domingo, 6 de setembro de 2015

Minhs Pátria

Minha Pátria
Minha Pátria não é o maior rio do mundo.
Não é o pulmão do Planeta.
Não é um país-continente.
Minha Pátria é gente.
 
Minha Pátria não é guerra - são guerreiros.
É Amor, é Dor, é Vida,
É o dedo na ferida,
O protesto, a indignação.
 
Minha Pátria são amigos,
São irmãos, filhos e netos.
São os sonhos realizados,
São aqueles não sonhados
(Não só meus - os teus também).
 
Minha Pátria está nas ruas,
Nas oficinas, nas casas,
Nos balcões de atendimento,
Nos hospitais, nos quartéis,
Nos estádios, nos teatros,
Nas praças e nas esquinas,
Nos mercados, nas vitrinas,
Nos esportes populares,
Nos eventos culturais;
 
Minha Pátria está nos jazigos,
Nas escolas, nos abrigos,
Nas filas dos bancos
Nos trens de subúrbio,
Nas balas perdidas,
Nos bondes sem freios.
 
E neste Dia da Pátria
Ela está principalmente
Naquele grupo da frente
De velhos e anciões
Que abre o desfile imponente
Para tanques e aviões
(E a cada ano que passa
Diminui constantemente).
 
Minha Pátria sou eu.
És tu. Somos nós.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Adivinha


Adivinha o que qui é
Em cada cova treis grão
Prantado no São José
Pra coiê no São João
Sete espiga em cada pé
Bem cozido no fogão
Acompanha capilé
E uns trago de quentão
Correndo de buscapé
No estouro dos rojão
A quadrilha vai no pé
A sanfona vai na mão

No arraiá de nhô Zé
Num pode soltá balão...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Namorados


Foste de mim a única poesia,
Meu verso simples um amante foi-te,
Buscando conquistar-te a cada dia,
Querendo seduzir-te a cada noite.

Pelas manhãs de todos estes dias,
Ao ver-te o meu coração cantava;
E a cada noite, quando tu te ias,
Na minha alma a luz se apagava.

Toquei teu corpo e senti tua boca
Trazendo-me a esquecida ânsia louca,
E teu perfume doce a mim veio.

Amada minha! Fica hoje comigo!
Quero que encontres em mim teu abrigo,
Quero abrigar-me em teu macio seio!

=============================

Meia noite. Lua alta.
O desejo me assalta.
O sopro que você sente
É o meu hálito quente
Em busca da pele nua,
Faminto da carne tua
De que sinto tanta falta!

=============================

Mando-te um abraço quente,
Carinhoso, envolvente,
Coração com coração
Mesmo ainda que a gente
Com jeitinho se esquente
Com uns goles de quentão.
E por sentir-me carente
Aguardo impaciente
As festas de São João...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Os dias delas

      (Nota: impossibilitado temporariamente de muito digitar, apelo para textos antigos para manter este blog ativo. Esta é uma reedição adaptada do texto original de 2012).

     Com o Dia das Mães ocorre o mesmo que acontece com o Dia da Poesia: ao redor do mundo, ele é celebrado em datas diversas. Eis algumas:
   2º domingo de maio – Estados Unidos, Brasil, Dinamarca, Finlândia, Japão, Turquia, Itália, Austrália e Bélgica;
     2º domingo de fevereiro – Noruega;
     2º domingo de outubro – Argentina;
     2º dia da primavera – Líbano;
     1º domingo de maio  Portugal, Espanha, África lusófona;
     10 de maio – México;
     Último domingo de maio – Suécia;
     4º domingo da Quaresma – Inglaterra.
     Há outras, mas mesmo assim é pouco. Na minha opinião, deveriam ser, no mínimo, 365 datas em cada ano.
     Aqui no Brasil não é raro que esse dia aconteça em 13 de maio. E aí, temos três motivos para festejar:
     1 - Nossa Senhora de Fátima - Portugal, mundo católico em geral;
     2 - Abolição da escravatura - Brasil e África;
     3 - Dia das Mães - Brasil e metade do mundo.
     Em homenagem a elas, transcrevo um conhecido acróstico em inglês:

     Mothers are the place that we call home.
     On them we rest our heads and close our eyes.
     There's no one else who grants the same soft peace,
     Happiness, contentment, sweet release,
     Erasing nighttime tears with lullabies,
     Restoring the bright sun that makes us bloom.

