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sábado, 24 de julho de 2010

Evolução estranha

- Nosso planeta solidificou-se há uns 4,5 bilhões de anos. Um bilhão de anos depois, surgiu a vida. Se por geração espontânea, milagre divino, contaminação cósmica ou intervenção alienígena, discutiremos em outra ocasião. Vamos nos limitar aqui a acompanhar a evolução dos seres vivos desde então.
- Às primeiras formas de vida, chamamos "primitivas". Mas "primitivo" significa "anterior", não "inferior". Sabemos que os peixes cartilaginosos são anteriores aos peixes ósseos; e os tubarões são um exemplo de peixe primitivo que não precisou de grande evolução para ser um sobrevivente muito bem-sucedido.
- Se você estivesse para ser abandonado numa ilha deserta e lhe fosse permitido escolher algumas armas e ferramentas, qual seria a melhor escolha? Rifle ou faca? Furadeira ou martelo? Serra elétrica ou serrote?
- A opção é clara. Objetos primitivos são a escolha óbvia para sobreviver num ambiente selvagem, sem apoio logístico.
- Durante 3,5 bilhões de anos, os organismos "primitivos", simples e microscópicos, evoluiram e se multiplicaram, diversificando-se até dar origem a incontáveis espécies - das quais 99% pereceram no meio do caminho, vítimas da Seleção Natural. Essa evolução dos seres vivos através das eras consistiu em modificações do organismo - mudanças internas, portanto.
- Mas há uma espécie em particular que parou de evoluir biologicamente já faz um bom tempo. Por motivos ainda desconhecidos, há uns 300.000 anos o bicho-homem transferiu seus passos evolutivos para o ambiente externo. E desde então, as etapas evolucionárias desse curioso bípede são conhecidas como "idade da pedra", "idade dos metais", "era atômica", em contraste com os peixes e demais seres vivos.
- Evolução significa adaptação, mas não adaptabilidade. De fato, um organismo adaptado a um novo tipo de ambiente tem grande dificuldade para reverter à condição anterior, se necessário. Focas, pinguins e ursos polares já não suportam o clima tropical onde seus ancestrais viviam, e dificilmente sofrerão qualquer adaptação evolutiva nesse sentido, por conta do aquecimento global. Caso o aquecimento continue, seu destino mais provável é a extinção.
- Só o bicho-homem, com sua evolução sui-generis, extra-corpórea, desfruta de uma adaptabilidade quase universal. Mas há um preço a pagar. A "Evolução exterior" reduziu a necessidade de adaptações biológicas (Evolução interior) e sem esta última, nosso organismo fica mais e mais dependente da parafernália tecnológica a que nos escravizamos.
- Hoje, poucas comunidades usam objetos primitivos como instrumentos preferenciais na sua luta pela sobrevivência. Algumas o fazem por imposição da natureza ou limitações próprias (esquimós, índios selvagens, aborígenes australianos etc), outras por opção cultural (os "Amish", por exemplo). São essas que garantirão, talvez, por sua adaptabilidade, a sobrevivência do Homo Sapiens, no caso de fracasso desta linha evolutiva antinatural.