Lembro-me dela exatamente como uma poesia. Ou uma borboleta. Ou uma mulher. Ou uma amiga. Ou seja, lembro-me dela exatamente como ela é.
| Íris da Praia |
FANTASIA
A lagarta, num momento de silêncio,
Descobriu-se borboleta.
Desdobrou maravilhada suas asas,
Secou-as ao sol quente da inspiração
E voou pelos jardins da poesia.
Estrofes por canteiros, versos por flores,
Rimas por néctar, métrica por pólen,
Inebriantes metáforas os odores,
Trovas, sonetos, indrisos, haikais,
Rosas, violetas, orquídeas, jasmins...
Pequenas flores silvestres, sem nome,
Versos soltos, estranhos perfumes.
Por vento os sentimentos mais profundos
Às vezes brisa leve, às vezes furacão,
Amor, desejo, ternura, paixão...
Por chuva as palavras indiscretas
Dizendo coisas secretas
Ou qualquer coisinha à-toa,
Buscando dar voz à mágoa,
Granizo, chuvisco, garoa,
Sereno, orvalho, pé d'água...
Por adubo os sonhos mortos
Ou amores já passados
E tantos caminhos tortos,
Projetos mal enterrados,
Tornando o solo fecundo,
Trazendo vida da morte
Conforme é a lei do mundo
E o livre arbítrio da sorte.
E enquanto houver luz do dia,
Voa! Voa, borboleta!
Voa, porque és poesia
Que só estará completa
Quando achares um poeta,
Seja ele crente ou ateu,
Mas que te ame, borboleta,
Que te ame... assim como eu.
* * * * *
POBRE CANTO MEU
Quisera eu cantar-te, minha amada,
Com a grandiloquência que merece
O fundo sentimento que me cresce
E jorra de minh'alma arrebatada.
Mas minha voz se cala e emudece
Só no pensar em teu vulto de fada,
Pois és a Poesia adorada
Que em rimas de amor em mim floresce.
Ah! como é pobre a lira deste errante
No extrair d'alma a tradução vibrante
Deste sentir que aumenta a cada dia!
Ó Musas! Dai-me o verbo altissonante!
Fazei do humilde verso um gigante
No qual eu cante a própria Poesia!
* * * * *
BARGANHA
Dou-te um milhão pelos teus pensamentos
E cedo por dez réis de mel coado
Este versejamento mal cuidado
Só por ficar contigo alguns momentos.
Por um olhar maroto e dourado
Dou-te cem beijos... não, dou-te duzentos;
E teus suspiros, que se vão aos ventos
Eu arremato num só lance ousado.
Dou-te mil versos por um só sorriso
Daqueles que te brotam sem aviso
Dos lábios orvalhados de luar;
E por um beijo teu eu ofereço
Aquilo a que ninguém pode por preço:
O mar do meu amor, o mor do meu amar.
Feliz aniversário, Denise!
Niterói, outubro de 2012
Niterói, outubro de 2012
Rodolfo Barcellos
PS: O dia da festa é 28 (mais um dia da Poesia); mas resolvi antecipar esta postagem para ter a chance de entregar-lhe o presente pessoalmente.
PS: O dia da festa é 28 (mais um dia da Poesia); mas resolvi antecipar esta postagem para ter a chance de entregar-lhe o presente pessoalmente.


