sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sete sete-setes, IV

     Fins de novembro passado, as sete-setes continuavam a me brotar do teclado sob a batuta dos textos inspiradores dos amigos. Aí estão mais sete.
Imagem: Wikipedia


IV.7- Carla, 3/12/11
Bolha pequenina e frágil,
Que carregas tantas cores
Ao sopro da brisa, ágil,
Desviando-te das dores,
Ao céu sobe, resplendente,
E leva ao Onipotente
As preces de meus amores!

IV.6- Marcia, 29/11/11
- "Espelho, ó espelho meu...
Haverá no mundo alguém
Mais otimista do que eu"?
- "É claro que não, meu bem.
Vós sois a bela Marcinha,
Da beleza a rainha,
Do otimismo também"!

IV.5- Milla, 27/11/11
Com sete ramos de arruda
O sete-estrelo eu contato;
Mais sete "Deus nos acuda"
E as sete vidas do gato;
E em sete redondilhas
Canto sete maravilhas
Num recomeço de fato!

IV.4- Andréya, 26/11/11
Receia o convidado
Ter o seu pé nu ferido
Num estilhaço deixado
Por um velho amor partido;
Varre bem todos os cantos
Recolhe dores e prantos
E recebe teu querido.

IV.3- Carla, 26/11/11
Teu coração é estrada,
Pétalas são nossos versos;
Nossa poesia é a florada
Pelos caminhos dispersos.
De pés nus caminharemos,
Dia a dia comporemos
Os poemas mais diversos.

IV.2- Carla, 26/11/11
Purificado ao fogo
De um ardente coração
O amor se lança ao jogo
De extrair o "sim" do "não";
E as folhas no chão pisadas
Serão gemas engastadas
No diadema da paixão.

IV.1- Marilene, 25/11/11
Tu as chamas de palavras
E com estes tijolinhos
Searas de amor tu lavras,
Combates feros moinhos,
Recontas mil epopeias,
Descobres novas ideias,
Desbravas novos caminhos!

Niterói, julho de 2012
Rodolfo Barcellos

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Mais uma

     Outra?!

O Grande Colisor de Hádrons (LHC) é um anel de 27 km a 100 m de profundidade, na fronteira da França com a Suíça. Faz parte de um complexo sistema de sincrotrons e aceleradores lineares do CERN que meu amigo Jair chama de "trapizonga". 
     Fui logo "contar a novidade" a ele:
     - Descobriram o tal Bóson de Higgs! A tal "partícula de Deus"!
     Ele fez que não sabia. Sorriu, irônico:
     - Afinal de contas, ela é minha ou é do Higgs?
     - Foi o pessoal do CERN... naquela coisa que o Jair chama de "trapizonga"!
     - O Jair sabe dar nome aos bois. O que você achou da novidade?
     - Bem, você sabe... na minha opinião, todas as partículas e forças do universo trazem a sua assinatura. Mas cada uma que é descoberta é considerada "mais fundamental" que as anteriores. Você não fica incomodado quando essa gente "se acha", cada vez que damos um mísero passinho à frente?
     - Eu gosto. Cada vez mais eles se admiram com a estrutura da catedral. Cada passo é um avanço na compreensão de sua arquitetura. E o estudo da obra levará à conscientização de que existe um arquiteto.
     - Pra mim eles são um bando de arrogantes. Brilhantes, mas arrogantes.
     - Esses são minoria. Acontece que a arrogância necessita gritar na tentativa de parecer sabedoria.
     Lembrei-me da simplicidade de Isaac Newton, Albert Einstein e outros gênios do mesmo calibre. Ele, como sempre, lançava uma luz nova sobre as falhas de minha argumentação.
     - E o que vai acontecer agora?
     - Eles vão fazer mais experiências em busca de respostas... e vão descobrir dezenas de perguntas.
     - É... como sempre...
     Retirei-me, pensativo. Nem me lembrei de pedir licença ou dizer "até logo".
     Não faz mal... ele não liga para minha sem-cerimônia. E sempre estará disposto a conversar comigo.

http://noticias.br.msn.com/mundo/cientistas-descobrem-pista-do-que-pode-ser-a-part%C3%ADcula-de-deus-entenda

Niterói, 4 de julho de 2012
Rodolfo Barcellos

domingo, 1 de julho de 2012

Trovas 91-100

     Tomei a liberdade de incluir nessa coletânea, para comemorar a trova de número 100, uma que me foi gentilmente presenteada pela Milla. E a de número 91 não é, a rigor, uma trova, mas uma quadrinha em metro heroico, publicada em março em comemoração ao Dia da Poesia.
Imagem enviada pela amiga Regina Rozembaum
100- por Milla, em 11/3/12
Cantas o amor plenamente
Com firmeza e doçura.
Há que se cantar, somente,
A felicidade pura!


