sábado, 22 de março de 2014

Trovas 501 - 510

Às vezes eu descubro nos meus alfarrábios digitais uma ou outra trovinha que escapuliu desta série. Aí vai fora de ordem, mesmo. Por exemplo, as duas que abrem esta postagem.
Foto: Rodolfo Barcellos
509-510- Carla Fernanda, 3/7/11
Saudade é um sentimento
Que dói sem muito doer;
Vence o soluço, o lamento,
Vence o riso e o prazer.

Vence o tempo e a distância,
Vence o frio e o calor;
Vence qualquer circunstância,
Só não vence o desamor.

508- Sissym, 27/11/13
Vive teus sonhos de fadas
Vivos são sonhos assim
Simples mãos entrelaçadas
Sonhos da fada Sissym...

507- Simone, 20/11/13
Sou sem-vergonha, sim
Não sinto vergonha em mim
De declarar a saudade
De cultivar a amizade
Das flores do meu jardim...

506- Milene, 15/11/13
O sorriso da lua crescente
Não carece dentista que trate
E na soma de dente com dente
Brilha mais que um sorriso Colgate...

505- Marilene, 12/11/13
O tempo passa por nós
Ou nós por ele passamos?
Só sei que pra ser avós
Lado a lado caminhamos..

503 e 504- Milene, 8/11/13
Por mais que o tempo passe
Seja no blogue ou no Face
Me enlace, me amasse,
E nunca me desabrace.

Amasse, do verbo amar
Ou será de amassar?
Por muita rima que eu faça
Abraça, Miminha... ah, massa!

502- Milene,31/10/13
Em tempo medido e pesado
A Milene e o João
Definem assim, lado a lado,
Solidária solidão.

501- Milene, 31/10/13
Será carente estrela
No chorar da chuva chã
No cantar que se revela
Poema em dois na manhã.

Niterói, abril de 2014
Rodolfo Barcellos

Ah, e a 507 não é trova... é uma quintilha enxerida.

sábado, 15 de março de 2014

Trovas 491-500

Quinhentas trovas! Acho que vou fazer um livro só com elas... o que é que vocês acham?

Milene, por Milene
500- Denise, 17/9/13
No tempo que o tempo der
Não deixe o tempo passar
No espaço que não couber
Vai caber se apertar.

499- Sandra Subtil, 22/8/13
São assim as flores mais
Delicadas, irreais,
Poesias, edelvais,
São teus versos madrigais.

498- Rosa Branca, 18/8/13
As belas estrofes tuas
Arremato de uma vez:
Dou-lhe uma, dou-lhe duas...
Ninguém dá mais? Dou-lhe três!

497- MSN (acho), 14/3/12
Poeta é gente que é cega
Às realidades da vida;
Qualquer fronteira renega,
Qualquer entrada é saída.

496- Milene, 10/8/13
Meu ponteiro dos minutos
Já passou da hora cheia
Mas nesses tempos fajutos
Tá longe das seis e meia...

495- Chica, 10/8/13
Entre os vinhos e os queijos
Apura-se aroma e sabor;
Entre carinhos e beijos
Fermenta-se um grande amor...

494- Maria Fernanda, 10/8/13
Viva Maria Fernanda
No seu dia de natal;
Cantem, anjos! Toque, banda!
Hoje a festa é especial!

493- Milene, 30/7/13 (Face)
O teu sorriso de outrora
O espelho guardou não
Porque ele habita agora
Dentro do meu coração.

492- Rosa Branca, 18/7/13
Tão radiosa estrela
Em tal vestido de gala!
Como deixar de vê-la?
Como deixar de amá-la?

491- Cecília, 17/7/13
Assim como à criança
Chega aos poucos a idade
Os dias de esperança
Serão horas de saudade.

De bônus, uma sete-sete:

XLI.1- Milene, 17/9/13
Neste céu de algodão doce
Ouvi a doce cantiga
Com que você, doce amiga
Quis doce me acalentar
Do seu canto-poesia
Nasceu o sol do seu dia, 
Canto docê meninar...

Niterói, março de 2014
Rodolfo Barcellos

sábado, 8 de março de 2014

Trovas 481-490

Trovinhas de meio ano atrás...

490- Sandra Subtil, 16/7/13
Chovem os olhos teus
As lágrimas da dor;
Relampejam os meus
Os raios do amor...

489- Marcia, 9/7/13
O vento é bom mensageiro
Para quem sente paixão;
Transporta, leve e fagueiro,
Segredos do coração.

