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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Para Denise

     Lembro-me dela exatamente como uma poesia. Ou uma borboleta. Ou uma mulher. Ou uma amiga. Ou seja, lembro-me dela exatamente como ela é.

Íris da Praia
FANTASIA
A lagarta, num momento de silêncio,
Descobriu-se borboleta.
Desdobrou maravilhada suas asas,
Secou-as ao sol quente da inspiração
E voou pelos jardins da poesia.
Estrofes por canteiros, versos por flores,
Rimas por néctar, métrica por pólen,
Inebriantes metáforas os odores,
Trovas, sonetos, indrisos, haikais,
Rosas, violetas, orquídeas, jasmins...
Pequenas flores silvestres, sem nome,
Versos soltos, estranhos perfumes.

Por vento os sentimentos mais profundos
Às vezes brisa leve, às vezes furacão,
Amor, desejo, ternura, paixão...
Por chuva as palavras indiscretas
Dizendo coisas secretas
Ou qualquer coisinha à-toa,
Buscando dar voz à mágoa,
Granizo, chuvisco, garoa,
Sereno, orvalho, pé d'água...

Por adubo os sonhos mortos
Ou amores já passados
E tantos caminhos tortos,
Projetos mal enterrados,
Tornando o solo fecundo,
Trazendo vida da morte
Conforme é a lei do mundo
E o livre arbítrio da sorte.

E enquanto houver luz do dia,
Voa! Voa, borboleta!
Voa, porque és poesia
Que só estará completa
Quando achares um poeta,
Seja ele crente ou ateu,
Mas que te ame, borboleta,
Que te ame... assim como eu.
*   *   *   *   *

POBRE CANTO MEU
Quisera eu cantar-te, minha amada,
Com a grandiloquência que merece
O fundo sentimento que me cresce
E jorra de minh'alma arrebatada.

Mas minha voz se cala e emudece
Só no pensar em teu vulto de fada,
Pois és a Poesia adorada
Que em rimas de amor em mim floresce.

Ah! como é pobre a lira deste errante
No extrair d'alma a tradução vibrante
Deste sentir que aumenta a cada dia!

Ó Musas! Dai-me o verbo altissonante!
Fazei do humilde verso um gigante
No qual eu cante a própria Poesia!
*   *   *   *   *

BARGANHA
Dou-te um milhão pelos teus pensamentos
E cedo por dez réis de mel coado
Este versejamento mal cuidado
Só por ficar contigo alguns momentos.

Por um olhar maroto e dourado
Dou-te cem beijos... não, dou-te duzentos;
E teus suspiros, que se vão aos ventos
Eu arremato num só lance ousado.

Dou-te mil versos por um só sorriso
Daqueles que te brotam sem aviso
Dos lábios orvalhados de luar;

E por um beijo teu eu ofereço
Aquilo a que ninguém pode por preço:
O mar do meu amor, o mor do meu amar.

     Feliz aniversário, Denise!

Niterói, outubro de 2012
Rodolfo Barcellos

PS: O dia da festa é 28 (mais um dia da Poesia); mas resolvi antecipar esta postagem para ter a chance de entregar-lhe o presente pessoalmente.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

No silêncio

     Ela disse que gostaria de declamar um poema - e eu me lembrei de um sonetinho que tinha feito a partir de um texto dela. Mas quando a poesia cresce dentro da alma, é difícil segurar a inspiração, e os versos foram saindo, e saindo, e saindo.
     Mandei-lhos, com o fundo musical do toque militar de silêncio, que tanto marcou minha vida nos quartéis. Mas a filhota dela disse que o "Silêncio" soava lúgubre; assim, transformei o silêncio presente em vozes do passado, substituí cornetas melancólicas e tristes clarins por uma orquestra vibrante e trouxe, com o imortal Carlos Gomes, uma "Alvorada" para alegrar os corações silenciosos.




NO SILÊNCIO

No silêncio escutei a voz dos ventos
E dos suspiros.
No silêncio ouvi tristes pensamentos
Que não são meus.
O Tempo sussurrou-me seus segredos,
Gotejando em segundos que escorreram
Como lágrimas na face da Eternidade.

