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sábado, 29 de setembro de 2012

Para Milene



Alagoana,
Sinto saudades de ti.
Sabes? Deixei meus dedos
Dançarem sobre o teclado
Para escrever o recado
Que eu quero deixar aqui.

Alagoana,
Sinto saudades de ti.
Sabes? O teu perfume
Chegou-me através do vento
Que, caprichoso e atento,
Trouxe notícias daí.

Confirmou que tu me amas, alagoana,
E eu que nunca confiei
Nos devaneios da brisa
Desta vez acreditei.

Ama-se, e oh! alagoana,
Ah, Maceió!
Como se ama
Em Maceió!

Sabes, alagoana?
A primavera vem por ti.
Há sete dias passados,
As luzes furta-cores do equinócio
Vieram dançar comigo, ao por do Sol.
E um reflexo rosado
Num tom radioso e dourado
Segredou-me: É por ela que viemos.

Confirmou que tu me amas, alagoana,
E eu que nunca confiei
Nos reflexos das luzes
Desta vez acreditei.

Eu não sabia, alagoana, que meus sonhos,
Nas horas em que estou acordado,
Dormem no umbral de tua porta,
Na comunheira do teu teto,
Na comunhão das rolinhas,
Lá mesmo onde dormem os teus.

E lá, os nossos sonhos sonham juntos
Em prosas e poemas remendados
Com cobras floridas, que voam sem ter asas,
E tiram fotos do Cristo Redentor.

Confirmou que tu me amas, essa cobra,
E eu que nunca confiei
Na malícia das serpentes
Desta vez acreditei.

Por ti, alagoana, as floradas cantam e o céu se enfeita;
Por ti a terra se veste de campos,
Os campos se vestem de lírios
E os lírios se vestem de Deus.

E um serafim trombeteiro, alagoana,
Mulato de  olhos verdes,
Com rosas na carapinha,
Soprou-me forte a trombeta
Dizendo: Por ela eu vim.

Confirmou que tu me amas, esse arauto,
E eu que nunca confiei
Nas profecias dos anjos
Desta vez acreditei.

Viste hoje a Lua? Ela vestiu-se em tons de prata
E fez-se toucar de estrelas
Num luar de serenata
E disse-me que era por ti.

Confirmou que tu me amas, alagoana,
E eu que nunca confiei
Nas confidências da Lua
Desta vez acreditei.

Sinto saudades de ti, alagoana,
Sinto saudades de ti.
Mandei-te igual resposta
Na brisa, nas luzes, na cobra,
No serafim e na Lua,
Em feitio de oração;
Porém só confies nela
Se for idêntica àquela 
Que mora em teu coração.
A Lua passou em Aquário, pronta para a festa,
e deixou um recado antes de ir desfilar em Peixes...
(Foto dia 28 às 19 horas)

     Parabéns, Mi, Pétala Rosadinha, Mi_nina-ternura, Bruxinha, Mimosa, Lagarta Listrada, Milóka, Galeguinha, Miminha...
     Feliz aniversário, Milene Lima! 
     Feliz aniversário, amada nossa!
     Feliz aniversário, querida minha!

Niterói, 29 de setembro de 2012 - aniversário da Milene
Rodolfo Barcellos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Palavrão




Denise disse assim: “Você vai se reconciliar com as suas palavras, elas me fazem mais feliz”... Abri um sorriso constrangedoramente feliz e fui buscá-las de volta para o ninho.
As coisas que ela escreve eu leio e releio, degustando-lhe a agridoçura do texto como um amante que sorve, dos lábios da amada, promessas inebriantes. Vi a feira. Vi aquele bibelô sentado nos caixotes, já senhorinha das palavras, ouvidos atentos no biscato das falas daquela Babel - falas com que nos encantaria um dia.
Sim, li e reli. E lá pela segunda ou terceira releitura, engasguei-me com aquele delicioso "constrangedoramente" logo no segundo parágrafo.
Não fui questionar Aurélios e Houaisses. Se for neologismo, é dos bons, vindo de onde vem, e as letras arapiraquenses terão acrescentado a esta castigada última flor do Lácio uma nova e bela pétala, agora mais rosadinha pelo sangue que lhe foi derramado em oferenda.
Mas não pude deixar de notar o tamanho do vocábulo. E ocorreu-me compará-lo a outros de grande calibre. Lembrei-me do famoso "anticonstitucionalissimamente" -  acho que ainda considerado o maior de nosso idioma - e botei um ao lado do outro, para uma disputa a partir das origens. Então, dado o tiro de partida, acompanhemos volta a volta:
Primeira volta:
Constitucional - 14 letras
Constrangedor - 13 letras
O campeão começa abrindo vantagem sobre o desafiante.
Segunda volta:
Constitucionalmente - 19 letras
Constrangedoramente - 19 letras
O desafiante reage. A disputa parece estar equilibrada.
Terceira volta:
Constitucionalissimamente - 25 letras
Constrangedoralissimamente - 26 letras
A velocidade aumenta. O campeão parece ter dificuldades para acompanhar o forte ritmo imposto pelo desafiante.
Chegada:
Anticonstitucionalissimamente - 29 letras
Anticonstrangedoralissimamente - 30 letras
Após acirrada disputa nos metros finais, o desafiante cruza a linha e rompe a faixa de chegada com um escasso corpo de vantagem sobre o campeão.
...and the Golden Medal goes to - MILENE!