488- Sete Ramos, 8/7/13
Meu amor é por inteiro
Desse gigante-menino
Não sou meio brasileiro
E não canto meio hino.

487- Rosa Branca, 29/6/13
Pela tua poesia
Tão sublime de se ler
Dou-te esta trova vadia
Valha ela o que valer.

486- Regina, 22/6/13
Você semeou,
Sorriu e regou;
Você verdejou,
Floriu e brotou!

485- Regilene, 12/6/13
E juntos compartilhamos
Com todos a quem amamos
O prazer e a alegria
Dessa tua poesia.

484- Regina, 8/6/13
E os lixões vão só crescendo...
E os ferros-velhos inchando...
E a Natureza sofrendo...
E as pessoas comprando...

483- Jeanne Geyer, 6/6/13
Marias, há três no Céu
Na Terra infinitas são
Todas nuas sob o véu
Todas vestindo a canção.

482- Milene, 5/6/13
Luciluzem pirilampos
Estrelas borboletantes
Pelas noites dos teus campos
Sonhos da agora e de antes.

481- Marcia, 27/5/13
Amor gostoso
Bem temperado
Amor cheiroso
Amor salgado...

Niterói, março de 2014
Rodolfo Barcellos

sábado, 1 de março de 2014

Sete sete-setes XL

Mais sete sete-setes... safra de agosto passado.

XL.7- Dôra, 24/8/13
Hoje é dia de festa
Na casa da Dôra mana;
Mando-lhe um beijo na testa
E um abraço bem bacana.
Queria dar-lhe um presente
Mas fica ele ausente
Pois estou com pouca grana...

XL.6- Regina, 17/8/13 (aniversário dia 19)
Me contou um passarinho
Que uma leoa do bem
Vai fazer mais um aninho
Segunda-feira que vem;
E aproveitando o ensejo
Adianto aqui meu beijo
E um grande abraço também!

XL.5- Déya, 8/5/11
Essa lembrança insistente,
Qual uma mosca vadia,
Vive pousando na gente;
E a gente se arrelia,
E a espanta novamente,
E nunca fica contente,
Até que desista um dia.

XL.4- Caio, 14/8/13 (Face)
Nasceu o Caio da Nana
E de todos nós também;
Alvíssaras! Glória! Hosana!
Cantem os anjos do Bem!
Pai e mãe, tios e primos,
Avós, avôs e outros mimos,
Viva! Alegria! Amém!

XL.2- Regilene, 10/8/13
O tempo do amor perfeito
Está sempre no passado
Perfeito, mais-que-perfeito,
Imperfeito, torto, errado.
Mas teus versos, poetisa,
Têm a virtude precisa
De mantê-lo bem cuidado.

XL.1- Marcia, 8/8/13
E às mãos da jardineira
A semente germinou;
Viu-se planta, flor faceira,
E afinal frutificou!
E a semente da semente
Logo estará com a gente
No jardim que a avó plantou.

Niterói, março de 2014
Rodolfo Barcellos

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Trovas 471-480

480- Por Milene, aqui no Sete Ramos, 21/5/13
Adoro tuas quadrinhas
E teu versejar faceiro;
Fazes trovas bacaninhas
A encantar o povo inteiro.

479- Vera Lúcia, 20/5/13
Mas que beleza de texto!
O mundo anda ressecado;
Se minha sede é pretexto
Saio daqui saciado!

478- Regilene, 20/5/13
De tua singela rima
Nasceu uma obra-prima;
Dou-te, Lucas, parabéns
Pela grande mãe que tens!

477- Lu Cavichioli, 19/5/13
Essências, doces fragrâncias,
Extratos puros de flor,
Poeminis nas distâncias
Âmago e cerne do amor.

476- Milene, 18/5/13
E por falar em paixão
Esta tua poesia
Me bateu no coração,
Me causou taquicardia.

475- Regilene, 17/5/13
Bom dia, linda, bom dia!
Não há vida mais vazia
Do que aquela sem poesia...
Bom dia, muito bom dia!

474- Marilene, 17/5/13
Repouso que se merece,
Descanso que se precisa,
Poema vestido em prece...
Boa noite, poetisa!

473- Rosa Branca, 16/5/13
Chora o tempo, chora a vida
Chora a abelha, chora a flor
Chora a esperança perdida
Chora a palavra "amor"...

472- Marilene (com Milene, no Relicário), 13/5/13
Por remos saudades vadias
Por mastro poemas tristonhos
Por leme singelas poesias
Por vela farrapos de sonhos...

