Para dar uma ideia, o casamento de Kate Middleton com William of Wales movimentou uns 25 milhões de Euros. As Olimpíadas de Londres, uns trinta bilhões de reais. A Copa na África do Sul, cerca de dois bilhões de dólares.
Os números foram obtidos na Internet, e eu não vou perder tempo verificando a precisão dos mesmos ou convertendo moedas diferentes para comparar diferentes situações. Mas acho que todos concordam comigo: é muita grana.
Também não quero embarcar na canoa furada dos druidas que profetizam e quantificam gastos astronômicos para a Copa de 2014 ou as Olimpíadas de 2016. Está na cara que vai ser outra nota preta.
O que não entendo é essa polêmica sobre se o Brasil tem condições econômicas de "bancar" tais eventos, ou se não seria mais aconselhável destinar os recursos para a Educação, Saúde etc.
Gente, dinheiro não é material de consumo! Não se queima com o uso, como um fósforo! Dinheiro circula!
Então, o que realmente importa é de onde vem e para onde vai o dinheiro, e o que acontece nesse caminho dele.
No "Casamento do Século", o dinheiro que saiu dos cofres públicos foi parar no bolso de costureiras, doceiras, decoradores, motoristas e trabalhadores em geral. Daí saiu para as despesas do dia a dia, incluindo médicos, professores e moradia (leia-se Saúde, Educação e Habitação - na esfera privada). E a cada passo desse caminho, uma parcela, sob a forma de taxas e impostos, retornava ao Erário - às burras da Coroa - fechando o ciclo e reforçando o orçamento da Saúde, Educação e Habitação (entre outros), na esfera pública.
Coisa parecida aconteceu nas Olimpíadas de Londres. E em ambos os eventos, houve o aporte de recursos de fora, via turistas e cessão de direitos de televisão. Se você acompanhou os acontecimentos pela TV, contribuindo para o aumento do IBOPE das emissoras que cobriram os eventos, você bancou uma pequenina parcela daquela grana toda. Ou você acha que não paga a TV aberta? Você paga consumindo produtos nela anunciados.
Na África, foi quase igual. Mas uma certa desorganização, devida à inexperiência na promoção desses megaeventos, reduziu os benefícios paralelos. E consta que o governo de lá ainda está tapando alguns buracos.
E como será no Brasil? Como será no Rio?
Bem, dificilmente atingiremos a perfeição demonstrada pelos britânicos, mas acho que poderemos superar nossos irmãos africanos... se não formos derrubados por um inquietante detalhe: as cuecas.
![]() |
| Foto minha. Pouca grana para ilustrar convenientemente a matéria... |
Os doutores em Economia ainda estão estudando a patologia dessa curiosa moléstia que aflige as finanças tupiniquins. Já se sabe, por exemplo, que a infecção existe há muito tempo, mas estava incubada; e a causa dos virulentos surtos recentes ainda não é bem conhecida. Mas se quisermos assegurar um futuro de sucesso para nossos megaeventos, o tempo urge. E na falta de uma vacina a curto prazo, devemos proceder à imediata profilaxia das cuecas e congêneres.
Falar nisso, as eleições estão aí... isso me lembra: hora de conferir as griffes, modelos e cores preferidas pelos candidatos e como anda a procura no comércio por meias, cuecas, calcinhas e moda íntima em geral...
Votem bem, amigos... não permitam que as cadeiras das nossas honradas assembleias municipais sejam contaminadas por cuecas e calcinhas esburacadas e corrompidas. Salvemos a Copa e as Olimpíadas!
(Se ainda houver tempo...)
