmo? Ocorre que a Editora Instituto Memória ao receber seus escritos também entendeu que eles são frutos de talento inegável, nascidos para serem compartilhados com quem aprecie qualidade e sensibilidade ímpar da escritora.
Decididos, a incentivamos a dar início ao seu projeto olhando para ele como alguém que está gestando sonhos, e ela afinal rendeu-se ao apelo de seu desejo secreto, um tanto encabulado de transformar-se numa viagem nas mãos de tantas pessoas, florescendo seus sentimentos na medida que embarquem nas suas palavras e descubram um mundo um tantinho diferente do cotidiano nosso de cada dia. 

E é por esta razão que estou aqui, com a autorização da Beatriz, filha de Rodolfo, para, em meu nome e em nome dele, numa espécie de convocação aos amigos queridos, convidá-los a reunirem-se a nós ajudando a divulgar e adquirir o seu exemplar, numa ação entre amigos oferecendo o combustível para a largada desse projeto, que pede pra nascer! 
Milene conta conosco para que seu PÉS DE SONHO se torne realidade, tendo até dia 30 de julho agora para vender os cem primeiros livros.
Aqui o link pra te ajudar a encontrar rapidinho a loja virtual: 






Ao receber seu livro, você lerá o Prefácio de Pés de Sonho, que foi carinhosamente escrito por nosso Poeta tão querido:

Apaixonei-me pelos textos da Milene à primeira leitura. Alma de cronista que sabe dosar todos os ingredientes clássicos dessa difícil receita – a ironia cozinhada ao ponto de leve sarcasmo, o humor na medida certa de acidez, o oportunismo cuidadosamente dosado na escolha do foco, a frase mordaz sem chegar à vulgaridade... e com adição de uma especiaria não muito comum em outros cronistas: uma generosa pitada de feminilidade, de sentimentalismo, de empatia com os protagonistas de seu teatro de cordel... sim, apaixonei-me. E, para o mal dos meus ciúmes, sei que o leitor também se apaixonará. Ela fala de confidências amorosas com palavras poéticas, para logo depois alinhavar frases ferinas contra os desmandos dos poderosos. Ora canta um romance numa praia deserta, ora relembra um episódio em que ela mesma foi a estrela – ou vilã. Agora é uma trombetada contra a corrupção na política, logo depois é um cântico de louvor à amizade e ao amor. E ao chegarmos na última página, quando encontrarmos a palavra FIM, ficará em nós uma tal sensação de “quero mais” que volta e meia nos surpreenderemos relendo – pela enésima vez – aqueles episódios que mais nos encantaram.

Rodolfo Barcellos


domingo, 5 de junho de 2016

"O contrário da presença não é a ausência. É a saudade." R.R.B.

Amigos do Sete Ramos de Oliveira, coube a mim trazer aqui a notícia triste da partida do nosso Poeta amigo, depois de enfrentar algumas limitações físicas, combatente como era o bom marinheiro, libertou-se para repousar e restabelecer seu espírito sábio, encantador, milenar, único e cativante.

Me permitam esta tentativa de uma última conversa com o meu Mago querido...



É assim que de você vou me lembrar!!

Onde tudo começou, a 18 de fevereiro de 2011
R. R. Barcellos me disse...

- Não adianta mudar,
- Pois seu aroma é só seu.
- Já peguei a sua pista;
- Te perSIGO até o Céu!

- Sou cão rafeiro teimoso,
- Sabujo farejador;
- Ganindo por um carinho,
- Um cafuné, por favor...