99- Graça, 29/6/11
Quem erra na empreitada
Aprende a recomeçar;
Erra mais quem não faz nada
Só por medo de errar.


98- Sandra, 18/7/11
A dor dessa tua ausência,
Sendo por tão nobre causa,
Se transforma em bem-querência;
Mas que seja breve a pausa...


97- Zélia, 3/6/11
E quantas vezes na vida
Apagamos os faróis,
Deixando a alma perdida
Naufragar entre os atóis...


96- Rê, 2/6/11
Escreve em teu para-choque
Alguma coisa assim:
"Aqui eu vou a reboque,
Porque Deus guia por mim."


95- Milla, 14/3/12
Eu nunca me arrependo
De vir aqui todo dia
E contigo um preito rendo
Ao Dia da Poesia!


94- Quiosque, 14/3/12
O poeta nunca mente
Mas do engano está às portas,
Pois pra dizer o que sente
Escreve por linhas tortas.


93- Carla, 14/3/12
Da rocha sólida e dura
Dos teus valores morais
Nasce a nuvem leve e pura
Dos teus versos ideais.


92- Isa, 13/3/12
O vento, ao que perguntares,
Não saberá responder;
E fugirá pelos ares
Buscando o próprio prazer.


91- Sete Ramos, 13/3/12
Enquanto o mundo não decide o dia,
Aqui no Sete Ramos se decreta
Que toda noite é noite de Poesia,
E todo dia é dia do Poeta!

Niterói, julho de 2012
Rodolfo Barcellos

sexta-feira, 29 de junho de 2012

São Pedro


     O calendário informa: o dia da festa é 29 de junho. E a festança nos arraiá por esses brasis adentro confirma. Mas o ciclo das festas juninas não se encerra em junho. Não senhor. O dono das chaves, festeiro que só, abre as portas e invade o mês do imperador da antiga Roma, fazendo da primeira semana de julho o "gran finale" que merecem os festejos populares mais autênticos de nossa gente (não, não me venham falar em carnavais).
     São famosas as festas do Nordeste, em geral, e as dos Beléns em particular. Aqui em Niterói as procissões marítimas das colônias de pescadores - principalmente a que sai de Jurujuba - são destaque. Mas entre barqueatas, festas de terreiro, cerimônias religiosas e tantas outras, resolvi mostrar aos amigos a festa da colônia de pescadores de Itaipu, bairro onde moro. O vídeo do fotógrafo Paulo Resende - um tanto vazio de gente - enfatiza o apelo comercial e turístico da festa, mas dará uma ideia do clima que reina na ocasião, se acrescentarmos mentalmente a balbúrdia dos milhares de frequentadores habituais. E vale pelas fotos e pela música.
     Mas o que está fazendo aí no vídeo o Bastião? A festa dele não foi no início do ano?
     Bem, acontece que ele é o padroeiro da paróquia do bairro, e na dupla condição de convidado e anfitrião ele não poderia faltar. A casa dele é a bela igreja colonial que aparece ao fundo do vídeo e na imagem abaixo.
     É na próxima semana. E vai ter mais pro ano que vem. Anavan tu!
Imagem: pauloresendefotografo.blogspot.com
Niterói, junho de 2012
Rodolfo Barcellos

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Filho meu

     Vinte e sete de junho, dia de festa na Ilha do Governador... aniversário do filho caçula, o sapo encantado que casou com a princesa e nos deu uma linda neta-fada-pererequinha.

Aline, Luiz Cláudio e Ana Helena


Filho meu,
Que tanto tentei ensinar,
Que muito julguei ajudar...

Filho meu,
Que me ensinaste a ser pai,
Que me ajudaste a ser eu...

Parabéns pelo teu dia,
Junto à tua família,
Seja longo o viver teu;

Recebe o abraço aberto
Pois mesmo longe estás perto,
Filho meu.

