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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Guardião Cativo



Naquelas noites calmas de céu cintilante,
Decerto tu não sabes, mas quando adormeces
Serenamente, logo após as tuas preces,
Um leve vulto se aproxima, hesitante.

Qual anjo protetor, atento e vigilante,
Ao pé de ti, quieto, depõe suas benesses,
Os novos sonhos que ainda não conheces,
Para alimento de teu sono confiante.

Esse anjo mudo, amada minha, é meu zelo
Afugentando qualquer triste pesadelo
Que te perturbe a alma enquanto estás dormindo;

Que junto a ti tresnoita, neste forte anelo
De atender de pronto a qualquer teu apelo
Só por ganhar-te este sorriso doce e lindo!

Niterói, janeiro de 2012
Rodolfo Barcellos

sábado, 14 de maio de 2011

Ode à Noite



A noite possui belezas
Que a luz do dia esconde;
E guarda minhas tristezas
Numa estrela, não sei onde.

A noite contém silêncios
Que só se ouvem no escuro;
Os sons não escutes: pense-os,
Pois eles vêm do futuro.

A noite mostra pecados
Que se ocultam de dia
E traz-me os teus recados
Na luz de uma lua fria.

A noite canta cantigas;
Algumas são acalantos
Outras são trovas antigas,
São risos, olhares e prantos.

A noite escreve palavras
Com escrita tão serena
Como aquelas que tu lavras
No papel, com tua pena.

A noite escuta juras
Em segredo proferidas
Pelas vielas escuras
Por tantas almas perdidas.

A noite esconde mistérios
Que só encontram guarida
Nos seus espaços etéreos
Entre as neblinas da vida.

A noite compõe canções
Onde as estrelas são rimas,
Versos são constelações,
Galáxias são obras-primas.

A noite liberta os sonhos
Que de dia estão cativos;
E eles voam, risonhos,
Como pensamentos vivos.

A noite alimenta a alma
Sacia a sede de amor;
A ansiedade acalma,
Cala qualquer dissabor.

A noite conduz o amante
Aos braços da bem-amada;
E é companheira constante
Da alma enamorada.

O sol nunca viu a noite;
Pois quando ele o céu invade
Vem o dia, e o dia é açoite
Do olvido e da saudade.


Vem, noite! Traz-me o momento
Do sonho-realidade,
Da verdade-fingimento,
Da escravidão-liberdade!


Traz-me algum abraço amigo,
Um carinho verdadeiro;
Traz-me aquele amor antigo
Ou um novo amor fagueiro;


Dá-me abrigo e tugúrio
Contra as ciladas do dia;
Diz-me num doce murmúrio,
Como ela me diria,


Que tu és a confidente
Dos segredos mais sagrados;
És cúmplice e conivente
Dos amantes namorados.


E em tua hora derradeira,
Ao romper da alvorada,
Eu te amarei por inteira
Nos braços de minha amada.


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