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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Luzes da Ribalta

- Não gosto de teatro e não gosto de ópera. Acho que nasci com um defeito de fabricação sem "recall" e sem conserto, que me provoca uma espécie de indiferença - às vezes, aversão - pelos espetáculos da ribalta.
- Não que eu não valorize os profissionais do palco. Como bem frisou o Jair, eles não têm o recurso cinematográfico do "Corta! - Tá uma merda! - Vamos gravar de novo!". Não, eles têm que desempenhar seu papel à perfeição, dia após dia, enquanto dure a temporada.
- Mas há um tipo de espetáculo "de palco" que aprecio muito: é a apresentação de corais. As vozes em harmonia de homens e mulheres de diversas idades e classes sociais são para mim uma melodia celestial, um verdadeiro retrato da confraternização que todos gostaríamos de ver pelo mundo... e isso me lembra  um certo "post" no "Relicário" da Milene, com um coral universal cantando Stand by Me.
- De qualquer modo, o canto coral me reconciliou com algumas árias operísticas, mesmo cantadas em solo. Destas, as que mais me tocam são aquelas de tom intimista, como a do ciclo
"Canções de Sir Walter Scott", de Schubert (título original Ellens dritter Gesang, D.839 - também conhecida como "A Dama do Lago"), que deu origem à sua famosa "Ave-Maria". E tem uma ária em "Sansão e Dalila", de Camille Saint-Saënz, cuja segunda parte é, no mínimo, enternecedora. O nome da ária é "Mon coeur s'ouvre a ta voix"; aperte o nariz da Maria Callas para ouvi-la:


- Imaginando como ficaria essa última parte num canto coral, meti-me a fazer uma letra em português para ela:

Sim, eu te amarei...
Eu te amarei por toda a vida!
Sim, eu te amarei
Na derradeira despedida!
Todo o meu coração
Se abre ao teu amor,
Como pela manhã,
Ao beijo do sol se abre terna a flor.....
Sim, eu te amarei,
Eu te amarei,
Amor...


- Não sou musicista e não posso julgar o valor da adaptação para corais ou sua viabilidade; mas, na qualidade auto-assumida de poeta menor, acho que a letra não é de se jogar fora.