Desde essa data, um mundo de poesia se derramou, e se eu pouco (ou quase nada) aprendi sobre versos, sonetos, trovas, poemas, sete-setes, sextilhas, hai-kais, indrisos e afins, estive como nunca em contato com a alma de um poeta, a quem chamei de “Mago das palavras.” Pra mim você era - sempre será - o alquimista genial, o poeta sensível, silencioso e extremamente talentoso, mas, acima de tudo, o ser humano que emocionava a gente com a prontidão e a gentileza. Teu legado neste cantinho concentra sabedoria, lirismo, amor, ternura, a refinada percepção dos sensíveis. Você era carinhoso com todos, e nós aprendemos a retribuir tua generosidade com um afeto autêntico, como você sempre foi.
Recordando daqueles dias nas Alagoas, o meu coração se enche de alegria por termos podido compartilhar momentos que vivem em nossos sentidos, todos nós seguramente temos para lembrar um momento especial, uma palavra, um olhar, um gesto, uma canção, ou tudo isso, para sempre.  Eu tive ainda o privilégio de receber um dos presentes lindos que me deu, num aniversário em que veio pessoalmente me abraçar. Memorável aquela noite entre amigos, violão e teu sorriso feliz!
Ficam comigo as centenas de conversas no MSN, os comentários primorosos nas postagens mais simples, os textos escritos trazendo tuas inspirações da madrugada. E o Pour Denise, canção linda que toca fundo o meu coração?? E o que dizer do No Silêncio criado por você só pra que eu declamasse?!
Rodolfo, Generoso bem podia ser teu sobrenome, amigo querido, Poeta irretocável, um talento literário como poucos, criativo e apaixonado pelas palavras e por suas Musas, meu Mago preferido! Fica tua obra escrita, ficam teus gestos e tua voz grave, teu olhar profundo. Você deixa plantados dentro da gente os sentimentos bons que as palavras não estão dando conta de contar, como ninguém você gotejava amor por elas, viajando pelos sentimentos de um jeito encantador.
Você foi um presente, alguém que só nos trouxe coisas boas, dedicou textos lindos, tempo e carinho. Em paz desejo que você esteja, por aqui entre nós que tivemos a sorte de tê-lo conosco, fica a saudade, aquele “eco das canções que a vida já nos cantou” como você disse.
Aliás, meu querido, você sabiamente professou: “saudade é o perfume que fica quando quem amamos se ausenta.”

Em teu rosto brejeiro, receba o beijo carinhoso da tua Poesia. 
E de todos daqui deste lugar que você tanto amou estar, seguem todos os abraços dos amigos que, certamente, passarão por aqui.
Até um dia, Rodolfo, nos inspire quando puder!




sexta-feira, 4 de março de 2016

A calça

Quando o Rafa foi me visitar no Hospital Central da Aeronáutica, foi impedido de entrar.
- Não pode entrar de bermuda - o soldado da guarda explicou.
Não vou criticar aqui costumes culturais, por mais estranhos que pareçam. Os militares britânicos usam, nas regiões tropicais, um uniforme leve, que inclui uma bermuda. Nós, brasileiros, mais realistas do que o rei, implicamos com um traje confortável, aceito até no palácio de Buckingham, só porque nossos avós não gostavam de expor as canelas.
E agora? O Rafa não vinha para uma simples visita, mas para render por algumas horas a minha filha - a Bia - em seu posto de acompanhante. Lembrou-se de ter passado por uma loja de roupas femininas nas proximidades e foi até lá, para comprar um traje mais adequado.
O Rafa é um homem grande e desinibido, e foi com dificuldade que se apertou na maior calça que encontrou na loja. E foi assim, com brilhos nos fundilhos e enfeites na cintura, que ele conseguiu entrar no ultraconservador hospital...

Mudando de assunto, quero aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os amigos que estão me apoiando nesta fase difícil. Fui diagnosticado como portador de um tumor maligno  - avançado mas primário - no esôfago e por conta da dificuldade de deglutir estou recebendo nutrição via enteral - diretamente no intestino delgado. Quando recuperar-me da desnutrição, iniciarei um tratamento mais pesado - quimio e radioterapia, e se necessário cirurgia.

Obrigado pelas mensagens. Obrigado, Denise, Milene, Regina e tantos outros amigos. Obrigado, Rafa, Gerusa, Branca, Marcos e tantos outros parentes. Obrigado...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Ô de Casa!



A porta destrancada – deste cantinho e de seu coração – deixou-nos entrar sorrateiramente trazendo na bagagem algumas palavras que pretendem te homenagear, e imagens para colorir a saudade e enfeitar teu dia, precioso para nós que te amamos.

