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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Pés de Sonho - Milene Lima

Faz tempo que Rodolfo e eu decidimos ajudar a Milene a realizar seu sonho: publicar o livro com um apanhado de suas belas crônicas. Deu trabalho convencer esta moça de seu talento literário, mas vocês hão de concordar comigo que, se Rodolfo fez a primeira leitura e sugeriu alguns ajustes e correções para valorizar ainda mais seus textos, não precisamos de muitos avais extras que atestem o grau elevado desses conteúdos, não é mesmo? Ocorre que a Editora Instituto Memória ao receber seus escritos também entendeu que eles são frutos de talento inegável, nascidos para serem compartilhados com quem aprecie qualidade e sensibilidade ímpar da escritora.
Decididos, a incentivamos a dar início ao seu projeto olhando para ele como alguém que está gestando sonhos, e ela afinal rendeu-se ao apelo de seu desejo secreto, um tanto encabulado de transformar-se numa viagem nas mãos de tantas pessoas, florescendo seus sentimentos na medida que embarquem nas suas palavras e descubram um mundo um tantinho diferente do cotidiano nosso de cada dia. 

E é por esta razão que estou aqui, com a autorização da Beatriz, filha de Rodolfo, para, em meu nome e em nome dele, numa espécie de convocação aos amigos queridos, convidá-los a reunirem-se a nós ajudando a divulgar e adquirir o seu exemplar, numa ação entre amigos oferecendo o combustível para a largada desse projeto, que pede pra nascer! 
Milene conta conosco para que seu PÉS DE SONHO se torne realidade, tendo até dia 30 de julho agora para vender os cem primeiros livros.
Aqui o link pra te ajudar a encontrar rapidinho a loja virtual: 






Ao receber seu livro, você lerá o Prefácio de Pés de Sonho, que foi carinhosamente escrito por nosso Poeta tão querido:

Apaixonei-me pelos textos da Milene à primeira leitura. Alma de cronista que sabe dosar todos os ingredientes clássicos dessa difícil receita – a ironia cozinhada ao ponto de leve sarcasmo, o humor na medida certa de acidez, o oportunismo cuidadosamente dosado na escolha do foco, a frase mordaz sem chegar à vulgaridade... e com adição de uma especiaria não muito comum em outros cronistas: uma generosa pitada de feminilidade, de sentimentalismo, de empatia com os protagonistas de seu teatro de cordel... sim, apaixonei-me. E, para o mal dos meus ciúmes, sei que o leitor também se apaixonará. Ela fala de confidências amorosas com palavras poéticas, para logo depois alinhavar frases ferinas contra os desmandos dos poderosos. Ora canta um romance numa praia deserta, ora relembra um episódio em que ela mesma foi a estrela – ou vilã. Agora é uma trombetada contra a corrupção na política, logo depois é um cântico de louvor à amizade e ao amor. E ao chegarmos na última página, quando encontrarmos a palavra FIM, ficará em nós uma tal sensação de “quero mais” que volta e meia nos surpreenderemos relendo – pela enésima vez – aqueles episódios que mais nos encantaram.

Rodolfo Barcellos


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Prêmio Sarau Brasil



     A amiga Graça Lacerda convenceu-me a participar do Concurso Nacional Novos Poetas - 2012 (Prêmio Sarau Brasil), e tanto eu como ela obtivemos classificação. Nossos poemas foram publicados nesta bela antologia da Vivara Editora, com mais de duas centenas de outros, selecionados entre milhares de participantes. O meu poema "Inverno", 9° colocado, está na página 25; e o belo poema da Graça, "Sextilhas de uma Vida", na página 124. "Inverno" foi publicado no "Sete Ramos" em junho de 2011 - para lê-lo clique AQUI.

     À amiga Graça, obrigado pelo incentivo e parabéns pelo prêmio alcançado.