471- Sandra Subtil, 12/5/13
Que te brilhem manhãs claras
Que te afaguem quentes dias
Que te cubram noites raras
Que te sobrem poesias.

Niterói, fevereiro de 2014
Rodolfo Barcellos

PS: Parabéns, Ricardo! Feliz aniversário, meu filho!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O DIA TREZE E O ABRAÇO


Não imaginaria um presente melhor do que te embrulhar o mais lindo dos sonetos, daqueles de fazer brilharem os olhinhos de Camões e outros monstros em cujas veias corre a mais pura poesia. Mas, cadê? Rimar não é uma arte fácil de se praticar sem a tua inspeção generosa por perto. Olhos feito os teus, de tanto amor e atenção, moram aonde que não se vê aos montes por aí?
Assim sendo, sem o mais bonito dos sonetos, restou-me soprar de cá o meu abraço, que é pra ele se aninhar de lá no teu. E juntos, o teu e o meu abraço, passariam a vida a fazer poesia rimada com alegria. Adormeceriam a saudade e cantavam, aos pássaros, lindas canções de amizade.
O teu e o meu abraço passariam os dias conjugando bem querência. Celebrariam a vida e expulsariam toda e qualquer nuvem pesando sobre os olhos entristecidos do mundo.

Eu te desejo dias onde os sentimentos, emoções, sensações, sejam as mais risonhas e bonitas possíveis, meu bem.

Esteja bem, esteja bem!

Feliz dia treze de fevereiro.

(Por Milene Lima, a invasora sem-verso)




POEMINHA DO MEIO DIA 
(Abraçadorismo)

Ando desconfiada que você
Ainda cabe direitinho
Assim, no meu abraço inteiro
Seja novembro ou fevereiro
Dia de bruxa ou
Véspera de carnaval

Escandalosamente fora do sutil
Essa minha desconfiança
Por que, pelo que me consta
Pelo que me vaga à lembrança
Quando você chegou, em noite de lua qualquer,
Era pra nunca mais nessa vida
Poder me desabraçar

Abraço é coisa pra se dar e ficar pra sempre dado
Por que fica o abraçado
Gostado, guardado, contente
Um tanto de frio não sente na pele ou coração

E se a pessoa sente algum canto doendo
Nessa hora de abraçar
Até mesmo o dolorido fica meio constrangido
E deixa num canto o doente
Morando num abraço quente
Pro tempo bom que durar

Pois é de toda certeza
Como dois e dois é conta redonda
Que meu abraço, pobrezinho, que vileza!
Chora de ser sozinho
Por que no seu pensamento
Não há de ter contentamento
De vida sem abraçar

(Milene Lima - um mês qualquer de 2013, cujo abraço cabe direitinho aqui)


sábado, 28 de dezembro de 2013

Sete sete-setes, XXXIX

XXXIX.7- Milene, 3/8/13
"Amar" - transitivo direto
Onde o objeto é sujeito
Pois amar algo concreto
Nunca é amar direito;
"Amar" é meio abstrato,
Não se firma em contrato,
Nem se garante perfeito.

XXXIX.6- Denise, 27/7/13
E quem sabe, no futuro
O teu mundo de azul puro
Receba um raio rosado
Enriquecendo o efeito
Ficando o teu vovozado
Se possível - mais amado,
Se possível - mais perfeito!

XXXIX.5- Milene, 27/7/13
Tuas rosadas letrices
Lavradas de própria mão
São Cecílias e Clarices
Gabrielas Mistrais são
São preciosas tolices
São raras filosofices
Que falam ao coração.

XXXIX.4- Lu, 23/7/13
Neste Reino a soberana
Por decreto imperial
Declara aberta a semana
Da imaginação total.
Anistia às fantasias
Aos contos, às poesias,
Ampla, irrestrita, geral.

XXXIX.3- Marilene, 23/7/13
Dançam as folhas na brisa
Em compassos outonais;
Dança o verso da poetisa
Aos ventos pré-invernais
Dançam corações e almas
Dançam coqueiros e palmas
Dançam roupas nos varais...

XXXIX.2- Milene, 25/6/13
Prantado no São José
Colhido no São João
Comido com graça e fé
Sob o luar do sertão
Fugindo do buscapé
Poetizando o Migué
Vancê num é fraca, não.

XXXIX.1- Denise, 8/6/13
Um rei chamado Gustavo
Nas terras do Sul nasceu
E meu canto é hoje escravo
Da mãe que o concebeu;
E outra mãe - a Poesia
Com orgulho e alegria
No seu colo o recebeu.