E os murmúrios que jorraram dessas fontes
Esvaíram-se em mil constelações,
Em estrelas que brilharam silenciosas,
Eternamente mudas,
No olhar parado da minha solidão.

Busquei cantigas que há muito se perderam
Na bruma espessa da saudade antiga,
Na voz de meus amores que se foram
Para onde?
Para onde o amor se esconde.

No silêncio se abrigaram os gemidos,
Os murmúrios que escaparam dos lençóis,
As promessas que duraram um momento,
E as juras com prazo de vencimento
De amores que fugiram... há quanto tempo?

No silêncio Deus me fala, e eu escuto
A voz que não é mais da solidão.
No silêncio Deus me olha, e eu vislumbro
A luz que agora vem da escuridão.

SUSPENSE E PROFECIA

O Tempo para,
E ouço cantigas que voltaram do passado
Nas asas do silêncio.

A ALVORADA

Mas, eis! O Tempo fecha o seu ciclo
E o céu no oriente, pouco a pouco,
Expulsa de si mesmo a escuridão;

E a luz da Alvorada engolfa o mundo
E cresce em cores a cada segundo
E afugenta-me da alma a solidão.

E junto à escuridão vai-se o silêncio
Nos gorjeios de pardais e sabiás
No zumbir inquieto e forte dos insetos.

E quando o sol desponta no horizonte
E seu primeiro raio, mensageiro,
Busca o mais alto píncaro do monte,
Beijando a flor, que se abre por inteiro,
Rasga-se enfim a bruma de tristeza
Que me envolvia o coração silente;
E minha alma canta toda a beleza
Do amor que chega, poderoso e ardente!

Rodolfo Barcellos
Niterói, fevereiro de 2012
(Para a declamação da Denise)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Pour Denise

     Por volta de 1810 Beethoven compôs uma "Bagatela" e ofereceu-a à sobrinha de seu médico, acompanhada de uma proposta de casamento. A proposta foi recusada, mas o presente foi aceito. Mais tarde, a moça casou-se, mudou-se e o mimo perdeu-se.
     Muitos anos depois, quando a partitura original foi descoberta, a péssima caligrafia do autor fez com que o editor visse um nome totalmente diferente, e "Pour Therése" virou "Pour Elise". É uma peça de extrema delicadeza, uma das mais conhecidas do compositor, rivalizando em popularidade com sua famosa quinta sinfonia. E quando me veio à ideia versejá-la, a paronímia rimada impôs-se, somou-se ao grande afeto que nutro por ela - e "Pour Elise" sofreu uma segunda transformação, virando "Pour Denise".
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Sei que um dia vou te conhecer
Pra te amar
Pra te querer

Sei que um dia vou te encontrar
Pra te abraçar
Pra te beijar

Sei que um dia vou te conhecer
Pra te amar
Pra te querer

Sei que um dia vou te encontrar
Pra te abraçar
Pra te beijar

E teu sorriso brilhará iluminando a solidão


Sei que um dia vou te conhecer
Pra te amar
Pra te querer

Sei que um dia vou te encontrar
Pra te abraçar
Pra te beijar

E teu sorriso brilhará iluminando a solidão

Sei que um dia vou te encantar
Pra te cantar
Esta canção

Sei que um dia vou te encantar
Pra te cantar
Esta canção 

Eu te amarei
Para sempre
No espaço infinito do mundo
E te adorarei
Sem cessar
Sem perder um segundo

Uma noite vou te conhecer
Pra te amar
Pra te querer

Uma noite vou te encontrar
Pra te abraçar
Pra te beijar

E teu sorriso brilhará iluminando a solidão

Sei que um dia vou te encantar
Quando cantar
Esta canção

Sei que um dia vou te encantar
Quando cantar
Esta canção


Niterói, janeiro de 2012
Rodolfo Barcellos

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Para Denise


Scorpio - Josephine Wall - Direitos Reservados
A Graça me ensinou a fazer Hai-kais. E usou como kigo (tema) "Leão na floresta". Acho que ela adivinhou que eu iria precisar, eventualmente, de um "Escorpião no Sol" para homenagear nossa querida Denise, que aniversaria hoje. Sim, é festa no "Tecendo Idéias"...
Nota: a haiga (ilustração) é de Josephine Wall.

