domingo, 28 de setembro de 2014

Para Milene


Para Milene

     Parabéns, ó minha amada,
     Ano novo pra você.
     Rara pétala rosada
     Adornando este buquê.

     Memem, mimada, mimosa,
     Inquieta, porém feliz.
     Linda pétala de rosa,
     Está marcando outro xis
     Nesta data gloriosa,
     Em anos primaveris.


Canção do amor eterno

O tempo do amor passado
É sempre mais que perfeito
Na saudade é conjugado
No lado esquerdo do peito

O modo do amor presente
Será sempre imperativo
Exige mais que consente
Persegue o objetivo

O número do amor futuro
Nunca será singular
Tu e eu seremos, juro,
Sempre em nossa estrada um par

O canto do amor é terno
Num conto de amor se esvai
O encanto do amor eterno
Enquanto a canção não sai...

Niterói, setembro de 2014
Rodolfo Barcellos

sábado, 26 de julho de 2014

Meu voto


   É fácil votar bem. É só votar na oposição.
   Se quem está no poder vai mal, esse é o voto natural.
   Se quem está no poder vai bem, é o momento de evitar que a continuidade do exercício do poder corrompa o bom administrador. E ele será um opositor de peso na próxima eleição.
   Por isso sempre votarei nos melhores da oposição.
   "A boa democracia deriva da alternância do poder".
   E tenho dito!

PS: Alguém já viu um oposicionista advogar a reeleição?

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Namoro na copa

Imagem: Tatiane
Amar é...

Amar é ter paixão e ousadia,
É ter ciúme de coisas, de gente,
Sabendo usar tal condimento ardente
Na dose certa - mais quente que fria...

É partilhar a tristeza e a alegria,
É ser igual, e sempre diferente,
E, mesmo sem motivo aparente,
Reconquistar o amor a cada dia.

Amar é traçar rumos lado a lado,
Ligando o futuro ao passado
Por um presente construído a dois;

Fazer de um só olhar uma poesia,
Trazer um toque que acaricia,
Sempre antes... e durante... e depois!


Pra não dizer que não falei de Copa

Namorada minha
Não vê copa
Só cozinha...

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Combo de Maio

Dia do Ócio

   Neste dia primeiro de maio celebra-se em todo o mundo o dia do Trabalho - dia em que ninguém trabalha. Dia que quando cai num sábado ou domingo causa frustração dos adoradores e prosélitos de feriadões. Estes preferem que seja na segunda ou na sexta, ou melhor ainda, na terça ou quinta, o que lhes permite exercer o sacrossanto e já institucionalizado direito do enforcamento.
   Não que isso faça muita diferença nos expedientes diários de várias repartições públicas, onde a rotina começa com um obrigatório "bom dia" ao chefe; e cumprido o ritual de puxar o saco do "alfa" da vez, dá-se início à confortável rotina de coçar o seu próprio, com as indispensáveis pausas para o almoço, os cafezinhos e os bate-papos. Eventualmente, para desfastio, pega-se um documento qualquer na bandeja "Entrada", lê-se o "De", o "Para" e o "Assunto", confere-se o último despacho (importante para não devolver o mesmo documento ao órgão de origem - há que ser-se cúmplice da coçação dos colegas) e despacha-se "Solicito-vos providências" para algum setor cujo chefe esteja de férias (com certeza vai parar na mão de algum estagiário). Agora é colocá-lo na bandeja "Saída" e retornar à coçação.
   No final do expediente, puxa-se de novo o saco-mor, em despedida, e vai-se para casa com a tranquila consciência do dever cumprido.
   Neste ano o Dia Internacional de Não Fazer Nada - chamado carinhosamente pelos Adoradores do Ócio "Dia do Trabalho" - cai numa quinta. Alvíssaras! Além de não interferir nas sagradas horas do descanso divino, ainda nos proporciona o inefável prazer de praticar o esporte nacional do sexticídio, que só perde em popularidade para o segundicídio - o enforcamento do mais odiado dia da semana.


Dia da Mãe

   Se você mora do outro lado desta lagoa chamada Atlântico, e se é mãe - essa classe de gente extraterrestre que não conhece ou já esqueceu as doces benesses do ócio -  parabéns pelo Dia da Mãe. Ele chega mais cedo aí... no próximo domingo.

Dia das Mães

   Por aqui, estaremos esperando por mais uma semana, até que ele chegue - se não naufragar no meio da travessia, tanto mar, tanto mar...

Abolição

   Em homenagem ao 13 de maio, transcrevo um pequeno trecho das "Memórias" da nossa querida tia-avó Georgeta - ou, mais carinhosamente, Dodoge.
   Veja mais na página de nossa família (aos cuidados do mano Marcos) em