Niterói, agosto de 2012
Rodolfo Barcellos

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dans L'Air


     No Ar - Dans L'Air  - 210 páginas 
     Alberto Santos=Dumont - 1904
     TALLER - edição de luxo, 2009
     Tradução: Luc Robert Jean Matheron
     Santos=Dumont assinava-se assim - com um sinal de igualdade entre o Santos e o Dumont, para destacar o igual valor que dava à sua ascendência francesa e à brasileira. Escreveu essa obra no auge de sua fama como inventor, projetista e piloto de dirigíveis, mas antes de se lançar à aventura do mais pesado que o ar.
     Uma coisa é ler sobre o inventor em biografias e livros de história, que exaltam suas conquistas; outra é acompanhá-lo "pessoalmente" em suas dúvidas, erros e tentativas frustradas, em suas emoções ao voar em balões ou dirigíveis, nos medos, nos acidentes e no júbilo dos pequenos e grandes triunfos.
     Poucos sabem, por exemplo (eu não sabia), que ele havia elaborado um "check-list" - uma lista de verificação - como um "pré-voo" para seus dirigíveis. Está na página 170:
     - O balão está completamente cheio?
     - Há alguma possibilidade de vazamento do gás?
     - O aparelho encontra-se em bom estado?
     - O motor funciona de forma conveniente?
     - As cordas de comando do leme, do motor,  do lastro líquido, dos pesos deslocáveis funcionam livremente?
     - O lastro foi pesado com exatidão?
     O uso de "check-lists" desse tipo é hoje obrigatório para qualquer avião, em cada fase do voo - desde o embarque da tripulação até o desembarque no destino.
     Uma segunda obra - "O que eu vi - o que nós veremos" (68 páginas) - complementa essa edição de luxo. Escrita muitos anos depois, em  1918, cobre suas experiências e sucessos com o 14-Bis e o Demoiselle, suas impressões sobre a disputa com os irmãos Wright sobre a prioridade e legitimidade da invenção do avião e suas expectativas para o futuro da aviação.
     As duas obras são profusamente ilustradas com fotos da época e desenhos de Santos=Dumont. Prato cheio para quem gosta...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Para o Santo


     Após ter cumprido uma pena de dez dias no purgatório da ausência de sinal (mas que será que eu fiz de errado?), eis-me de volta ao paraíso que é o convívio com meus amigos do Blog. Ainda vou demorar um tempo para me por em dia, mas a gente chega lá. Enquanto isso, quero contar uma historinha - um causo.
* * * * *
     Os "anos dourados" estavam se despedindo, mas ninguém percebia isso. O "twist", o bambolê e o "hully-gully" disputavam popularidade com os Rolling Stones e The Mamas & The Papas, Tijuana Brass, Rita Pavone, a Jovem Guarda de Roberto, Wanderléia e Erasmo e, é claro, os Beatles.
     Uma turma alegre de amigos reunia-se habitualmente num armazém de secos e molhados,  numa esquina do Campo do Galvão, em Guaratinguetá, para bebericar uma pinga de primeira, contar "causos" e jogar porrinha - ou palitinho, como preferem alguns. Recém-admitido no restrito grupo de marmanjos, o jovem sargento Barcellos enfrentava seus primeiros desafios para conquistar seu lugar na turma. E por obra da sorte ou da conivência dos demais, havia chegado à final do jogo de porrinha, e enfrentava agora o outro finalista - um senhor magro e grisalho, famoso jogador dos palitinhos. Competia a este dar o primeiro lance.
     - Seis! - "cantou" o meu adversário, com voz confiante.
E agora? Meu punho fechado estava vazio, e a pedida lógica seria "três". Mas desconfiei daquela facilidade aparente. O fulano, sabendo que seria o primeiro a apostar, jamais iria pedir "seis" sem segundas intenções - seria o mesmo que declarar "eu tenho três palitinhos na mão"... não, ele queria forçar meu erro, mesmo ao preço de errar também... é, ele queria é minar minha confiança para uma disputa-desempate subsequente.
     Resolvi arriscar tudo.
     - Lona!
     Um murmúrio cresceu ao redor. Mostrei minha mão vazia, e após uma leve hesitação, ele abriu a sua. Também estava vazia.
     Após os cumprimentos e felicitações, o perdedor mandou abrir uma garrafa da pura. 
     Servidas as dez ou quinze doses dos participantes, os copos foram erguidos em minha direção. Percebendo minha hesitação meu pai fez-me um sinal discreto, apontando para o chão do boteco.
     Entendi. Derramei no chão metade do conteúdo do meu copo, exclamando:
     - Para o Santo!
     Os demais responderam "Saúde", ou "Ao Santo", e num só gole esvaziamos nossos copos.
* * * * *
     Sacrificar os primeiros frutos em holocausto a uma entidade superior é prática milenar em quase todas as culturas. Embora pareça estranho à mente moderna e pragmática, este aparente "desperdício" tem suas funções sociais - independentemente de crenças ou descrenças religiosas. A principal, creio, é psicológica: habitua-nos a ser gratos pelo que nos dá a natureza e ensina-nos a aceitar com serenidade o sentimento de perda.
     Podemos ler no Êxodo: “As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à Casa do Senhor, teu Deus; não cozerás o cabrito no leite de sua mãe”. – Êxodo 34:26
     E nos Provérbios: “Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares”. – Provérbios 3:9,10 
     Li, não me lembro onde, que após os sacrifícios a carne era distribuída entre os pobres. Mais uma função social...
* * * * *
     Entre os amigos que receberam ou receberão um exemplar autografado da primeira edição de "O Outro Nome da Rosa" haverá os que se julgam na obrigação de remunerar o autor. A esses, peço que escolham uma obra social próxima de cada um e efetuem, em meu nome, uma doação de R$ 30,00 - ou equivalente. Ficam valendo como primícias. As próximas edições - havendo-as - serão comercializadas normalmente. Eu agradeço.
     E quem ainda quiser encomendar o seu, restam poucas primícias. Por favor, enviem os dados necessários para rblivro@hotmail.com - incluindo endereço postal completo, com CEP - e aguardem o retorno. Obrigado.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Meu Livro