Niterói, junho de 2012
Rodolfo Barcellos

domingo, 24 de junho de 2012

Joões


     Vinte e quatro de junho, e meu passeio vespertino pelas alamedas da blogolândia me leva a encontrar em cada esquina uma festa de São João. Só agora percebo que esqueci de montar o meu arraiá no terreiro do Sete Ramos...
     Mas com qual santo devo desculpar-me? O Evangelista? O Batista? O Nepomuceno?
     Na dúvida, peço perdão a todos os joões, santos ou pecadores. Aos tantos que alegraram a torcida do Botafogo, aceitando o convite do Mané para uma dança cujos passos estão - ainda - envoltos em mistério e magia. Àquele de Deus, cantado em coro pela torcida do Fluminense. Ao outro, o Lennon, cantado por torcedores e não torcedores do mundo inteiro. Sem esquecer o Joãozinho, pesadelo das professorinhas.
     O vozerio do povo não para. O leiloeiro inventa louvores para enaltecer as pobres prendas cuja venda irá garantir mais uma fieira de telhas para o conserto do telhado da igreja. Ouço o espoucar dos foguetes e os lamentos das sanfonas, o mestre marcando os passos da quadrilha. E admiro, reverente, o poder dessa gente humilde no extrair de coisas tão simples uma mancheia de alegria autêntica para contrabalançar as frustrações do passar nosso de cada dia.
Imagem: Internet



     Acorda, João! Amanhã as promessas e bandeirolas estarão rasgadas e a tua bandeira no topo do mastro penderá murcha e triste como o rosto cansado do operário que vai trabalhar. E nas fogueiras que hoje crepitam alegres - como nos corações que se iludem em fugazes amores - somente restarão cinzas frias e solitárias.
     E tu estarás dormindo...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sete sete-setes, III

     Este é o terceiro apanhado de sete comentários em estrofes de sete versos (setilhas), cada verso com sete sílabas poéticas (redondilha maior). Essas sete-setes foram feitas em novembro passado, à vista das belas postagens dos amigos - textos em prosa, poemas, uma peça de cerâmica (de quem seria?), etc.
     E recentemente, num bate-papo pelo Messenger, roubei da Denise a bela pintura abaixo, que combina perfeitamente com o sete-sete no "Momentos Fragmentados" que abre este ramalhete.
"Mar noturno" - Óleo sobre tela - Denise
III.7- Marilene, 24/11/11
Tu bem sabes, navegante,
Que ancoraste em mau lugar,
Que é na maré vazante
Que o barco deve zarpar;
É o momento em que a corrente
Te leva seguramente
Direto ao alto mar.


III.6- Carla, 24/11/11
A lua nunca é a mesma
Que já foi ou que será;
É como uma abantesma
Que se muda ao deus-dará.
Mas tem sua identidade,
É mentira e é verdade,
E no céu sempre estará.


III.5- Milla, 24/11/11
Felicidade é o que sente
Este teu novo amigo
(Já com "status" de antigo)
Ao ver a amiga da gente
Abrir seu lindo sorriso
Em um belíssimo indriso
Num "blog" não mais doente...


III.4- Marcia, 22/11/11
Arreda pra lá um pouquinho
E deixa o andante cansado
Sentar-se neste cantinho
E descansar a teu lado;
Do teu vinho beberemos,
Do meu pão partilharemos
Neste lugar encantado.


III.3- Denise, 22/11/11
Não são portas nem janelas;
São os olhos de tua alma
Contemplando coisas belas
Neste momento de calma;
São luzes, canções, amores,
Carícias, perfumes, cores,
Pintadas em aquarelas...


III.2- Sete Ramos, nov 2011
Em sete sílabas poéticas
Canto sete musas líricas,
Em sete rimas ecléticas,
Por sete estrofes oníricas;
Cumprindo regras estéticas,
Seguindo as normas éticas,
Mas com pitadas satíricas...


III.1- Ma, 20/11/11
Raios de sol refratados
Na fímbria da Mantiqueira
De miragens são chamados,
São fugazes, não têm eira;
Mas foram capturados,
Em barro imortalizados,
Pela mão de Ma Ferreira.


     E viva São João!


Niterói, junho de 2012
Rodolfo Barcellos