Após ter cumprido uma pena de dez dias no purgatório da ausência de sinal (mas que será que eu fiz de errado?), eis-me de volta ao paraíso que é o convívio com meus amigos do Blog. Ainda vou demorar um tempo para me por em dia, mas a gente chega lá. Enquanto isso, quero contar uma historinha - um causo.
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Os "anos dourados" estavam se despedindo, mas ninguém percebia isso. O "twist", o bambolê e o "hully-gully" disputavam popularidade com os Rolling Stones e The Mamas & The Papas, Tijuana Brass, Rita Pavone, a Jovem Guarda de Roberto, Wanderléia e Erasmo e, é claro, os Beatles.Uma turma alegre de amigos reunia-se habitualmente num armazém de secos e molhados, numa esquina do Campo do Galvão, em Guaratinguetá, para bebericar uma pinga de primeira, contar "causos" e jogar porrinha - ou palitinho, como preferem alguns. Recém-admitido no restrito grupo de marmanjos, o jovem sargento Barcellos enfrentava seus primeiros desafios para conquistar seu lugar na turma. E por obra da sorte ou da conivência dos demais, havia chegado à final do jogo de porrinha, e enfrentava agora o outro finalista - um senhor magro e grisalho, famoso jogador dos palitinhos. Competia a este dar o primeiro lance.
- Seis! - "cantou" o meu adversário, com voz confiante.
E agora? Meu punho fechado estava vazio, e a pedida lógica seria "três". Mas desconfiei daquela facilidade aparente. O fulano, sabendo que seria o primeiro a apostar, jamais iria pedir "seis" sem segundas intenções - seria o mesmo que declarar "eu tenho três palitinhos na mão"... não, ele queria forçar meu erro, mesmo ao preço de errar também... é, ele queria é minar minha confiança para uma disputa-desempate subsequente.
Resolvi arriscar tudo.
- Lona!
Um murmúrio cresceu ao redor. Mostrei minha mão vazia, e após uma leve hesitação, ele abriu a sua. Também estava vazia.
Após os cumprimentos e felicitações, o perdedor mandou abrir uma garrafa da pura.
Entendi. Derramei no chão metade do conteúdo do meu copo, exclamando:
- Para o Santo!
Os demais responderam "Saúde", ou "Ao Santo", e num só gole esvaziamos nossos copos.
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Sacrificar os primeiros frutos em holocausto a uma entidade superior é prática milenar em quase todas as culturas. Embora pareça estranho à mente moderna e pragmática, este aparente "desperdício" tem suas funções sociais - independentemente de crenças ou descrenças religiosas. A principal, creio, é psicológica: habitua-nos a ser gratos pelo que nos dá a natureza e ensina-nos a aceitar com serenidade o sentimento de perda.Podemos ler no Êxodo: “As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à Casa do Senhor, teu Deus; não cozerás o cabrito no leite de sua mãe”. – Êxodo 34:26
E nos Provérbios: “Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares”. – Provérbios 3:9,10
Li, não me lembro onde, que após os sacrifícios a carne era distribuída entre os pobres. Mais uma função social...
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Entre os amigos que receberam ou receberão um exemplar autografado da primeira edição de "O Outro Nome da Rosa" haverá os que se julgam na obrigação de remunerar o autor. A esses, peço que escolham uma obra social próxima de cada um e efetuem, em meu nome, uma doação de R$ 30,00 - ou equivalente. Ficam valendo como primícias. As próximas edições - havendo-as - serão comercializadas normalmente. Eu agradeço.E quem ainda quiser encomendar o seu, restam poucas primícias. Por favor, enviem os dados necessários para rblivro@hotmail.com - incluindo endereço postal completo, com CEP - e aguardem o retorno. Obrigado.