http://mrdb.com.br/docs/memorias_dodoge_index.html


Dodoge
IOIÓ

   Foi no dia 25 de novembro de 1927 que deixou de existir a nossa sempre lembrada Ioió. Santa velhinha, tão boa, tão dedicada! Sua lembrança jamais se apagará da memória daqueles que privaram com ela. Em sua vida deixou um exemplo de amor e dedicação extraordinário. Ioió foi escrava do proprietário da Fazenda do Engenho em Ponte Nova e foi Babá de uma de suas filhas. Dedicadíssima ao extremo, tudo fazia pela sua sinhazinha que era a minha mãe. Os anos foram correndo e a menina ficou moça e como tal foi pedida em casamento. Na véspera das bodas, vovô querendo recompensar tanta dedicação da pobre escrava, entregou a mamãe, para que ela desse a sua babá, a "carta da liberdade" no dia de seu casamento.
   Ioió foi chamada e na presença de toda a família reunida, mamãe muito emocionada lhe falou: "Ioió, você não é mais escrava. De agora em diante você é livre, pode ir para onde quiser. Está aqui a sua carta de alforria como recompensa do quanto fez por mim."
   Ioió com os olhos rasos de lágrimas, recebeu o papel e de joelhos abraçou a sua querida sinhazinha, ou antes Sanica, e disse entre soluços: "Não quero a liberdade! Serei sempre escrava de minha filha branca. Acompanhá-la-ei para onde ela for." E rasgou a carta em muitos pedaços com espanto dos que assistiram a cena.
   E viveu uma vida longa e ajudou a criar com a mesma dedicação os 10 filhos de meus pais.
   Veio o 13 de Maio tão suspirado pelos escravos. Todos ficaram livres porém Ioió continuou sob o teto acolhedor de sua filha branca.
   Morreu com quase 100 anos, 6 meses antes da morte de sua querida Sanica.

Niterói, outono de 2014
Rodolfo Barcellos

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Páscoa



Hoje coelho bota ovo
Páscoa não é todo dia
Bom feriado, meu povo!
Feliz Páscoa, Poesia!


sábado, 29 de março de 2014

Trovas 511-520

Vou me dar um tempo, amigos, para dedicar-me à preparação de mais alguns livros para publicação, mas continuarei a acompanhá-los pela sendas da internet. O "Sete Ramos" continuará ativo, mas em intervalos mais espaçados.

520- Rê, 25/3/14
Singulares as saudades
Que nos chegam no plural
Vêm de virtualidades
Construir o que é real...

519- Mi, 22/3/14
Diz-me, folha mais querida,
Para onde queres voar.
Eu, tua brisa preferida,
Para lá vou te levar...

518- O Trovador II, 18/3/14
Diz quem sabe de poesia:
"Fazer verso é versejar";
Logo, por analogia,
Fazer trova é trovejar...

517- Denise (Face), 15/3/14
Saudades dos meus amores
Daqueles tempos felizes...
Onde estão as minhas flores?
Onde, as minhas raízes?

516- Sete Ramos, 10/3/14
Não sei se acredito em Deus
Mas sou feliz mesmo assim,
Pois vejo nos olhos teus
Que Ele acredita em mim.

515- Regilene, 2/3/14
Resgatas em versos
As aves cativas
Em prantos dispersos
Enquanto tu vivas.

514- Vera Lúcia, 21/2/14
Este mundo indiferente
Necessita, já se vê:
Precisa-se urgentemente
De gente como você!

511 a 513- Diálogo com Rosa Branca, 20/12/12
Eu:
Dá-me ao menos tua mão
Se não queres dar-me a cruz;
Meu nome não é Simão
E o teu não é Jesus.
Ela:
Meu nome não é Jesus
E eu não lhe quero dar
O peso da minha cruz
Pois me custa a carregar.
Eu:
Se te pesa essa carga
Podia ser repartida
Pois muito menos amarga
É a dor por dois dividida.

Niterói, março de 2014
Rodolfo Barcellos

sábado, 22 de março de 2014

Trovas 501 - 510

Às vezes eu descubro nos meus alfarrábios digitais uma ou outra trovinha que escapuliu desta série. Aí vai fora de ordem, mesmo. Por exemplo, as duas que abrem esta postagem.
Foto: Rodolfo Barcellos
509-510- Carla Fernanda, 3/7/11
Saudade é um sentimento
Que dói sem muito doer;
Vence o soluço, o lamento,
Vence o riso e o prazer.

Vence o tempo e a distância,
Vence o frio e o calor;
Vence qualquer circunstância,
Só não vence o desamor.

508- Sissym, 27/11/13
Vive teus sonhos de fadas
Vivos são sonhos assim
Simples mãos entrelaçadas
Sonhos da fada Sissym...

507- Simone, 20/11/13
Sou sem-vergonha, sim
Não sinto vergonha em mim
De declarar a saudade
De cultivar a amizade
Das flores do meu jardim...

506- Milene, 15/11/13
O sorriso da lua crescente
Não carece dentista que trate
E na soma de dente com dente
Brilha mais que um sorriso Colgate...

505- Marilene, 12/11/13
O tempo passa por nós
Ou nós por ele passamos?
Só sei que pra ser avós
Lado a lado caminhamos..

503 e 504- Milene, 8/11/13
Por mais que o tempo passe
Seja no blogue ou no Face
Me enlace, me amasse,
E nunca me desabrace.

Amasse, do verbo amar
Ou será de amassar?
Por muita rima que eu faça
Abraça, Miminha... ah, massa!

502- Milene,31/10/13
Em tempo medido e pesado
A Milene e o João
Definem assim, lado a lado,
Solidária solidão.

501- Milene, 31/10/13
Será carente estrela
No chorar da chuva chã
No cantar que se revela
Poema em dois na manhã.

Niterói, abril de 2014
Rodolfo Barcellos

Ah, e a 507 não é trova... é uma quintilha enxerida.