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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

No silêncio

     Ela disse que gostaria de declamar um poema - e eu me lembrei de um sonetinho que tinha feito a partir de um texto dela. Mas quando a poesia cresce dentro da alma, é difícil segurar a inspiração, e os versos foram saindo, e saindo, e saindo.
     Mandei-lhos, com o fundo musical do toque militar de silêncio, que tanto marcou minha vida nos quartéis. Mas a filhota dela disse que o "Silêncio" soava lúgubre; assim, transformei o silêncio presente em vozes do passado, substituí cornetas melancólicas e tristes clarins por uma orquestra vibrante e trouxe, com o imortal Carlos Gomes, uma "Alvorada" para alegrar os corações silenciosos.




NO SILÊNCIO

No silêncio escutei a voz dos ventos
E dos suspiros.
No silêncio ouvi tristes pensamentos
Que não são meus.
O Tempo sussurrou-me seus segredos,
Gotejando em segundos que escorreram
Como lágrimas na face da Eternidade.

E os murmúrios que jorraram dessas fontes
Esvaíram-se em mil constelações,
Em estrelas que brilharam silenciosas,
Eternamente mudas,
No olhar parado da minha solidão.

Busquei cantigas que há muito se perderam
Na bruma espessa da saudade antiga,
Na voz de meus amores que se foram
Para onde?
Para onde o amor se esconde.

No silêncio se abrigaram os gemidos,
Os murmúrios que escaparam dos lençóis,
As promessas que duraram um momento,
E as juras com prazo de vencimento
De amores que fugiram... há quanto tempo?

No silêncio Deus me fala, e eu escuto
A voz que não é mais da solidão.
No silêncio Deus me olha, e eu vislumbro
A luz que agora vem da escuridão.

SUSPENSE E PROFECIA

O Tempo para,
E ouço cantigas que voltaram do passado
Nas asas do silêncio.

A ALVORADA

Mas, eis! O Tempo fecha o seu ciclo
E o céu no oriente, pouco a pouco,
Expulsa de si mesmo a escuridão;

E a luz da Alvorada engolfa o mundo
E cresce em cores a cada segundo
E afugenta-me da alma a solidão.

E junto à escuridão vai-se o silêncio
Nos gorjeios de pardais e sabiás
No zumbir inquieto e forte dos insetos.

E quando o sol desponta no horizonte
E seu primeiro raio, mensageiro,
Busca o mais alto píncaro do monte,
Beijando a flor, que se abre por inteiro,
Rasga-se enfim a bruma de tristeza
Que me envolvia o coração silente;
E minha alma canta toda a beleza
Do amor que chega, poderoso e ardente!

Rodolfo Barcellos
Niterói, fevereiro de 2012
(Para a declamação da Denise)