Perdoe-nos a invasão, muito embora estejamos alojadas na sagrada memória afetiva e esta sala de estar com os amigos seja uma extensão de nossas recordações, também queridas.

Desejamos estreitar nos braços da amizade nosso desejo de que este tenha sido um ano bom, deixando lugar para a renovação das alegrias, da saúde, da esperança, das rimas que você faz, inspirando-nos, enquanto provoca um brinde às letras que tão bem distribui para assim representar o afeto que sente.

Por ser você essa fonte inesgotável de sabedoria, representante fiel dos sentimentos ocultos ou escancarados, nossa gratidão por compartilhar sua alma de poeta, sua singularidade humana, seu olhar brejeiro sobre as coisas e seu riso maroto que não esconde o menino a viver neste corpo de homem com olhos de contas azuis...

Escrever para quem tem a intimidade com as palavras como você, Mago querido, nos mostra como é vã a tentativa de expressarmos tudo que sentimos, por isso fica aqui nosso singelo – porque amoroso – ensaio, e as melhores energias para te envolverem como nossos braços a te embalarem num afetuoso abraço cantando um sonoro PARABÉNS PRA VOCÊ, nesta data festiva, muitas, inúmeras felicidades e muita vida para viver!!!



Recordações de momentos lindos!!


O SONETO NÃO PARIDO

Era pra parir um soneto, daqueles corretos em métrica e rima, mas sobretudo cheio da mais legítima e profunda poesia. Não se deu. O mestre vai nos desculpar. Saberemos lhe dizer afetos sem versos, mas afetos. Diremos da saudade de nossa convivência que, mesmo acontecendo sobre a ponte virtual, era das mais intensas e enriquecedoras. Era bonita... era bonita!

Tal escrita não é somente sobre a saudade, essa que a vida se encarregou de parir sabe-se lá por quais motivos. Trata-se, pois, da belezura desse treze de fevereiro que lá atrás pariu Rodolfo, o Barcellos, o bruxo e mestre das letras, cuidador de versos, jardineiro tão dedicado como pouco se ouviu falar nos ares por onde voou ou nos mares do seu lugar.

Rodolfo, o bruxo, cuidador de versos, canteiros e amizades. Sujeito ímpar a querer proteger a quem ama no seu abraço farto, humano, de tanto amor. Sujeito grande, que seria gigante mesmo tendo meio metro de altura. É da grandeza de ser o tratado aqui. É da alma, da bem querência, da generosidade, do imenso sentimento ajeitado ali, no seu coração doce.

É de se sonhar outro abraço daqueles, um pouco mais do choro da despedida, como foi feito naquele julho de outro ano, lá em Maceió, onde “ama-se e, oh!”. É de se querer mais conversas e aprendizados. E outras arengas, porque amigo que é amigo arenga e pronto, pra depois o bem querer se ajeitar melhor e assoprar pra longe os ventos mal intencionados.

Se não foi lhe dito um soneto de aniversário, gratidão e amizade, ao menos se tentou dizer palavras livres e muitas de aniversário, de gratidão, de amizade...
Brindemos à vida, ao bruxo, o amigo.
Viva Rodolfo Barcellos, viva!


(Por Denise e Milene, as meninas dele)




Vídeo caseiro, cliquem nele para abrir.
E você Rodolfo Poeta, Bruxo, Mago querido, tire esse cisco dos olhos, por favor... ;)

... saindo de fininho, puxando devagar a porta pra não te acordar... 



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Irrealidade


Há mundos, poetisa minha
Que existem intocados
Mas só por nós visitados,
Neblinas.

Mundos que estão escondidos
Feitos de espaços perdidos
Pó de tempos esquecidos,
Sombras.

São lembranças esmaecidas
Memórias mal revividas
Fotos amarelecidas,
Saudades.

São céus verdes como mares
Nuvens azuis pelos ares
Frutos brancos nos pomares,
Loucuras.