Quem quiser, confira a certidão de nascimento do desafiante em
http://petalarrosadinha.blogspot.com/2012/02/segunda-de-filme-e-feira.html


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Magia e Bruxaria

"Namoro no Jardim"
Rodolfo R. Barcellos - Niterói, agosto de 2011

MAGIA


Já te fiz uns versos mancos,
Outros pouco mais sutis;
Já te mandei versos brancos,
Já te dei rimas febris.
Sou hoje antúrio-poeta,
Tu és pétalas rajadas;
Presto homenagem discreta
À tua alma inquieta,
Nestas coplas mal rimadas.
* * * * * * *
A Primavera completa
Sete casas já de Libra,
Quando a alma de um esteta
Em tua homenagem vibra;
Foi-se um ano, vagabundo,
E tu do tempo zombaste.
Teu poder hoje, no mundo,
É mais amplo e mais profundo
Sobre todos os que amaste.
* * * * * * * * * *
Recordas quando tu me perguntaste
Do simbolismo oculto em teus dias,
Em tantos noves que do fado herdaste?
Pois sem cuidar de vãs filosofias
Eu coloquei teus noves na Balança
(Porque és de Libra, querida criança)
E consultei as artes das magias.
* * * * * * *
E se não crês em bruxedos
Pedirei que tu comproves,
Perante toda essa gente,
Aritmeticamente,
Sem truques e sem segredos,
Tudo contado nos dedos,
Tirando a Prova dos Noves:


Tu nasceste às dezenove
Horas, dia vinte e nove
Deste nono mês, do ano
De um, nove, meia, nove
(Consta em tua certidão).
Pus tudo no caldeirão,
Cozinhei por uma hora,
Até levantar fervura;
E depois dos noves-fora
Cheguei a uma conclusão
Singela, porém segura:
O resultado foi UM!
E no Livro do Feitiço,
Onde não falta nenhum,
Sem sobressalto algum
Encontrei apenas isso:


"A solução aqui está:
Tu és única, querida!
Outra igual a ti não há;
És a flor estremecida,
És una, maravilhosa,
És a pétala da Rosa,
És o símbolo da vida!"

E se isso não bastasse,
Existe a Prova Real:
Houve alguém que não te amasse
Neste mundo virtual?
É claro que não, amada!
Todos estão a teus pés;
Por todos és adorada,
Benquista, idolatrada,
Só por seres tu quem és!


E as estrelas de Aquário
Ou de qualquer outra origem,
Capricórnio, Sagitário,
De Câncer, Áries, Leão,
De Peixes, Gêmeos e Virgem,
De Touro, de Escorpião,
Cantam em coro, contentes,
Nestes versos eloquentes
Em honra a Libra, a canção:


"Salve a estrela mais bela
Que no céu profundo brilha!
A Rosa dos Ventos é ela,
Norte, Sul, Leste ou Oeste,
É sertaneja do Agreste,
Das Alagoas é filha!
Linda estrela radiosa,
Seu nome próprio é Milene,
Seu oculto nome é Rosa;
É a Urna mais luminosa,
É a Rainha mais perene,
É a Pedra mais preciosa,
É a Mulher mais formosa,
É a Luz da própria Selene!"


Esta rima é dedicada
Àquela que as paixões move,
À Deusa mais preferida,
À Musa mais desejada:
És, em inglês, MY BELOVED!
Em espanhol, MI QUERIDA!
Em português, MI AMADA!


Parabéns, Mi.


     Niterói, Setembro de 2011
     Rodolfo Barcellos



BRUXARIA


Já faz um ano - eu me lembro:
Vinte e nove de setembro
Do ano dois mil e dez;
Uma sertaneja amada,
Galeguinha arretada,
Meteu as mãos pelos pés.

Beijou um sapo de pano,
Querendo naquele ano
Um príncipe pra festejar;
Mas quase levou a breca;
Virou uma perereca
E se pôs a espernear.

Pra sua sorte um bruxo
Segurou todo o repuxo
Gritando: "Sassevasá"!
Fez-se o feitiço às avessas
E aquelas formas travessas
Como mulher estão já.

E relembro com saudade
O início da amizade
Que ela diz ser "tão bacana",
Quando dediquei-lhe um verso
Que cruzou o universo:
À MIMOSA MARCIANA

Se você fosse nascida
Num planeta mais distante,
Certo teria um vida
Diferente, interessante.

Em Marte você nascesse,
Vinte quilos pesaria;
Leão, sim, seria esse
Seu signo e companhia;

Pois no calendário deles
Em seu dia, e mais nenhum,
Era dezesseis do Jarro
De mil e cinquenta e um

A Terra solta em Câncer,
Sol e Vênus em Leão,
Saturno sozinho em Touro,
Netuno no Escorpião.

Festa na casa da Virgem,
Mercúrio, Ceres, Plutão;
Júpiter e Urano em Libra,
Faça as continhas, então:

Como lá hoje é o Arqueiro
De mil e setenta e três.
Você só tem vinte e dois!
Mas ora vejam vocês!

Dois patinhos na lagoa...
Você fica bem na foto,
Seja em disco voador,
Seja em garupa de moto.

Mas hoje - na bola eu vejo - 
Contra todo o meu desejo
Lá também caiu um pano;
E, portanto, neste ensejo
Hoje é o mês de Caranguejo,
Mil e setenta e quatro é o ano.


Tu tens vinte e três aninhos,
Pesas vinte e três quilinhos
Na gravidade de lá;
Mas como estamos na Terra,
O meu cálculo se encerra;
Parabéns! Um, dois, três... JÁ!


     Niterói, Setembro de 2011
     Rodolfo Barcellos