     Tentei "traduzi-lo", mantendo a métrica, o esquema de rimas ABCCBA e as iniciais de cada verso:

     Mães são o lar da ternura e harmonia
     Onde nos entregamos a um doce encanto
     Tranquilos, seguros, confiantes, serenos,
     Haurindo a paz e os sonhos amenos,
     Esquecendo os medos num suave acalanto,
     Revivendo a luz que nos traz a alegria.

     A elas, também, a minha Canção da Vida:

Mãe! Tu és o solo fecundo
No qual germina a semente
Em corpo, alma e mente
Dos filhos todos do mundo.

Tu és o amor mais profundo
A beleza inconsciente
A Deusa que toda gente
Venera a cada segundo.

Em teu seio hoje deponho
Um poema, um canto, um sonho,
Em louvor a ti, ó Mãe;

Dou-te um abraço e um beijo
E brindo-te neste ensejo
Numa taça de champanhe.

     Nota: a rima de "mãe" com "champanhe", foneticamente perfeita nos falares brasileiros, é, se não me engano, sugestão do nosso saudoso Chico Anísio.

Niterói, maio de 2012 / maio de 2015
Rodolfo Barcellos

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Para Simone

Imagem - Balaio da Si

Cara Simone Fernandes
Por onde quer que tu andes
Saiba que a tua saudade
Fez ninho em meu coração
E nesta data festiva
Marcada no calendário
Um feliz aniversário
Te deseja este irmão.

Niterói, 26 dez 2014

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Dia da Poesia


Muitas são as datas em que se celebram os poetas e a Poesia. Eis algumas:

a: 14 de março, data do aniversário de Castro Alves;
b: 21 de março, por decisão da UNESCO;
c: 16 de agosto, em Recife;
d: 4 de outubro, em diversos locais do Brasil;
e: 20 de outubro, por Decreto-Lei da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro;
f: 30 de outubro, no Sete Ramos de Oliveira.


Enquanto o mundo não decide o dia,
Aqui no Sete Ramos se decreta
Que toda noite é noite de Poesia,
E todo dia é dia do Poeta!

PARA UMA MULHER-POESIA

Marquei no meu calendário
A data do aniversário
Da mais bela Poesia

Na minha agenda descubro
Que é em trinta de outubro
Que se celebra seu dia

Mando pois este indriso

À Poesia-sorriso.

Feliz aniversário, Denise!

Niterói, outubro de 2014
Rodolfo Barcellos

domingo, 28 de setembro de 2014

Para Milene


Para Milene

     Parabéns, ó minha amada,
     Ano novo pra você.
     Rara pétala rosada
     Adornando este buquê.

     Memem, mimada, mimosa,
     Inquieta, porém feliz.
     Linda pétala de rosa,
     Está marcando outro xis
     Nesta data gloriosa,
     Em anos primaveris.


Canção do amor eterno

O tempo do amor passado
É sempre mais que perfeito
Na saudade é conjugado
No lado esquerdo do peito

O modo do amor presente
Será sempre imperativo
Exige mais que consente
Persegue o objetivo

O número do amor futuro
Nunca será singular
Tu e eu seremos, juro,
Sempre em nossa estrada um par

O canto do amor é terno
Num conto de amor se esvai
O encanto do amor eterno
Enquanto a canção não sai...

Niterói, setembro de 2014
Rodolfo Barcellos