Lá onde o tempo se finda
O espaço nasce ainda
Na espera de tua vinda,
Poesias.

Lá eu me deito em teu colo
Lá eu me planto em teu solo
Lá eu bebo tua paz,
Sonhos.

Existem lá mil verdades,
Mentiras, versos tristonhos,
Neblinas, sombras, saudades,
Loucuras, poesias, sonhos.

E nesse tempo imanente
Perdido e reencontrado
Tu viverás teu presente,
Teu futuro e teu passado.

==========

Caros amigos,
Nas próximas duas semanas estarei internado no HCA para tratamento de um transtorno alimentar. Durante esse período, não poderei postar, comentar ou responder aos comentários, mas pretendo voltar o mais breve possível.
(agora eu sei a razão de ser chamado de "paciente"...)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Uma de menos

     O tempo escorre lentamente do relógio, em tiquetaques preguiçosos e vadios. É o velho demônio irritante, tirando do saco de minha vida, já meio murcho, uma moeda a cada tique e atirando-a no saco sem fundo da eternidade a cada taque. E ele faz isso sorrindo, sarcástico, para mim. Uma de menos... uma de menos... uma de menos... vai ele desfiando a ladainha dos segundos que se perdem sem resgate.
     Mas hoje, demônio velho, não cairei nesse truque psicológico barato. Não ligarei a TV, não lerei livros ou jornais, não telefonarei para ninguém. Porque sei que ela, a minha amada, está vindo.
     Desfia a tua ladainha, velho demônio, desfia-a mais rápido, que os segundos da espera não se contam como aqueles da tristeza. E quando minha amada estiver em meus braços, será minha vez de contar: uma a mais, uma a mais, uma a mais...
     Pois dela os beijos são vida, e os carinhos são eternidade, e seu amor não cabe neste ridículo universo onde espaço e tempo têm seus limites. Ela me levará nas asas da paixão e me guiará para onde não se contam moedas, onde não há sacos de diferentes tamanhos, onde os demônios contadores se encolhem envergonhados e perecem à míngua de relógios, onde tempo não é dinheiro e dinheiro não é mais que fumaça. E lá escarneceremos de ti, até o fim dos tempos.

domingo, 27 de dezembro de 2015

ACALANTO PARA BIA


Naquelas noites calmas de céu cintilante,
Decerto tu não sabes, mas quando adormeces
Serenamente, logo após as tuas preces,
Um leve vulto se aproxima, hesitante. 

Qual anjo protetor, atento e vigilante,
Ao pé de ti, quieto, depõe suas benesses,
Os novos sonhos que ainda não conheces,
Para alimento de tua alma confiante. 

Este anjo mudo, amada minha, é meu zelo
Que afugenta qualquer triste pesadelo
Que te perturbe o sonho enquanto estás dormindo; 

Que junto a ti tresnoita, neste forte anelo
De atender de pronto a qualquer teu apelo
Só por ganhar-te esse sorriso doce e lindo!

 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Natal - a data


Crônicas natalinas - A data


Eventos como o Natal deveriam ser celebrados diariamente, não importando o que diga a folhinha – se não com luzes, presentes e ceias, pelo menos com o coração.

Dito o importante, vamos ao interessante.

Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro: sete, oito, nove, dez.

Não parece estranho que os meses de nove a doze tenham nomes de sete a dez?

Essa confusão tem mais de dois mil anos de idade. O calendário romano daquela época compunha-se de dez meses – quatro nomeados em honra a deuses e os demais simplesmente chamados pelos seus números: Martius, Abrilis, Maius, Junius. Quintilis, Sextilis, Septembris, Octobris, Novembris e Decembris.

Ano sim, ano não, um mês extra – Mercedonius – era incluído. O resultado era uma sequência irregular de anos com 355, 377 ou 378 dias cada um.

Em 46 AC Júlio César resolveu acabar com a bagunça e, com a assessoria do astrônomo Sosígenes, instituiu o calendário hoje conhecido como Juliano. Ele acrescentou mais dois meses – Unodecembris e Duodecembris – e eliminou o mês intercalar (Mercedonius), substituindo-o por um único dia que seria acrescentado a cada três anos ao último mês – Duodecembris, o famoso ante die bis sextum kalendas martias.