Um Hai-kai para Denise

Escorpião no Sol:
Nasce o fio candente
 A tecer idéias.

Fonte: thaisehelena.blogspot.com
E a Lu Cavichioli me ensinou a compor Indrisos. Com uma mestra tão poética e competente, seria vergonhoso se eu não produzisse alguma coisa que prestasse. Então, lembrei-me dos versinhos que fiz no nosso primeiro contato (O Silêncio de Denise). E taí um Indriso pra você:

Um Indriso para Denise

As irmãs de Antares
Tecem tramas em suas pequenas mãos
Donde nasce um lindo manto;

Pressenti, no silêncio ao meu redor
O forte sentimento da paixão
Entre serenas azaléias;

E eu fiz-te então versos quentes,

Perdido nos eflúvios do amor.

"As nativas de Escorpião têm uma beleza luminosa e sedutora"

Pois misturando a Graça e a Lu - quer dizer, o Hai-kai e o Indriso - e mexendo bem, com o acréscimo de alguns ingredientes, saiu-me um soneto aproveitável. Esse também é pra você, Denise.

Um Soneto para Denise

Tu tecias com o fio das idéias
Lindo manto de silêncio acolhedor,
Quando eu, perdido  entre as azaléias,
Pressenti tua presença ao meu redor.

Fiz-te então um sonetinho inspirado
Na quietude repousante do momento,
Sem cuidar que deste gesto delicado
Nasceria este tão forte sentimento.

Hoje Antares e as irmãs dormem serenas,
Mergulhadas nos eflúvios do Sol quente,
Donde haurem a força de Escorpião;

E em silêncio voltam tuas mãos pequenas
A fiar versos do mesmo amor candente,
A tecer a mesma trama da paixão.

Rodolfo Barcellos

Aproveite bem sua festa, menina... e de mim receba hoje um abraço especialmente carinhoso e um beijo bem ali, embaixo da orelha...
PARABÉNS!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Céu e Silêncio



O céu de Ma

Roubei a imagem de teu lindo céu;
E agora no tempo e no espaço voarei,
Vagando entre os astros, liberto, ao léu,
E em versos singelos a ti cantarei.

Músicas, cerâmica, poemas, pintura...
Luzes que destilam das mãos da artista,
Arte! Arte soberba, tão bela e tão pura!
Que hoje nos traz a linda ceramista!

Dançarei com nebulosas e cometas,
A música das esferas ouvirei;
Teu universo aprisionou-me a alma.

Mas eu, zeloso com os demais poetas,
Uma estrela, ciumento, escolherei
E entre milhares alcançarei a palma. 

     Fiquei tão fascinado por esta peça que postei lá, em comentário, alguns versos que me saíram naturalmente. 
Agora, com o sonetinho pronto, rendo as devidas homenagens a essa grande artista. Ma, você é inspirada e inspiradora. Sinto-me valsando no teu céu! Beijo.


O silêncio de Denise.

Há silêncios que condenam.
Há silêncios que constroem.
Há aqueles que acrescentam.
Há também os que nos doem.

Há alguns que são covardes;
Há-os heróicos também.
Há os que geram verdades,
Há os que lembram alguém.

Teus silêncios me fascinam
Com segredos murmurados,
Que rugem dentro de mim; 

Teus silêncios me dominam
Os sentidos condenados
A amar-te sem ter fim.

     Bem, quando fui buscar no Tecendo Idéias o link da postagem, a Denise já tinha "silenciosamente" colocado em lugar de destaque as duas primeiras quadras desse sonetinho - únicas até então -, o que me deixou deveras honrado. E quero repetir aqui: Sejam produtivos teus silêncios, moça... Beijos.