sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bodas de Pérola

- No início de agosto, publiquei uma matéria sobre as superstições e crendices associadas à sexta-feira 13. Entre os comentários recebidos, o de uma assídua leitora e amiga deixou escapar que estaria comemorando suas bodas em 13 de setembro. E em homenagem ao evento, resolvi enfeitar com alguns versos a bela imagem (duplicada e editada) de uma nau, por ela bordada (ela deixa escapar muita coisa bonita em seu blog). E com a sua permissão, quero homenegear com ela todos os casais que estão completando ou já completaram trinta anos de descobertas.




Trinta anos navegando
Lado a lado, efrentando
Tempestades, furacões,
Invernos gélidos, rudes, 
E causticantes verões,

Vencendo contrários ventos,
Varando estreitos passos,
Arrecifes bordejando,
Arribando a calmos portos,
Ignotos cabos dobrando...

Se rajada traiçoeira
Insiste em os separar,
Os timoneiros, serenos,
Já rizam pano redondo
Para não se desviar.

Na noite tranquila e bela,
Somente uma estrela os guia;
Límpida, rútil, brilhante,
Nascida de alma radiante
E de um peito que confia.

Leme, timão, malaguetas,
Astrolábio e barquilha,
Bitácula, mapa e compasso,
Rumo certo, passo a passo,
Vogando de ilha a ilha.

Parabéns aos navegantes
Que as Pérolas já acharam.
Que empós venham Corais,
Esmeraldas, Rubis, Ouros
E tantos, tantos tesouros...

Virão, sim, os Diamantes,
Platinas e muito mais;
Pois Deus abençoa os barcos
Tripulados por amantes,
Navegados por casais.

Parabéns, Amélia... parabéns aos dois!
E parabéns a todos os casais que já alcançaram ou estão alcançando a Ilha das Pérolas!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Elo Perdido

- A Ciência ainda não achou o elo entre o Homo Sapiens e o Homo Politicus. Há quem defenda a tese de que este elo é o H. Candidatus, mas parece que este é apenas o estágio larval do H. Politicus.
- O Homo Politicus tem como sub-espécie mais abundante o H. Politicus Pragmaticus. Existem
também o H. Politicus Honestus e o H. Politicus Idealistae, mas ambas as variedades estão
seriamente ameaçadas de extinção.
- O fato é que o H. Politicus Pragmaticus apresenta fortes indícios de hibridismo, o que evidencia ascendência múltipla: é um mamífero lactente perene, sempre mamando nas tetas da nação; é peçonhento, destilando continuamente o veneno da intriga; é predador e rapineiro por excelência, sobretudo na disputa pelo alimento de outros. É também gregário, vivendo em bandos, denominados “partidos políticos”, onde ocorre intensa luta pela liderança. Os derrotados mudam de bando de acordo com seus interesses de poder.
- Todos alimentam-se do sangue do hospedeiro, mas
as variedades Honestus e Idealistae produzem em troca elementos favoráveis ao crescimento deste; podem, portanto, ser considerados simbiontes úteis.
- Já o H. P. Pragmaticus é indiscutivelmente um parasita do corpo vivo que o hospeda, alternando fases de sanguessuga com etapas de mimetismo e enquistação, quando se sente ameaçado. Chama-se a essas etapas, tecnicamente, "Renunciar ao cargo".
- Sua face é constituída de material vegetal lenhoso de extrema dureza (“cara-de-pau”).
- A infestação por H. P. Pragmaticus é muito comum e de difícil erradicação. Seus sintomas são fome, desemprego, analfabetismo, corrupção etc. A infestação evolui facilmente para uma situação de epidemia. A única medida profilática de alguma eficácia é a vacina de nome "Voto".
- Há fortes indícios de que, no Brasil, estamos às vésperas de uma pandemia particularmente virulenta. Portanto, não se esqueça de se vacinar!

- E, se possível, evite votar em um Homo Politicus Pragmaticus...