Mas havia erros acumulados a ajustar, e por conta deles aquele ano acabou durando 445 dias. Com a confusão reinante, os romanos passaram a considerar Unodecembris e Duodecembris não como os últimos, mas como os primeiros do ano seguinte, dando-lhes nomes em honra de Janus – Januarius – e Febo – Februarius.

Em 44 a. C., o senado  homenageou Júlio César, trocando o nome do mês Quintilis para Julius. E sessenta anos depois César Augusto mudou o intervalo dos bissextos de três para quatro anos e recebeu a mesma homenagem, quando o mês Sextilis passou a se chamar Augustus – roubando um dia de Februarius para ficar com os mesmos 31 do ilustre antecessor... ô vaidade!

Mas o que isso tem a ver com o Natal?

Bem, naquela época ainda era grande a confusão no calendário. E os judeus seguiam um calendário próprio (que usam até hoje), sem relação com o calendário romano. E no meio da confusão, a data real do nascimento de Jesus perdeu-se – parece que definitivamente.

A data de 25 de dezembro foi adotada pela Igreja, já no século IV, para contrapor-se às festas pagãs do solstício de inverno, entre as quais a Saturnália romana e o festival do Sol Invictus..

Mas existem alguns indícios que permitem uma pesquisa sobre a data aproximada do evento. As fontes históricas mais confiáveis são os evangelhos canônicos de Lucas e Mateus, alguns textos dos apócrifos, os registros do Templo de Jerusalém e os escritos de Tácito, Plínio, o moço, Suetônio e Josefo.

E o que nos dizem essas fontes?

Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande – o rei-fantoche designado pelos romanos, que ordenou a tristemente famosa "matança dos inocentes". Ora, Herodes morreu no ano 4 a.C., de modo que Jesus deve ter nascido uns dois ou três anos antes. E sabemos que José foi com Maria a Belém para cumprir a ordem da autoridade romana que exigia, para o censo, que o registro fosse feito na cidade de origem do chefe da família.

Em Belém, o censo ocorreu no mês Sextilis (posteriormente agosto) do ano 7 a. C.

Mais uma pista: a apresentação dos recém-nascidos no templo e a purificação de suas mães tinha um prazo máximo de 21 dias após o parto, pelas normas judaicas. Jesus foi apresentado no templo de Zacarias, segundo os registros locais, no mês de Setembro, num sábado. Ora, o mês de Setembro do ano 7 a.C. teve quatro sábados: 4, 11, 18 e 25. Como os censos em Belém ocorreram entre 10 e 24 de Agosto, o sábado de apresentação seria o de 11. E assim, Jesus teria nascido entre 21 e 30 de Agosto do ano 7 a.C.

Bem, espero vocês tenham apreciado, que o Leonel não tenha tido dores de cabeça e que o Jair não tenha ficado matutando demais em frente à folhinha – pois dito o interessante, voltemos agora ao importante:

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Quid pro quo

A Teoria dos Conjuntos fornece-nos bons esquemas para ilustrar áreas de convergência ou de conflito nos relacionamentos humanos. Veja a figura:
Não incluí outras religiões para não complicar. O amigo leitor poderá fazê-lo à vontade.
A Torá e o Talmude situam-se na área J. O Corão, na área I. O Novo Testamento, na área C.
Na área JC está o Velho Testamento. Textos sagrados, rituais e tradições têm seus lugares cativos neste esquema.
Esquemas semelhantes podem ser construídos. Exemplo:
NCR - Natureza, Ciência e Religião.
RS - Realidade e Sonho.

Gosto de imaginar esquemas e procurar meu próprio lugar dentro deles - seja como um ponto minúsculo ou como um círculo mais ou menos abrangente.
Talvez meus leitores se divirtam fazendo o mesmo.
Qual seria o lugar da Inquisição? da alma? da arte? do Estado Islâmico? da Filosofia? de Deus?

