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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Para uma mulher triste

     Para uma mulher triste. E danem-se a métrica, a rima e as regras. Esse é pra você.


Pois escolheste, amada minha, estes caminhos?
De ásperas pedras, de duros espinhos...
Não viste as sendas de pétalas cobertas?
Ou vendo-as, delas te desviaste por vontade?

Sim! buscaste uma aventura rara,
Por curiosa sobre a mente humana;
E sabes hoje que essa mente insana
Custou-te a sanidade... jóia cara! 

Vês os fantasmas? os monstros temíveis?
As almas perdidas na escuridão?
Vês os ódios escondidos, os tormentos?
Vês o fruto amargo da devassidão?

Perséfone amada! Tu o provaste!
E agora, que no inferno mergulhaste,
Estende a mão e toca o meu amor,
Que temeroso vem para te resgatar;

Pois noutro páramo, eu te asseguro, existem
Seres iluminados que te amam
E que por ti querem deixar-se amar.

E se tu choras, choro eu também contigo;
E terás sempre em mim um peito amigo,
Um coração para te abrigar.

Vem, amor! Desvia o olhar da lama,
Do sofrimento, da dor, da podridão!
Confia teu destino a quem te ama,
Entrega teu futuro a teu irmão!


A poesia não tem dono. É de quem necessita dela. (Pablo Neruda)
A poesia não tem hora. É pra quando calhar bem. (Paráfrase minha)