Nota: Este texto é uma adaptação resumida do que se lê em
http://www.algbr.hpg.com.br/homo_politicus.htm

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

7 de Setembro

Bandeira do Primeiro Império. Inspiração maçônica?
 - A influência da maçonaria na Independência do Brasil não é muito clara, mas é indiscutível.
- Em 17 de julho de 1822, Gonçalves Ledo organizou as lojas do Grande Oriente no Brasil e ofereceu o cargo de grão-mestre a José Bonifácio, principal conselheiro de D. Pedro. Dois dias depois, o príncipe escrevia a seu pai:
- “O Brasil, senhor, ama a Vossa Majestade, reconhecendo-o... como seu rei; mas quanto às Cortes... hoje não só as abomina e detesta, mas não lhes obedece, nem lhes obedecerá mais, nem eu consentiria em tal...”
- Em 1º de agosto, Dom Pedro assinou um “Manifesto aos Brasileiros” e um decreto tomando providências para a defesa militar e a vigilância dos portos brasileiros.
- Na visão dos adeptos da maçonaria, esse "Manifesto", como proclamação da independência, é muito mais claro e poderoso que o Grito do Ipiranga, e tem um valor legal e oficial que o evento do riacho não possui.  Sobre a autoria, o Barão do Rio Branco escreveu:
- “Foi Ledo [...] quem redigiu o manifesto de 1º de agosto de 1822, dirigido por Dom Pedro aos brasileiros.”
- No “Manifesto de Sua Alteza Real aos Povos deste Reino”, o príncipe regente proclama:
- "... eu agora já vejo reunido todo o Brasil em torno de mim, pedindo-me a defesa dos seus direitos e a manutenção da sua Liberdade e Independência. [...] Está dado o grande passo da vossa independência [...]. Já sois um povo soberano; já entrastes na grande sociedade das nações independentes, a que tínheis todo o direito."
- E anuncia diplomaticamente a intenção de manter laços com Portugal, mas sem abdicar de uma autonomia completa:
- “Mandei convocar a Assembléia do Brasil, a fim de cimentar a Independência Política desse Reino, sem romper contudo os laços da Fraternidade Portuguesa; harmonizando-se com decoro e justiça todo o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e conservando-se debaixo do mesmo Chefe  duas Famílias, separadas por imensos mares, que só podem viver reunidas pelos laços da igualdade de direitos, e recíprocos interesses.”
- Cinco dias depois dessa declaração formal de independência, dirigida “Aos Povos do Reino do Brasil”, um outro manifesto declara formalmente a independência, agora perante a comunidade internacional. O prólogo do documento é firme:
- “Sucinta e Verdadeira Exposição dos Fatos que Levaram o Príncipe, Agora Imperador, e o Povo Brasileiro a Proclamar o Brasil Como uma Nação Livre e Independente”
- O Manifesto propriamente dito, dirigido “A Todos os Governos e às Nações Amigas”, proclama "a todo o Mundo a sua Independência Política;  e, como um Reino e uma Nação independente está resolvido a manter esse direito...”
- Dom Pedro prossegue:
- “... Eu, com o conselho dos Representantes populares, e na presença e sob a proteção de Deus Todo-Poderoso, Declaro e proclamo que o Brasil é uma Nação Livre e Independente, e que o Governo Estabelecido é em todos os atos um Governo Independente e Soberano. E a todas as nações amigas Eu declaro que os portos do Brasil estão livres e abertos ao Comércio...”
- O Grito do Ipiranga, em setembro, seria apenas uma ratificação da Declaração da Independência feita mais de um mês antes. Foi mais um anúncio, feito pelo príncipe perante sua própria  guarda pessoal e comitiva, de que o caminho escolhido seria trilhado até o fim.
- No dia seguinte ao Manifesto de Primeiro de Agosto,  Dom Pedro parece ter sido iniciado na maçonaria, mas não há consenso, entre os historiadores maçônicos,  sobre a data exata.