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Para Denise


"Se amor fosse questão de merecimento, teria peso e medida e seria vendido a metro ou a quilo". Bate-papo com Denise, MSN, 6/4/13

"Um livro fechado é um sono sem sonhos". Comentário a Denise, 23/9/12

"Quando a chuva faz as pazes com o sol, eles se amam. E nasce o arco-íris". Comentário a Denise, 12/9/12

"Cego às distâncias do Espaço, surdo ao tiquetaque do Tempo, segue o Amor. Fere a mão no espinho, mas acaricia a rosa. Corta o pé na pedra, mas não abandona o caminho, e prossegue. Não sabe onde vai chegar, pois seu querer não é acomodar-se, é sempre seguir adiante. E vai em busca do inalcançável, e o alcança fora do Tempo e do Espaço... numa Poesia". Comentário a Denise, 2/6/12

"Mais gratificante que a juventude do corpo deve ser a juventude da alma". Comentário a Denise, 24/5/12

"A saudade é um bem precioso, que insistimos em transformar em sinônimo de perda". Por Denise, em comentário a uma postagem minha sobre a saudade, julho 2011

Hoje é um dia especial. E por conta disso, vesti teu sonetinho com um traje mais formal...   um esquema de rimas black-tie, perfeito para a ocasião.

BARGANHA
Dou-te um milhão pelos teus pensamentos
E cedo por dez réis de mel coado
Este versejamento mal cuidado
Só por ficar contigo alguns momentos.

Dou-te cem beijos... não, dou-te duzentos
Por um olhar maroto e dourado

E arremato num só lance ousado
Os teus suspiros, que se vão aos ventos.

Dou-te mil versos, só para começo,
Por um sorriso, que eu não mereço,
Dos lábios orvalhados de luar;
 
E por um beijo teu eu ofereço
Aquilo a que ninguém pode por preço:
O mar do meu amor, o mor do meu amar.
 
Feliz aniversário, Poesia!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Dia da Aviação


Céu de brigadeiro. O grande quadrimotor voava lentamente, flaps a cinquenta por cento, perdendo altura enquanto circulava em torno de duas pequenas ilhas, perdidas na imensidão azul do Atlântico. O atol das Rocas era uma das referências – um “fixo” de navegação – previstas nos voos de experiência do novo sistema de navegação inercial, em fase de testes de aceitação pela FAB.

O coronel Etraud avançou levemente as manetes de aceleração, e o ronco suave dos motores ficou ligeiramente mais audível. O major Pagani verificou a RPM e o torque dos motores. O Hércules estabilizou-se em uma órbita baixa em torno das duas ilhotas, como uma mariposa atraída pela luz.

O capitão Rabello checou rapidamente cerca de quarenta instrumentos, ajustou alguns controles e, satisfeito, recostou-se na sua poltrona para contemplar o incrível panorama que se descortinava através das grandes e numerosas janelas da espaçosa cabine de voo. Com sua experiência, ele confiava nos pequenos ruídos que se misturavam ao ronco dos motores para alertá-lo sobre qualquer quebra na rotina. O avião falava com ele.

O tenente Barcellos, o mais novo da tripulação, ainda não conhecia os segredos desse diálogo entre o homem e a máquina, mas confiava nos companheiros mais antigos, e também desviou sua atenção para o espetáculo paradisíaco.

No compartimento de carga, os doze sargentos que compunham o grupo de especialistas fizeram uma pausa nas suas atividades de monitoração e teste dos diversos sistemas da aeronave e também se amontoaram junto às vigias redondas de observação. Tinham 15 minutos antes de reassumir seus postos.

Os que viam pela primeira vez esse panorama estavam mudos. Os poucos "antigões" que conheciam o atol e suas histórias terríveis narravam em voz baixa os episódios macabros, colorindo-os com detalhes fantásticos, conforme lhes parecia mais adequado.

- Pois é - explicava-me o sargento Lindolfo, - o navio encheu o reservatório de água com óleo diesel, por engano, e zarpou antes que o faroleiro percebesse o que tinha acontecido. Quando voltou, um mês depois, todos tinham morrido de sede -- o casal e os dois filhos.