Saiu meu primeiro livro!


O Outro Nome da Rosa, publicado pela CBJE editora, traz, além do conto que dá nome ao livro, uma coletânea de meus poemas.
O conto começa como um pesadelo, que se transforma em um sonho, depois numa busca e finalmente no começo de uma vida nova e excitante. Os personagens - um homem e uma mulher - não revelam seus nomes, até que um terceiro e inesperado personagem entra em cena.


São oito episódios, divididos em quatro capítulos. Eis uma pequena amostra, uma degustação, do que aguarda o leitor que me der a honra de lê-lo:


Março: Equinócio de Outono

A tempestade

Chovia forte e ventava. O crepúsculo caía e a escuridão já avançava sob as copas das árvores, escondendo as trilhas da mata. As violentas rajadas de um sudoeste extemporâneo, prenúncio do outono iminente, carregavam folhas e ramos, redemoinhando entre os meandros da floresta da Tijuca. Apavorada e perdida, ela corria sem rumo certo, tropeçando nas raízes, escorregando nas pedras e mergulhando os pés nas poças lamacentas.
Há quanto tempo corria assim, ansiosa e desesperada, ela já não sabia. Perdera-se durante a tarde, explorando sozinha uma trilha traiçoeiramente fácil, nos descaminhos da floresta. Com a chegada da noite aumentavam o frio, o vento e a chuva. Sem esperança e sem forças, ofegante e febril, um único pensamento a dominava: encontrar um abrigo naquela mata que se transformara, em poucos minutos, de uma paisagem aprazível em um inimigo mortal.
Onde estavam os outros? Por que não ficara com eles? Como num pesadelo, voltava-lhe à lembrança a recomendação do guia de não se afastarem sozinhos do acampamento. Seu espírito aventureiro desdenhara a recomendação, mas nada mais restava dele – apenas uma vontade louca de se atirar no primeiro buraco onde pudesse se refugiar do medo que a dominava.
Uma luz ofuscante explodiu à sua direita, seguida imediatamente de um estampido, como o de um tiro, que se transformou num rugido poderoso. Cega pelo raio, surda pelo trovão, ela tropeçou e caiu sobre uma moita espessa. Alguns espinhos feriram seus braços, estendidos instintivamente em proteção. Gemendo, abandonou-se ao seu destino e rolou sem forças para o lado.
Já era noite cerrada quando ela despertou do desmaio. A chuva continuava. O vento agora era uma simples brisa, mas trazia um frio como ela nunca sentira antes. Sentia cãibras nas pernas, dores nos braços feridos e suas têmporas latejavam dolorosamente a cada batida do coração. Soergueu-se a custo e vislumbrou à distância o reflexo frágil de uma luz amarelada, que se coava entre a ramagem da vegetação. Reunindo suas derradeiras forças, tonta e trôpega, rastejou ao encontro de sua última esperança de salvação.

