segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pensamentos meus

*  *  *  *  *
Às vezes, conversando com meus botões, eles me surpreendem com frases inesperadas. Outras vezes essas frases surgem como comentários aos textos dos amigos ou mesmo em conversas no MSN. Aqui vai uma batelada delas...


*  *  *  *  *
Não acredito em religiões que me neguem o direito de falar diretamente com Deus. Acredito menos ainda nas que querem proibir Deus de falar diretamente comigo.


Há verdades eternas, por todos sabidas, mas que carecem ser repetidas para serem vividas.


No balancete do passado não se contabilizam sonhos. Esses devem ser lançados na conta do futuro, sob a rubrica "realizável".


Para sermos iguais, basta sermos diferentes dos que não aceitam as diferenças entre os iguais.


Sentir-se diferente é muito diferente de sentir-se indiferente. O indiferente é solitário por natureza. O diferente é igual na comunhão das diferenças.


Amizade é aquele elo inexprimível que desculpa o indesculpável e dispensa explicações para o inexplicável.


O mais belo poema, o mais profundo pensamente, a mais sublime verdade nada são, se escritos com tinta da mesma cor do papel.


Felicidade é o nome de um peixinho dourado que gosta de nadar pelo céu azul.


Dinheiro não tem bandeira, não tem  alma, não tem consciência, não tem pátria, não tem ideologia. Foi concebido assim pelo homem para ser seu escravo. Mas em algum ponto trágico da História, o escravo se rebelou, e hoje o homem se vê servo e refém de sua própria criatura.


A cultura da nossa atual sociedade nos impõe o uso de máscaras. Use-as o mínimo possível - elas machucam muito.


Quando acaba uma poesia, a gente começa outra!


"Solidão" é o nome do ponto de encontro que marcamos conosco mesmos antes de nos perdermos no bulício das multidões.


A vida não se mede em anos ou minutos, mas em emoções e sentimentos.


O tamanho do teu mundo é medido pelo número de teus passos. Caminhar é preciso.


Quando o diabo de anjo se finge,
Quando o Mal usa as vestes do Bem,
Ao incauto o engano atinge
E às vezes ao sábio também.


O amigo sincero muitas vezes sente que é tempo de ficar em silêncio... para que sua presença confortadora seja melhor percebida entre as altissonantes palavras dos hipócritas.


A melhor parte de mim é a criança que fui. Sim, fui uma criança feliz. Por isso quero fazer o que puder para que a criança que já não sou dê alegria às crianças que ainda são.


Olho para uma criança e me vejo no passado. E peço a Deus que ela, olhando para mim, possa ver um pouquinho de si no futuro.


O amor é a chave de tudo, a chave mestra. Assim, tanto pode libertar como enclausurar. Depende do sentido em que giramos a chave.
Mas se a perdermos... babau!


A arte - sob qualquer de suas manifestações - é um fator determinante na promoção da união entre os homens. Seja por parte de quem a cria, seja por parte de quem a vê e sente. Artistas, enquanto artistas, não têm bandeira, não têm fronteiras, não têm ideologia. São livres, tanto quanto podem sê-lo nesse mundo cheio de jaulas, gaiolas e cadeias.


A arte é uma chave que só gira em um sentido: o de abrir.


Felizes são aqueles que caminham sem cuidado,
Lançando às mancheias as sementes pelo chão;
Nem todas ao cair sempre terão em flor brotado,
Mas muitas ao passante com certeza alegrarão.


Tudo o que sei me foi ensinado por outros, que também aprenderam. E por isso sei que a fonte do conhecimento transcende a natureza humana. Mas quem me ensinou isso?


É no inverno que se planta a seara que nos alimentará na próxima safra. Assim também, é nos tempos difíceis que se reconhece e se consolida a verdadeira amizade.


A beleza do verso vem da pena do poeta; a emoção vem de quem o inspirou.