- É - complementava Bonfim, um segundo-sargento negro como a noite. - Uma noite ele botou fogo na casa, para chamar a atenção de um navio que passava, mas não conseguiu nada...

- Tá vendo a ilha menor? Chama-se Ilha do Cemitério - dizia Pereira, o instrumentista. Tem mais de trezentos túmulos lá, entre faroleiros, familiares e náufragos!

Entre fatos históricos e lendas, realidade e fantasia, o que mais me impressionou na época - já se vão mais de trinta anos! - foi o contraste entre o aspecto paradisíaco do atol e as histórias macabras a ele associadas. E muito tempo depois tive oportunidade de conferir essas histórias com documentos fidedignos.

Os quinze minutos haviam passado. O comandante acionou a campainha. A tripulação voltou a seus postos.

- Comandante a postos - a voz tranquila do coronel soou no "Public Adress".

- Co-piloto a postos!

- Mecânico a postos!

- Navegador a postos!

- Mestre de carga a postos! Tudo amarrado e seguro!

O coronel avançou as manetes até os torquímetros marcarem 12 mil libras. O ruído dos motores aumentou. O avião ganhou velocidade.

- Recolher flaps!

- Flaps recolhidos!

Ganhando altura lentamente, o quadrimotor fez uma ampla curva à direita e aproou para seu próximo destino - Fernando de Noronha.
 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Dia a dia

(Inspirado num texto de Si Fernandes)

Eu ando desencantado
Com esse saco sem fundo
Que se chama dia-a-dia
Subversor do meu mundo
Devorador de energia
Ladrão de horas e sonhos
Gatuno de horas de sono,
Que não pausa um só segundo
No carcomer-me a alma
No mergulhar-me na lida,
No sonegar-me a calma,
No sepultar-me em vida;
Nesta infindável labuta
Nesta ingente disputa
Nesta malparada luta
Batendo com força bruta
Mas busco forças ainda
Para vencer meu calvário
E encontro-as num Relicário
Como uma joia linda
Encontro-as no teu sorriso,
No teu olhar indeciso
Entre fitar-me e esconder-se;
Na tua face graciosa,
No teu perfume de rosa;
E meu corpo se levanta
Meu cansaço se evola
Minha alma exsurge e canta
Retorna minha alegria
Meu querer se agiganta
E eu derroto o dia-a-dia.

sábado, 3 de outubro de 2015

Há quatro anos...


Outubro de 2011

Chuva de inverno


Está frio, e chove. Embrulho-me no meu puído manto de esperança e abrigo-me sob o guarda-chuva rasgado de um otimismo falso. Mas o vento cortante da tristeza insiste teimosamente em trazer-me as gotas grossas e geladas da solidão, enquanto a espessa neblina cinzenta da saudade, mal iluminada pelo solitário lampião das recordações, paira como uma mortalha sobre a rua escura e vazia que é minh'alma.

Incomoda, essa luz espectral, amarelenta e morta do velho lampião. Parece sólida, como se fosse tinta, pintando cada gota de chuva com cores doentias...

O tempo gruda-se em meus dedos, como uma massa amorfa, feita de momentos desconexos. Vislumbro ao longe, no limiar da visão, um fantasma silencioso e meditativo. É teu vulto, talvez, perdido no infinito espaço vazio que existe entre duas camadas de eternidade.

Quero seguir-te. Quero alcançar-te. Mas não posso. E choro a minha renúncia em lágrimas ausentes e vazias. E percebo, enfim, que também eu sou um espectro extraviado, vagando em um mundo que não é o meu.