Ego In Verso é um ramalhete de poesias diversas, juntadas sem preocupações de estilo ou assunto, na mesma ordem em que foram escritas, e com um breve relato das circunstâncias que me levaram a compô-las. As datas são as da publicação de cada uma neste "blog", mas sua composição abrange um período que vem desde os anos sessenta até os dias atuais. Escolhi duas para este antepasto.

domingo, 7 de novembro de 2010

Comédia

O teatro grego legou-nos os símbolos da Tragédia e da Comédia, sob a forma de máscaras - uma sorridente e a outra tristonha. Mas o sentido exato da palavra comédia modificou-se sutilmente nos últimos séculos.
No século XIV, a palavra ainda conservava seu significado original - uma narrativa com final feliz, ao contrário da tragédia. E a Divina Comédia (c. 1310) retrata fielmente esta conotação. Ela conta como Dante - o próprio autor - após "perder-se", foi guiado por Virgílio pelos caminhos infernais e depois entregue às mãos de sua amada Beatriz - uma guia capaz de conduzi-lo ao próprio Céu.
Se você não tem paciência para ler o extenso poema original, eu espero que goste do humilde soneto no qual procurei resumir a narrativa épica do grande vate.

COMÉDIA ANTIGA

Perdi-me de mim mesmo, certo dia,
E fui achar-me numa selva escura.
Tu te doeste desta alma sombria
E me guiaste nesta senda dura.

Por tua mão, pela Geena fria,
Os nove ciclos esta alma impura
Passou temente, sem ver luz do dia;
E agora falo à guia mais segura:

Ao próprio purgatório me levaste
E guiaste meus passos uma vez mais,
Por que não fosse eu jogado às feras;

Enfim, tu me elevaste às esferas
Onde anjos cantam coros celestiais,
Celebrando o amor que me entregaste.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Eternidade

Num período particularmente difícil da minha vida, tive a felicidade de receber o apoio de inúmeros amigos. A Regina, do "blog" Toforatodentro, sabendo do meu gosto por poesias, mandou-me um soneto de Mário Quintana. E eu, para distrair-me na minha tristeza, resolvi compor uma glosa - coisa que nunca havia feito antes...

GLOSA A UM SONETO DE MÁRIO QUINTANA

Não quero constar de Martirológios,
E se a hora chegar das despedidas,
Amigos, não consultem os relógios

Pois horas eu vivi tão bem vividas
Que as cantarei em salmos eloquentes
Quando um dia eu me for de vossas vidas

Em frações de minutos repartidas
Essas horas não foram, por contentes,
Em seus fúteis problemas tão perdidas

E se querem fazer-me apológios
Não mos façam como os da negra sorte
Que até parecem mais uns necrológios...

Sejam mais como beijos de consorte
E não como areia de ampulheta
Porque o tempo é uma invenção da morte

A natureza, à sua maneira
Do tempo desconhece esta faceta;
Não o conhece a vida - a verdadeira -

Para tornar tristeza em alegria
Eventos há - a alma é parceira -
Em que basta um momento de poesia

Não queiras tu tapar Sol com peneira
Pois basta de um segundo uma fatia
Para nos dar a eternidade inteira.

