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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dia de Reis

     Para fechar esta série natalina, o Sete Ramos republica hoje seu post de um ano atrás.

     Em 6 de Janeiro, com a celebração da Epifania (Manifestação), ou Dia de Reis, encerra-se o ciclo das festas natalinas. Na verdade, a reforma do calendário litúrgico em 1969 modificou a data, deslocando-a para o segundo domingo após o Natal. Mas na cultura popular, prevalece a tradição antiga. 
     A história dos Reis Magos e da estrela que os guiou carrega um forte simbolismo. Cada Rei veio de um ponto diferente do mundo conhecido na época: Gaspar seria um oriental da Pérsia, Melchior (ou Belchior) um branco da Europa e Baltazar um negro da África ou do sul da Arábia (na época, com estreitos laços com países africanos).
     O simbolismo é claro: as três raças e os três continentes do mundo conhecido prostravam-se aos pés de um novo rei da humanidade inteira. É uma bandeira contra o racismo e a favor da confraternização universal. Um interessante excerto da Wikipédia confirma esta abordagem:
     A melhor descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” relata que Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus; Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, viera do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz.
     Quanto a seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.
     Com isso se pretendia dizer que eles representavam os reis de todo o mundo e também as três raças humanas existentes, englobando jovens, adultos e anciãos. Assim, Melquior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltasar, mirra em reconhecimento da humanidade.
     O artigo completo pode ser consultado em
     A hagiologia (estudo dos santos) romana vê os Reis Magos como bem-aventurados, portanto com o "status" de santos, mas subsistem muitas dúvidas sobre a existência histórica desses personagens. O título de "magos" tem o significado de sábios e astrônomos, ou astrólogos. Eles perscrutavam o firmamento e foram alertados pelo surgimento de uma nova estrela do que estava ocorrendo na Judéia. Encetaram viagem e chegaram juntos a Jerusalém, onde fizeram a Herodes a visita protocolar de cortesia, devida pelos notáveis estrangeiros ao governante do país visitado. Suas perguntas sobre o nascimento de um novo herdeiro real perturbaram Herodes - o rei-fantoche entronizado pelos conquistadores romanos - e isso precipitou os acontecimentos que culminaram na tristemente famosa "matança dos inocentes" e na fuga de José e Maria, com o Menino, para o Egito.
     O Dia de Reis é uma festa importante nas tradições européias, principalmente nas vertentes ortodoxas da cristandade   As tradições associadas à data são riquíssimas. É tão viva a tradição em certos países europeus que é só nesse dia que as três figuras são colocadas no presépio. As crianças colocam os sapatos nas janela, com capim para os camelos dos Reis, e recebem presentes como recompensa.
     Na Itália, e posteriormente na Espanha e em Portugal, a liturgia da Epifania suscitou no imaginário popular a figura da "Bifana", espécie de bruxa do bem, que distribui nesse dia presentes às crianças - como se fazia antigamente em nosso país, antes que a magia da feiticeira européia fosse derrotada pelo mercantilismo do Papai Noel ianque.
     A data também marca o dia de se desmontarem presépios, árvores e ornamentações natalinas em geral.
     No Brasil, a tradição vem enfraquecendo ano a ano. Ela persiste ainda nas tradições regionais, como a "Festa dos Santos Reis", a "Folia de Reis", o "Reisado" ou o "Terno de Reis", e em certas famílias mais apegadas às tradições, que ainda curtem, entre outros, o hábito de saborear o "bolo de Reis", ou "Bolo Rei", às vezes com o anel, ou a ervilha - ou ambos - escondidos no seu interior, para sorteio de prendas ou definição de tarefas para a festa do próximo ano (o anel hoje é proibido na União Européia, para evitar acidentes).
     Não cabe, neste espaço restrito, uma descrição mais aprofundada do tema; entre os muitos "sites" pesquisados, recomendo que o leitor interessado nas manifestações populares brasileiras visite
para mais informações, ao som de uma bela música regional.
     E com o encerramento do ciclo natalino, também encerro, com este artigo, esta série. Aos que vêm me acompanhando desde novembro, meu agradecimento. E a todos, o Sete Ramos de Oliveira deseja um feliz Ano Novo.