quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Crescente


Internet
A cada noite mais o céu se ilumina,
E esmaece nesse brilho o cintilar
Dessas saudades de um sorriso de menina,
Dessas lembranças de um antigo e doce amar.

Pois quando vejo o teu sorriso que fascina
Cresce em meu peito uma esquecida sensação
Que, em cascatas de calor, de adrenalina,
Rejuvenesce um combalido coração.

E nesta luz que me ilumina toda a alma
Quero cantar sem ter qualquer cuidado ou calma,
Sem mais razões, explicações, sem hesitar;

E num crescendo majestoso a melodia
Do nosso amor fará a grande poesia,
À luz crescente em prata do nosso luar.

Niterói, 29 de fevereiro de 2012
às 22:21 h (lua crescente)
Rodolfo Barcellos


Este é o terceiro de uma série de quatro sonetos temáticos, programados para publicação nas datas e horas em que mudam as fases da lua, de acordo com as tabelas de efemérides astronômicas. O tema é o paralelismo poético entre as diferentes fases da lua e as do amor. 
Próxima postagem desta série: PLENILÚNIO
Em 08 de março, às 06:39


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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Conjunção

Ontem, um pouco depois do por do sol, quem teve a curiosidade de olhar para o céu pôde observar, logo acima do horizonte oeste, uma conjunção não muito rara, mas muito bonita: a Lua, Vênus e Júpiter juntos em um pequeno espaço do firmamento. Tirei esta foto com uma câmera digital sem muitos recursos. Hoje a conjunção continua, com a diferença que a Lua estará mais longe de Vênus e mais próxima de Júpiter. Mas é preciso fazer a observação logo após o escurecer, antes que os três astros se ponham no horizonte, e contar com um céu limpo e um local não poluído por poeiras, fumaça ou luzes, com visão livre para o oeste - o local onde o sol se põe.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Trovas

Trova é uma quadrinha rimada em redondilhas, sem título e com sentido completo. Gosto de usá-las como comentários às postagens mais inspiradoras de meus amigos. Este é um pequeno apanhado de alguns desses comentários. Haverá outros. 
Imagem: Kim Casali
10
Esse, querida, é o porquê:
Dia passa, passa dia,
Você nos traz a alegria
De ser mais e mais você.
9
Tu te enganas, princesa,
Pois a verdade surpreende:
Ao ver a tua beleza,
É o mar que a ti se rende!
8
Dorme, oceano... repousa;
A insônia não é para ti.
Sonhar sonhos azuis ousa,
E expõe-os em verso, aqui.
7
Teu "talvez" traz a certeza
De que esse amor não morreu,
Pois que toda essa tristeza
Brota deste peito teu!
6
Luna minguante de prantos,
Luna nova de esplendor,
Luna crescente de vida,
Luna cheia de amor!
5
É preciso estar atento
Pois não existe sineta
Que nos avise o momento
De virar a ampulheta.
4
Não sei se voei nos versos
Ou se na tua emoção;
Mas sei que os voos dispersos
Tocaram meu coração.
3
Onde a Terra e o Céu se fundem,
Onde o Espaço abraça o Mar,
Nossos versos se confundem
Conjugando o verbo Amar.
2
E imóvel, você escorre
Entre o zênite e o nadir;
Querendo morrer, não morre
E fica, querendo ir.
1
Além dos vales e montes,
Lá onde está teu sorriso,
São lá os teus horizontes,
Nos umbrais do Paraíso!

Niterói, fevereiro de 2012
Rodolfo R. Barcellos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Nova


Em plena escuridão está envolto o mundo.
Fugiu do céu a lua, e tu também de mim.
Brilham mil diamantes no espaço profundo,
Lembranças de momentos que tiveram fim.

Mas eis que lentamente, acima do horizonte,
Nasce um sorriso leve, uma foice de luz,
Trazendo-me esperanças de uma nova fonte
De carinho que afaga, de amor que seduz.