Inteira como o é uma caverna
Onde há túneis infindos sem saída;
Inteira, sim, porque essa vida eterna

Em divisões nunca será partida;
Toda fração é una e sempiterna,
Somente por si mesma é dividida

Assim inteira é da glória a ação:
Na derrota ou vitória aos soldados
Não cabe, a cada qual, uma porção.

Heróis e mártires serão amados
Eternamente, sem qualquer senão;
E os Anjos entreolham-se espantados

Buscando tontos resposta pedida,
E ficam sempre em grande confusão
Quando alguém - ao voltar a si da vida -

Do Paraíso a alma ao portão,
Do fútil que é o tempo esquecida
Acaso lhes indaga que horas são...

Em breve transferirei o conteúdo desta postagem para uma nova página do "Sete Ramos", incluindo instruções para encomendas. Pretendo também fazer o lançamento do livro (ainda estou indeciso entre a Ilha do Governador ou Niterói); isso se a primeira edição não se esgotar antes do lançamento...

sábado, 16 de julho de 2011

Pretextos


     Mogúncia, 1450. As Guildas Municipais reuniram-se com representantes da nobreza, do clero e do comércio local, para discutir a nova e revolucionária invenção do Sr. Gutemberg: a Imprensa.
     O burgomestre abriu a sessão, e convidou o inventor a mostrar um exemplar da Bíblia, produzido pelo novo método. Gutemberg, apresentando  um grande volume, argumentou que o processo permitiria a publicação de cópias perfeitas, em grande número e a baixo custo.
     Os edis trocaram idéias, buscando determinar como aquele método inovador de fabricação em série de livros iria influenciar a rotina sossegada da província.
     De imediato, a Associação de Escribas e Copistas apresentou argumentos contrários à adoção da novidade, mostrando projeções estatísticas que apontavam o grave risco de desemprego massivo da classe se a invenção vingasse. Recebeu prontamente o apoio da Corporação dos Ilustradores e Iluminadores.
     Discursou em seguida o Núncio, representante da Igreja, condenando "aquela invenção demoníaca" que, sob as vestes do Livro Sagrado, "subvertia os valores intrínsecos" que o fervor e a  humildade dos monges copistas transmitiam a seus escritos, "com a bênção do Senhor".
     Os representantes da nobreza, em dúvida, requisitaram assessoria especializada. Queriam determinar o impacto da novidade na arrecadação de tributos e taxas. A "Incubadora de Empresas" da Universidade de Mainz, pela voz do seu Reitor, deu parecer contrário ao projeto, pois a alegada onda de desemprego teria efeitos negativos na tributação. Mais contundente ainda foi o laudo do SEBRAE: o projeto não atingia os níveis mínimos de auto-sustentabilidade, pois em uma população com índice de 95% de analfabetismo, não haveria procura suficiente para viabilizar o consumo mínimo necessário - a margem de lucro seria negativa.
     Finalmente, o IBAMA enterrou de vez as esperanças de Gutemberg: a análise do Relatório de Impacto Ambiental evidenciava alto grau de risco para as florestas da região, pela exploração da madeira necessária à fabricação de papel...
     Por sorte, esta é uma historinha de ficção. Mas às vezes tenho receio de que a realidade atual esteja ficando muito parecida com ela.

sábado, 4 de junho de 2011

Glória



     Ontem, tive o prazer imenso de conhecer de abraço abraçado, de beijo beijado, de olho no olho, de papo falado, a Glorinha - que já me conquistara nos amplexos, ósculos, vislumbres e colóquios internéticos. E ela vendeu a mim, por trinta dinheiros, um pedacinho de sua alma.
     Nunca fiz melhor negócio... e nem precisei barganhar! E, tendo folheado o "Na esquina da vida" e lido sofregamente os primeiros capítulos (o velho Morfeu fez valer ontem seus direitos), aconteceu o inevitável: os versos vieram dançar nos meus sonhos... e só há um jeito de acalmá-los (não é, Glorinha?): escrevê-los.