- O fato é que, três dias depois do Manifesto, ele foi elevado ao grau de mestre maçom. Em 7 de setembro, ocorreu o Grito do Ipiranga. Em 9 de setembro, em reunião no Grande Oriente do Brasil, Dom Pedro foi reconhecido pela maçonaria como Imperador.
- Os acontecimentos se precipitaram. Em 18 de setembro ele escreveu a Dom João VI anunciando que o Brasil não obedeceria mais às Cortes portuguesas. Em 12 de outubro foi aclamado publicamente como Imperador.
- Mas o acordo entre José Bonifácio e os maçons, que era frágil de ambos os lados, se desfez. A maçonaria havia exigido de Dom Pedro três papéis assinados em branco e o juramento prévio da futura Constituição, fosse qual fosse o seu texto. Dom Pedro, de formação absolutista, respondeu em 25 de outubro fechando o Grande Oriente do Brasil.
- A partir daí, os episódios tragicômicos se sucederam: Bonifácio processou os principais líderes maçônicos e ordenou a prisão de Gonçalves Ledo, mas ele escapou para a Argentina, onde foi recebido com honras pelos dirigentes da maçonaria local.
- Em 3 de maio de 1823, foi instalada a Assembléia Constituinte. Em 7 de julho, foi desfeita a condenação contra os líderes maçônicos e eles puderam voltar. José Bonifácio se afastou do governo em 17 de julho.
- Em 16 de novembro, Dom Pedro dissolveu a Assembléia Constituinte, e Bonifácio foi preso e desterrado para a França, onde ficaria por vários anos. Em fevereiro de 1824, Dom Pedro outorgou a primeira Constituição brasileira.
- Em 2 de julho, o maçom Pais de Andrade, presidente da Junta de Governo de Pernambuco, lançou a chamada “Confederação do Equador”, proclamando a República,  e pediu apoio dos Estados vizinhos. O movimento republicano foi vencido em novembro e seus líderes mortos.  Nenhum carrasco aceitou enforcar Frei Caneca, como queriam as autoridades, e ele teve de ser fuzilado.
- Dom Pedro I abdicou do trono em 7 de abril de 1831, e depois disso o Grande Oriente do Brasil foi reorganizado. Durante um breve tempo, houve então um acordo de paz entre José Bonifácio e Gonçalves Ledo.
- E para quem acha que a Independência foi um episódio protagonizado somente por barbas, bigodes, cavanhaques e suíças, não custa lembrar que Pedro recebeu de sua mulher uma carta que lhe chegou às mãos às margens do Ipiranga, junto com as missivas de Bonifácio. Nela, a futura Imperatriz Maria Leopoldina exortava o belicoso consorte: "O fruto está maduro! Pegue-o antes que apodreça!".
- E enquanto gritava "Independência ou Morte!", Pedro certamente dizia com seus botões: "Sim, querida..."

- Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_do_Brasil 
http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=412

sábado, 4 de setembro de 2010

Avestruz x Águia


- Setembro de 1944. A bordo do navio norte-americano USAT Colombie, o capitão Fortunato Câmara de Oliveira, comandante da Esquadrilha Azul, buscava inspiração para a sua primeira missão na guerra: a criação de um emblema para o 1º Grupo de Caça. A missão era urgente: breve aportariam na Itália, e todas as outras unidades aliadas já tinham seus símbolos.
- Mas as idéias lhe fugiam. A saudade da comida brasileira inibia-lhe a criatividade. Se ao menos a bóia de bordo não fosse tão intragável...
- Corria entre os brasileiros o dito de que "só mesmo estômago de avestruz para aguentar comida de gringo"... e isso talvez lhe tenha dado alguma idéia.

- Assim teria nascido o avestruz do "Senta a Pua". Se o cardápio de bordo fosse mais palatável aos brasileiros, talvez tivéssemos uma ave mais brasileira e mais voadora pintada nos narizes dos nossos gloriosos P-47 Thunderbolt. 
Harpia ou Gavião Real - Wikipedia
- Hoje, o belicoso avestruzinho já incorporou os valores de tantos heróis que serviram ao 1º Grupo de Caça, e firmou sua honrosa posição na heráldica militar do Brasil. Mas não custa imaginar como seria o emblema se os gringos soubessem cozinhar melhor.
- Entre os muitos candidatos alados tupiniquins, o que me parece prestar-se melhor a representar uma unidade aérea de caça é o nosso Gavião Real.
- É um rapineiro majestoso. Chamado também de Harpia ou Uiraçu, resiste ainda nas florestas tropicais americanas, do México ao norte da Argentina. É o mais pesado e poderoso voador do planeta. Suas garras, maiores que as do urso cinzento, são capazes de exercer uma pressão de 42 kgf/cm², suficiente para esmagar o crânio de um homem.
- Como é comum entre as águias, a fêmea é bem maior que o macho, chegando a pesar 10 kg e a medir 2,5 metros de envergadura. A Harpia é monogâmica e nidifica em árvores muito altas. Suas presas favoritas são mamíferos arborícolas, como macacos e preguiças. Suas asas largas e arredondadas permitem-lhe efetuar acrobacias aéreas entre os galhos, facilitando-lhe a captura da vítima.