Mas inda luzem fortes, no meu firmamento,
Saudades e lembranças do amor antigo,
Dores que não se vão em tão curto momento;

E entre a luz passada e a que inda é futura,
Entre o refúgio novo e o costumeiro abrigo,
Meu coração hesita nesta fase escura.


Niterói, 21 de fevereiro de 2012
às 20:34 h (lua nova)
Rodolfo Barcellos


Próxima postagem desta série: CRESCENTE
Em 29 de fevereiro às 22:21 h

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

No silêncio

     Ela disse que gostaria de declamar um poema - e eu me lembrei de um sonetinho que tinha feito a partir de um texto dela. Mas quando a poesia cresce dentro da alma, é difícil segurar a inspiração, e os versos foram saindo, e saindo, e saindo.
     Mandei-lhos, com o fundo musical do toque militar de silêncio, que tanto marcou minha vida nos quartéis. Mas a filhota dela disse que o "Silêncio" soava lúgubre; assim, transformei o silêncio presente em vozes do passado, substituí cornetas melancólicas e tristes clarins por uma orquestra vibrante e trouxe, com o imortal Carlos Gomes, uma "Alvorada" para alegrar os corações silenciosos.




NO SILÊNCIO

No silêncio escutei a voz dos ventos
E dos suspiros.
No silêncio ouvi tristes pensamentos
Que não são meus.
O Tempo sussurrou-me seus segredos,
Gotejando em segundos que escorreram
Como lágrimas na face da Eternidade.

E os murmúrios que jorraram dessas fontes
Esvaíram-se em mil constelações,
Em estrelas que brilharam silenciosas,
Eternamente mudas,
No olhar parado da minha solidão.

Busquei cantigas que há muito se perderam
Na bruma espessa da saudade antiga,
Na voz de meus amores que se foram
Para onde?
Para onde o amor se esconde.

No silêncio se abrigaram os gemidos,
Os murmúrios que escaparam dos lençóis,
As promessas que duraram um momento,
E as juras com prazo de vencimento
De amores que fugiram... há quanto tempo?

No silêncio Deus me fala, e eu escuto
A voz que não é mais da solidão.
No silêncio Deus me olha, e eu vislumbro
A luz que agora vem da escuridão.

SUSPENSE E PROFECIA

O Tempo para,
E ouço cantigas que voltaram do passado
Nas asas do silêncio.

A ALVORADA

Mas, eis! O Tempo fecha o seu ciclo
E o céu no oriente, pouco a pouco,
Expulsa de si mesmo a escuridão;

E a luz da Alvorada engolfa o mundo
E cresce em cores a cada segundo
E afugenta-me da alma a solidão.

E junto à escuridão vai-se o silêncio
Nos gorjeios de pardais e sabiás
No zumbir inquieto e forte dos insetos.

E quando o sol desponta no horizonte
E seu primeiro raio, mensageiro,
Busca o mais alto píncaro do monte,
Beijando a flor, que se abre por inteiro,
Rasga-se enfim a bruma de tristeza
Que me envolvia o coração silente;
E minha alma canta toda a beleza
Do amor que chega, poderoso e ardente!

Rodolfo Barcellos
Niterói, fevereiro de 2012
(Para a declamação da Denise)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Minguante


Onde a paixão? Onde estará, insano e ardente,
Aquele amor que incendiava cada noite?
Foi-me o desejo. A ânsia louca também foi-te;
Em cinzas frias fez-se a brasa antes candente.

Se bem nos reste ainda um aconchego morno,
Não sobreviverá ao fim do nosso estio;
Não nos dará calor quando chegar o frio,
Ao extinguir-se o lenho último do forno.

E vai minguando o amor, o encanto e a magia.
Não mais os nossos corpos, em mútua poesia,
Entoarão o canto do febril desejo.

Cada lembrança doce virará saudade.
Talvez nos reste ao fim alguma amizade,
Talvez o nosso adeus sequer mereça um beijo.