Choro. E sobre mim continua chovendo esta tristeza... esta solidão...

terça-feira, 29 de setembro de 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Loucura


     O tempo que nunca existiu não deixou saudades. Os sonhos nasceram mortos e foram enterrados no sopé da colina azul. O vento aqui não sopra. Nuvens imóveis escondem um sol negro, e os segundos estão esculpidos na face cinzenta e fria da eternidade.
     O crepúsculo não chegará. Não há flores ou frutos. Não há ódio, pois não há amor. Não há tristeza, pois não há alegria. Não há morte... não há vida. E nos mares sombrios desse tempo inexistente vagueia sem rumo a nau do esquecimento, sobrecarregada de pesados nadas. Naufrágio eterno de um espectro que se perdeu de si mesmo.
     Os olhos cegos do timoneiro desmemoriado estão abertos e fixos num horizonte vazio. Em sua boca mora o sussurro rouco de uma canção sem palavras, que ecoa surdamente no cavername dos porões inundados.
     A bússola gira loucamente, em busca de um Norte que não existe. Pendem das vergas farrapos cansados, retalhos imóveis sob o peso do silêncio. E o tempo está congelado em ondas perpétuas de escuridão.

     Loucura.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ego inVerso

De hoje até domingo, dia 13, Ego inVerso está em promoção. O e-book Kindle é gratuito na Amazon brasileira e o livro impresso tem várias opções de preço, acessíveis nos links da guia "Livros", no cabeçalho desta página. Eis um dos poemas de Ego inVerso:
 

terça-feira, 23 de novembro de 2010


Eu sempre me achei muito seguro. Para mim, a Rê e seus colegas psicólogos estariam desempregados se todos fossem como eu.
Ledo engano. Nesses últimos dias, mergulhado na tristeza da perda de Maria Helena, ela, sem que eu percebesse, me analisou, fez seu diagnóstico e me prescreveu a melhor terapia: escrever. E soube induzir-me ao tratamento: mandou-me em comentário, há alguns dias, um soneto do Mário Quintana que já se havia sumido de minha lembrança:

Ah! os Relógios!

Amigos, não consultem os relógios
Quando um dia eu me for de vossas vidas,
Em seus fúteis problemas tão perdidas
Que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
Não o conhece a vida - a verdadeira -
Em que basta um momento de poesia
Para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
Somente por si mesma é dividida:
Não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
Quando alguém - ao voltar a si da vida -
Acaso lhes indaga que horas são...

Pois não é que o bendito sonetinho ficou me azucrinando as ideias? Foi de propósito, né, dona Rê?
Bem, tenho uma superabundância de tempo - que, conforme alerta Mark Twain, não é dinheiro - e resolvi exorcizar o soneto tomando-o como mote e compondo uma glosa, em tercetos:

Glosa

Não quero constar de Martirológios;
E se a hora chegar das despedidas,
Amigos, não consultem os relógios.

Pois horas eu vivi tão bem vividas
Que as cantarei em salmos eloquentes
Quando um dia eu me for de vossas vidas.

Em frações de minutos repartidas
Essas horas não foram, por contentes,
Em seus fúteis problemas tão perdidas.

E se querem fazer-me apológios
Não mos façam como os da negra sorte,
Que até parecem mais uns necrológios...

Sejam mais como beijos de consorte
E não como areia de ampulheta,
Porque o tempo é uma invenção da morte.

A natureza, à sua maneira
Do tempo desconhece esta faceta;
Não o conhece a vida - a verdadeira.

Para tornar tristeza em alegria
Eventos há - a alma é parceira -
Em que basta um momento de poesia.

Não queiras tu tapar Sol com peneira,
Pois basta de um segundo uma fatia
Para nos dar a eternidade inteira.

Inteira como o é uma caverna
Onde há túneis infindos sem saída;
Inteira, sim, porque essa vida eterna

Em divisões nunca será partida;
Toda fração é una e sempiterna,
Somente por si mesma é dividida.

Assim inteira é da glória a ação:
Na derrota ou vitória aos soldados
Não cabe, a cada qual, uma porção.

Heróis e mártires serão amados
Eternamente, sem qualquer senão;
E os Anjos entreolham-se espantados,

Buscando tontos resposta pedida,
E ficam sempre em grande confusão
Quando alguém - ao voltar a si da vida,

Do Paraíso a alma no portão,
Do fútil que é o tempo esquecida
Acaso lhes indaga que horas são...