Classificação científica
Reino:         Animalia
Filo:            Chordata
Classe:        Aves
Ordem:       Falconiformes
Família:      Accipitridae
Género:      Harpia
Espécie:      H. harpyja
Nome binomial:    Harpia harpyja (Lineu, 1758)

- A Harpia defende ferozmente o seu ninho. Veja o sufoco por que passou um cinegrafista da BBC:
http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jul/06/harpy-eagle-attack-cameraman

- E enfim a FAB lhe fez justiça. Equipado com helicópteros H-60L Black Hawk e sediado na Base Aérea Manaus, no Amazonas, o Sétimo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (7º/8º GAv - Esquadrão Hárpia), realiza Operações Aéreas Especiais, primordialmente de infiltração e exfiltração de tropas (utilizando as técnicas de Rapel, Pouso de Assalto e McGuire), Busca e Salvamento (SAR) e Busca e Salvamento em Combate (C-SAR), tanto na selva como no mar. Assim como o 1º/8º GAv, o Esquadrão Hárpia também realiza missões de apoio social e humanitário com as populações ribeirinhas e indígenas, atuando principalmente nas campanhas de vacinação e de apoio ao Ministério da Saúde.



Emblema do Esquadrão Harpia

- Curiosidades sobre a Harpia:
- Está desenhada no brasão de armas do Estado do Paraná.
- Faz parte do símbolo do 4º Batalhão de Aviação do Exército Brasileiro.
- Serviu de modelo para a criação da fênix Fawkes, no filme Harry Potter e a Câmara Secreta.
- Dá nome ao projeto de inteligência artificial mantido pelo SERPRO.

sábado, 28 de agosto de 2010

Proselitismo

  "¡Ay de vosotros, escribas y fariseos hipócritas, que recorren mar y tierra para conseguir un prosélito, y cuando lo han conseguido lo hacen dos veces más digno de la Gehena que vosotros!" Cof. Mat. 23:15.
- A citação acima é o pilar central do excelente texto que Sor. Cecilia (Codina Masachs, O.P. - Monja de Clausura Orden de Predicadores) publicou em seu blog Estoy a tu lado, no dia 3 de agosto, sob o título Proselitismo: una crueldad. Evitei traduzi-lo para manter o seu sabor hispânico original, incluindo o enfático sinal admirativo invertido que abre o trecho.

- O teor da postagem é um libelo indignado que essa corajosa Monja de Clausura lança aos ventos da Internet, clamando contra o proselitismo sistemático praticado por certas seitas ou vertentes religiosas.
- Entre todos os evangelhos, reconhecidos ou considerados apócrifos pelo Vaticano, o atribuído a Mateus é o meu preferido. É nele que o orar é apresentado como uma atitude pessoal e íntima, e não como uma ostentação pública e hipócrita de falsas virtudes.
- Mas algumas correntes modernas do cristianismo, principalmente entre os evangélicos, só leram o trecho: "Aquilo que vos disse ao ouvido, pregai-o sobre os telhados". E obedientemente eles "pregam" altofalantes nos telhados de seus templos e dedicam-se a angariar prosélitos no máximo volume sonoro possível...
- Menos exasperante, mas talvez mais insidioso, é o uso de jornais, do rádio, da TV e, ultimamente, da Internet nessa tarefa incansável - sem esquecer a distribuição de panfletos e pasquins ou a já tradicional arregimentação de porta em porta. Essa máquina de propaganda já foi descoberta pelos políticos, que em época eleitoral se revestem com peles de cordeiro para "proselitar" votos (perdoem-me o neologismo).
- É claro que qualquer corrente religiosa tem direito a expor suas idéias e interpretações. Mas não tem o direito de fazê-lo com o uso de técnicas de propaganda capazes de influenciar mentes simples e desprotegidas, negando-lhes o dom de uma escolha livre e consciente, de acordo com seus sentimentos mais profundos e as tradições de família.
- Uma coisa é um celebrante subindo ao púlpito para comentar o trecho do evangelho da missa do dia; outra coisa é um locutor proclamando ao microfone de um potente amplificador as excelências de sua igreja e lançando maldições sobre os pecadores que seguem outras. Nunca se deram conta, esses proselitistas, que estão diuturnamente contrariando o segundo mandamento...
- Quando meu amigo Leonel, em fevereiro, repassou-me uma matéria que mostrava como era fácil e barato fundar uma nova Igreja, fiquei tentado a criar meu culto - só para poder pagar na mesma moeda a esses proselitistas. Mas desisti. Se você estiver interessado, confira em
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u660688.shtml
- Mesmo assim, preparei um panfleto para retribuir os que me são volta e meia oferecidos. Nele preferi usar o termo Arquiteto, em respeito a tantas pessoas que  - como eu - chamam "Deus" ao ser supremo. Seu teor é o seguinte:


Igreja do Último Dia
- Irmão, irmã! Louvemos o Supremo Arquiteto, que cria e destrói o Universo a cada dia!
- Sim! Esse mundo real em que vivemos foi por Ele criado há menos de 24 horas, e por Ele será destruído em breve, para ser eternamente renovado a cada amanhecer!
- E em cada ato criador, Ele incute em cada um de nós as lembranças de nosso passado e constrói pistas enganosas, para serem perseguidas pelos incrédulos homens da Ciência e pelos falsos sacerdotes e profetas de outras crenças! Cuida-te contra eles!
- E lembra que tua alma imortal será revestida de nova carne: se és homem hoje, poderás ser mulher amanhã; se és branco, poderás ser negro; se és jovem e saudável, serás talvez um ancião doente; se inteligente, imbecil; sendo rico, poderás ser pobre. Sê, pois, amigo de teu próximo.
- Lembra-te também que há Mestres do Templo que ensinam que poderemos renascer como cães, baleias, vermes ou bactérias.
- Portanto, caro irmão, cara irmã, pensa duas vezes antes de esmagar aquela barata!

- Mas isso é só uma brincadeira. Você pode dormir sem sustos, hoje (eu acho)...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vendo votos

- Vendo, seja do verbo ver, vender ou vendar. Entenda como quiser. Pois vendo tantos votos vendados e vendidos, resolvi entrar nessa maracutaia.
- Mas não vendo para qualquer um. Estabeleci como público-alvo meus filhos e netos. Entendo que um voto é (ou deveria ser) uma semente de esperança para um futuro melhor, e eles tem mais futuro do que eu.
- Ademais, eles já me pagaram adiantadamente. Não só com sorrisos e abraços (como faz qualquer político no palanque), mas também dando-me licença para dar pitacos e sugestões na formação de seus valores éticos e culturais (como nenhum político faz). Portanto, meus votos vão para quem eles indicarem.
- Imponho, porém, como condição básica, o comprometimento sério do candidato e seu partido no aspecto mais fundamental e mais vilipendiado de nossas instituições: a educação.
- Não falo daquela educação eleitoreira, que se traduz em bolsas-esmola, mas de uma educação programática (não confundir com pragmática), supra-partidária, que integre formação de valores éticos, instrução acadêmica, informação cultural, cidadania (não só direitos, mas também deveres)...
- Pois creio que qualquer avanço sólido nas outras áreas - Saúde, Habitação, Segurança etc, depende necessariamente de uma formação de qualidade dos seus profissionais. E esta se inicia nas creches e jardins e prossegue pelo menos até à universidade. Sim, todos os brasileiros deveriam ter acesso ao ensino superior... e não adianta garantir esse direito por lei, se lhes negamos o instrumento básico para isso: uma educação de alto nível.
- A erradicação do analfabetismo deve incluir, sim, o analfabetismo funcional e o analfabetismo secundário. Mas o que é um "analfabeto secundário"?
- Vejamos a definição de J. R. Teixeira Coelho:
- "Indivíduo alfabetizado, com grau de informação que pode variar do mais baixo ao mais especializado, (...) familiarizado com as condições de existência num grande centro urbano, mas desprovido de uma visão cultural mais ampla de sua própria vida e do contexto social. (...) Caracteriza-se por ter sua atenção desviada por trivialidades (os pseudo-eventos criados pela televisão, novelas, competições esportivas etc), (...) orientar-se por uma sucessão de entretenimentos vazios e receber informações políticas sob a forma de comunicação espetacularizada." 

