Da mesma forma, a aceitação "legal" de minorias étnicas ou religiosas por uma sociedade não implica no resgate automático de sua dignidade social. O Zé, o Bastião e a Benta continuam malhando o Judas no sábado de aleluia e culpando a Raquel, a Ester e o Zebedeu pela morte de Jesus Cristo e do filho do Faraó. O Mané, o Jão e a Maria continuam pegando no pé do Chico, da Iara e da Iracema, por causa de seus olhinhos puxados e de sua pele avermelhada. E que dizer dos homossexuais, dos ciganos e de tantos outros?
Esses grupos e povos têm sofrido uma espécie de "bullying" histórico, através dos séculos e dos milênios. Não admira que vários dos seus membros se mostrem hipersensíveis a certas manifestações culturais tidas como simples "tradições populares", ou a colocações de opiniões que, mesmo sendo corretas em sua essência, dêem margem a interpretações dúbias ou tendenciosas. Não é fácil conviver com esse tipo de "bullying", e não sei se há tratamento para isso. Lamento.




