Se...
Se eu fosse uma árvore
Se eu fosse uma árvore
Caminharia, ao por do sol,
Até à beira da praia,
Às margens do Oceano,
Aos limites da Terra Conhecida.
E lá me inclinaria para beber,
No sal da água,
Toda a sabedoria do mundo
E a Ciência de mil Universos;
E faria pose para um fotógrafo vagabundo
Sabendo que tu me escolherias
E me colherias
Para consolar-me em acalantos,
Para embalar-me em teus versos,
Para me dormires em teus cantos,
Para me perderes em teus risos,
Para me encontrares em teus prantos.
Se eu fosse uma árvore
Eu te entregaria a minha última semente,
E tu me plantarias em teu jardim
(Ou em um pomar)
E cuidarias de mim
E me darias tua água,
Saciando minha sede,
Mitigando minha mágoa.
Podarias também meus defeitos,
Os meus galhos ressequidos,
Os meus ramos imperfeitos,
Os meus frutos apodrecidos,
Guardando-os, com cuidado,
Para te aqueceres nos teus dias frios.
Se eu fosse uma árvore
Eu lançaria sobre ti,
Apaixonadamente,
A minha sombra mais refrescante,
E te daria meus frutos mais doces
E as pequeninas flores amarelas e perfumadas
Que por vezes me brotam no outono.
E acolheria nos meus sete ramos os ninhos
De teus mais queridos passarinhos,
O Sabiá-Laranjeira,
O Beija-Flor,
O Canário-da-Terra,
A Rolinha Fogo-Pagou
A Rolinha Fogo-Pagou
E o Bem-Te-Vi.
E numa Samambaia-bailarina,
Pendurada por ti no meu galho mais baixo,
Viveria alegre
Um casal de Sebinhos.
E tu adormecerias à minha sombra,
Descuidada e feliz,
Entre os perfumes de mil flores,
Esquecida das dores,
Ao som do murmúrio do vento em minhas folhas
Sentindo a carícia da brisa em tua face,
Ouvindo o gorjeio das aves ao teu redor,
Sonhando teus sonhos de paz e de amor.
Sonhando teus sonhos de paz e de amor.
E quando chegasse o tempo de nosso inverno final
Eu me desfaria silenciosamente em pequenos gravetos
(Sem que tu percebesses),
Para alimentar o fogo na lareira de tua velhice.
E em teu olhar cansado brilhariam reflexos de mim,
E tu sorririas, feliz...
E Deus sorriria para nós,
E a vida seria gloriosa,
Se eu fosse uma árvore...
Dedico esse poema a Mellíss - a guerreira que aniversaria hoje. Feliz aniversário, Fátima.
Ah, e não posso me esquecer de agradecer à Marcinha, que permitiu gentilmente que eu roubasse, do seu "Mar de Pensamentos" - na calada da noite -, a imagem que ilustra esses versos. Obrigado, Márcia.
E à Milene, de cuja paciência eu abuso como minha consultora lírica (e como meu "back-up" nas emergências), só posso dizer que minha admiração cresce a cada dia.
Rodolfo Barcellos,
Niterói, setembro de 2011.
Nota: o "Fotógrafo vagabundo" é Carmem / Sheila / Luiz Borges. Como não há indicação de direitos de cópia, usei o critério mais comum - liberdade de uso não comercial, respeitados os créditos. Curiosamente, a foto é das margens da represa de Furnas - milhares de quilômetros distante do mar...
Nota: o "Fotógrafo vagabundo" é Carmem / Sheila / Luiz Borges. Como não há indicação de direitos de cópia, usei o critério mais comum - liberdade de uso não comercial, respeitados os créditos. Curiosamente, a foto é das margens da represa de Furnas - milhares de quilômetros distante do mar...