- Teixeira Coelho nos dá uma visão mais completa em

http://www.usc.br/edusc/noticias/saopaulo2.htm
 

de onde extraí o trecho abaixo:
- Em Homo Videns, Giovanni Sartori faz um ataque demolidor, embora parcial, contra a TV:
- A TV aberta virou predominantemente uma grande latrina enquanto a TV a cabo é apenas um pouco menos ruim. Portanto, falar em idiotia talvez seja mesmo correto. Hans Magnus Enzensberger usou um outro eufemismo para designar o homem pós-TV:  analfabeto secundário. É a pessoa que consegue ler um jornal, sacar dinheiro de um caixa eletrônico, mas é incapaz de interpretar por si o cenário político ou cultural que o cerca. Analfabeto secundário é, hoje, uma forma polida demais. Idiota parece ser o termo. Que o público se enterneça com o idiota Forrest Gump é o sinal mais claro não apenas da existência da idiotia, mas também de seu culto. Idiotia que se desdobra, por exemplo, na recepção triunfal dada em sua cidade àquele mesmo senador renunciante. Mas, como sempre, é bom ir devagar com o andor. Talvez todos tenhamos direito a um índice cotidiano de idiotia. Talvez a idiotia da TV não produza necessariamente o idiota perfeito. Que a TV abre as portas para nosso idiota interior, aquele de cada um de nós, é evidente. Que sucumbamos todos, inclusive as massas, sempre e em todos os aspectos a esse "idiota residente" não é tão certo.
- Teixeira Coelho continua:
- "Fora isso, o livro repete idéias conhecidas. De certo, resta que não mais se trata apenas de constatar a idiotia promovida pela mídia eletrônica e alertar para o assalto à democracia e ao pensamento feito pelos gangsta rap e outros neonazistas mal disfarçados. Se há um tema a discutir é o de uma política cultural para a mídia eletrônica, TV e internet. Elas estão aí; como usá-las para evitar que nos usem: é essa a questão, ainda evitada na sociedade e nos governos". 


- Vendo votos para bons candidatos. O mais difícil é escolher aqueles que não sejam analfabetos secundários...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Santo remédio

- O consumismo está com seus dias contados. A população humana vem crescendo a um ritmo alucinante, nas últimas décadas. Estamos cada vez mais sobrecarregando o bioma que nos sustenta com o consumo desregrado de recursos naturais.
- Os recursos não renováveis, como o petróleo, já acenderam a luz amarela. Mesmo os renováveis, como a água potável, correm risco de insuficiência, pois dependem de um ciclo natural, com um lapso de tempo certo, para sua renovação.
- Técnicas de reciclagem e reaproveitamento dos rejeitos industriais e domésticos podem reduzir o impacto  do excesso de demanda. Mesmo assim, medidas radicais, como o banimento do automóvel como meio de transporte urbano, terão que ser adotadas, mais cedo ou mais tarde (não é em São Paulo que isto já começou a acontecer?).
- Mas essas medidas são apenas paliativas. Nada salvará nossa civilização de um colapso se o número de bocas continuar crescendo nesse ritmo.
- Se nada fizermos, há três cenários possíveis num futuro previsível:
- 1. Guerra. Conflitos pela posse ou controle de recursos cada vez mais escassos.
- 2. Peste. Epidemias de doenças contagiosas espalhando-se pelo mundo superpovoado como um Conquistador invencível.
- 3. Fome. Pelo esgotamento de recursos alimentares.
- A Conquista, a Guerra e a Fome são três dos quatro cavaleiros do Apocalipse. O quarto é a Morte.
- E se fizermos alguma coisa? Por exemplo, frear a taxa de nascimentos?
- E como fazer isso sem apelarmos para métodos impositivos ou - pior - tratando seres humanos como foram tratados por Josef Mengele nos infames experimentos que inspiraram o romance "QB VII"?
- Estive pensando. Minha família é grande. Meus avós eram prolíficos e meus pais me deram sete irmãos.
- A média de filhos decresceu para dois, entre nós. E meus netos e sobrinhos-netos são ainda menos.
- Isso ocorreu naturalmente, por motivos diversos. Mas com certeza a pílula, aliada a um planejamento meio desleixado, foi fundamental nesse resultado. Os fatores principais foram a consciência do que fazíamos e o acesso aos meios para fazê-lo.
- É por aí. EDUCAÇÃO e INFORMAÇÃO são as chaves do futuro. Acesso livre às técnicas anticoncepcionais é também imprescindível. É preciso disseminá-las pelo terceiro mundo, pelo segundo e até em certos rincões do primeiro!
- E aos que condenam as técnicas anticoncepcionais como antinaturais ou contrárias às suas crenças, eu recomendo o consumo habitual de laranjada.
- Laranjada?!
- É. Santo remédio.
- Pera aí... antes ou depois?
- Não é antes nem depois. É em vez de...