No auto-retrato de uma alma nua
Na esquina da vida, sorrindo pra mim,
Vinte e oito mulheres desfilam na rua.
Haverá outras mais? Por certo que sim.

Poetisa da vida, pastora de sonhos,
Já nunca o espelho irá te mentir;
Jamais os enganos te serão tamanhos
Venham do passado ou mostrem o porvir.

Glória! Glória à mulher que se completa
E vaza em letras o estro feminil,
Resplandecendo viva em tua vitória;

Recebe agora o preito do poeta:
Quisera já que esses versos fossem mil,
Em cantos meus a ti, Glória! Glória! Glória!

     Para conhecer melhor a Glorinha (e seu livro) acesse o link Café com Bolo e Glorinha.
     PS: Rê e Si, vocês são agora proprietárias de pedacinhos da alma da Glorinha, que estão sob minha custódia, devidamente autografados. Serão entregues / remetidos o mais breve possível. Abraços.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Livro: O Jardim de Ossos

 O Jardim de Ossos (The Bone Garden) - Mistério e Suspense
Tess Gerritsen, 2007 - Trad. Alexandre Raposo
Editora Record - 1a. Edição, 2009 - 450 páginas

   Após um divórcio traumático, Julia está tentando reorganizar sua vida. Compra uma velha mansão nas cercanias de Boston e procura distrair-se preparando o terreno para um jardim, mas ao revolver a terra encontra um crânio humano.


   Ambientado no extremo nordeste dos Estados Unidos (Nova Inglaterra), num apertado espaço dividido entre Massachusetts e Maine, o enredo se desdobra em dois planos temporais, separados por dois séculos, quando Julia trava conhecimento com um obstinado escavador do passado, que guarda velhas cartas de família e recortes de jornais antigos.

    E os dois vão reconstituindo laboriosamente uma história épica e macabra, que envolve roubos de cadáveres destinados a sessões de dissecção, mortes de parturientes por infecção hospitalar e um assustador assassino que estripa vítima após vítima, enquanto uma jovem tenta proteger a filha da irmã morta contra misteriosos perseguidores cujas identidades e motivos são desconhecidos.
   Suspense e mistério de categoria, relembrando um pouco o estilo de Agatha Christie, é leitura estimulante para os apreciadores do gênero... desde que estejam dispostos a enfrentar a atmosfera mórbida, crua e realística que a autora - que trocou a medicina pela literatura - constrói magistralmente.

sábado, 21 de agosto de 2010

Um livro que pensa


- Recebi pelo correio um exemplar de A Fonte e as Galinhas, com dedicatória e autógrafo de um tal Jair, que nunca vi mais gordo - nem mais magro. A julgar pelo perfil estampado no seu blog pensador e pela foto na orelha direita do livro, além de minha lembrança, ele é um daqueles raros seres privilegiados que não engordam nem emagrecem.
- Eu ganho uns quilos às vezes, e às vezes perco alguns. E acho que vou engordar um pouco nos próximos dias - não dá pra ler fazendo exercícios físicos.
- Pois o livro do Jair não é daqueles que se podem ler de afogadilho. Cada frase demanda uma reflexão, cada parágrafo deve ser pensado e repensado, cada capítulo propõe uma crítica de valores éticos.
- Não que a leitura seja pesada ou cansativa. Pelo contrário, é estimulante; e o leitor volta e meia se surpreenderá marcando a página com o indicador da mão direita, enquanto leva a esquerda à face e franze a testa, absorvendo novas idéias, nascidas das palavras mágicas que brotam de uma mente inspirada.
- Sei disso por ter tido a sorte de ser intimado pelo meu amigo a prefaciar A Fonte e as Galinhas; já havia lido, portanto, o rascunho da obra. Mas é muito diferente a sensação de ter um volume de peso nas mãos e desfrutá-lo nas noites frias de inverno, sob o aconchego das cobertas. Sem contar a bela dedicatória e o fato de ser o protagonista de um dos episódios...
- E assim como parabenizei o Sergio pelo seu primer libro, quero também congratular-me com o Jair. Que venham outros!