Niterói, 14 de fevereiro de 2012
às 15:03 horas (lua minguante)
Rodolfo Barcellos


Próxima postagem desta série: NOVA
Em 21 de fevereiro, às 20:34

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

IMENSOS PEDAÇOS DE AMOR

Amigo é assim, chega à casa do outro, pega a chave embaixo do vaso e entra sem cerimônia alguma. E quando ele não está presente, espalha bilhetinho de amor por cada canto, escancara a porta e convida a todos para um derramamento de amor vindo de longe, de perto, daqui, dali...  A ideia é misturar sons e cores, bilhetes e rimas, na tentativa de promover um imenso abraço virtualmente real para esse homem a quem todos adoram amar.

Mago? Bruxo? Quem hoje aniversaria nos permite a magia que é fazer parte de sua vida, enfeitiçados pelas suas generosas demonstrações de afeto. Viemos celebrar com a tua parte poeta, e já que abrimos a porta, lembramos que o cofre guarda preciosidades como esta que escolhemos para te homenagear. Palavras... versos... vozes... são ecos do poeta.

Quando o amor não coube mais dentro do peito, ele resolveu abrir estradas e construir pontes. Abrir portas e estender as mãos, num gesto amplo, puro e fiel. Em campo aberto nos convida diariamente, distribuindo tenros ramos de oliveira, cobrindo-nos de flores e mimos. Mais que gratos, estamos felizes e com sorte por tê-lo como amigo...

Me deste a chave, lembra? Então eu, Denise e Lu viemos bagunçar tua casa, fazer sopa de letrinhas no teu caldeirão, bruxo querido! Dizer do nosso amor, respeito, admiração e amizade, representando todos os teus amigos que certamente gostarão de compartilhar desse momento... É bom você nos ouvir atentamente. É bom que receba nossos beijos e afetos. É bom!

Salve, Rodolfo Barcellos!
Jamais se perca de nós...






PEDAÇOS

Pedaços de mim, esquecidos
Nas horas perdidas das noites...
Nas tardes chuvosas do outono...
Nas ondas profundas do mar...

Pedaços de mim são crianças
Sem teto e sem esperanças,
Sem pais, sem amigos, sem sonhos,
Seus olhos molhados, tristonhos.

Pedaços de mim, espalhados
Por tantas esquinas da vida,
Por tantas pessoas amadas,
Por tantos lugares passados.

Pedaços de mim são soldados
Vencidos de dor, mutilados,
Famélicos, tristes, cansados
De lutas que não são as suas.

Pedaços de mim são saudades
De tempos de serenidades,
Sem lutas, derrotas e mortes,
Que em guerras vitória não há.

Pedaços de mim, derramados
Em juras de amor olvidadas,
Em beijos tão desesperados,
Em lágrimas mal enxugadas.

Pedaços de mim são as preces
Dos anjos por seus protegidos,
Dos pais por seus filhos drogados,
Das mães por seus filhos perdidos.

Pedaços de mim, sequestrados
Por tantas lembranças queridas,
Por tantos retratos guardados,
Por tantos carinhos trocados.

Pedaços de mim, sepultados
Nas tumbas profundas da alma,
Nas mil covas rasas da vida,
Na cripta escura da dor.

Pedaços de mim...
Folhas arrancadas...
Páginas queimadas...
Promessas rasgadas...

E assim,
Aos poucos me despedaço,
E em cada verso que faço
Vai um pedaço de mim...

Recolhe tu meus pedaços
E guarda-os no teu coração,
Se lá ainda houver espaços
Para amor ou compaixão.

Pedaços de mim...
Pedaços de ti...
Pedaços...


Rodolfo Rodrigues de Barcellos
Maio de 2010

                   


OBRIGADA AO DJ CLAYTON
PELA GENEROSA ASSISTÊNCIA
 ÀS MUSAS CONFUSAS...