Quando dou por terminado um conto, uma crônica, um poema, eu não me reconheço mais. A sensação é de que o texto me escreveu, ou pelo menos me revisou. E eu renasço numa edição ampliada e atualizada de mim mesmo.


A liberdade plena não inclui o direito à escolha da escravidão - nem para si próprio nem para outrem.


Não ficarei parado, definhando à beira da estrada. Sei que jamais alcançarei o horizonte; mas sei também que nessa quixotesca tentativa de alcançá-lo encontrarei tesouros insuspeitados em meu caminho.


Há quem diga que ser feliz é ter sempre motivo para cantar. Eu digo que ser feliz é cantar sem precisar de motivos.


"Meus sonhos não jazem aqui". Seja esse meu epitáfio.


Amor sem sexo é coisa de anjos. Sexo sem amor é coisa de bichos. Eu sou gente!


O processo biológico que resulta na morte começa no exato momento da concepção; chama-se vida.


A vida se cacteriza por produzir e manter um desequilíbrio entrópico a seu favor, no ambiente do qual faz parte.


O valor de uma hipótese científica não está nas respostas que traz, mas nas perguntas que suscita.


Desde a pedra lascada o Homem tem sido cada vez mais dependente da Tecnologia. Hoje essa dependência é tão profunda que a civilização, sem ela, pereceria. Mesmo assim, ela marcou nossas pegadas na Lua e está a caminho de imprimi-las em Marte.


A Ciência é a área do cientista. A Arte é seara do artista. Ao artífice, ao técnico, ao artesão, pertence o harmonizar essas duas expressões máximas de diferentes hemisférios cerebrais para produzir o motor do progresso humano: a Tecnologia.


Quando a palavra escrita se transforma em imagens vivas na nossa mente, o nome disso é talento.


Tempo não é dinheiro. Se fosse, as tartarugas herdariam a Terra.


É mais fácil fazer um néscio passar pelo buraco de uma agulha do que convencê-lo de que é um camelo.


Ignorância é uma coisa, estultice é outra. A ignorância tem cura.


Chamar um néscio de burro é ofendê-lo (não ao néscio, mas ao burro).

sábado, 28 de janeiro de 2012

Breves idílios



Seja seu nome Amor,
Seja Eros ou Cupido,
Esse guri gozador
É um moleque atrevido.

E onde qualquer pivete
Exibe seus malabares,
O moleque se diverte
Lançando flechas aos ares.

E assim breves idílios
Nascem nas breves paradas
De dois carros, nos sinais;

Mas logo serão exílios,
Perdidos pelas estradas,
Sem se reverem jamais.

(Enquanto edis, em concílios,
Ao pivete legam nadas.
Nadas. Nem menos, nem mais.)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Assédio


     A simplicidade das redondilhas - principalmente as redondilhas maiores - sempre me atraiu. Métrica fácil, ritmo musical, os versos fluem com naturalidade. Esse poeminha, um tanto infantil, rendeu-me meia hora de puro prazer.
Razão, Receio e Cautela
Celebraram aliança
Defendendo a cidadela
De um coração-esperança.

Amor, Desejo e Paixão
Montaram sítio ao forte
Cercando esse coração
Leste, oeste, sul e norte.

Cortaram o suprimento
Das linhas de percepção,
O principal alimento
Do qual se nutre a Razão;

Depois Cautela e Receio
Sofreram fogo cerrado
De ternura, e bombardeio
De carinhos e cuidado.

E a praça não resistiu
A tão pesado assédio;
Nem cessar-fogo pediu:
Capitulou sem remédio.

E Amor, Cautela e Desejo,
Razão, Receio e Paixão
Hoje habitam sem pejo
Em um mesmo coração.

Niterói, janeiro de 2012
Rodolfo Barcellos

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Guardião Cativo



Naquelas noites calmas de céu cintilante,
Decerto tu não sabes, mas quando adormeces
Serenamente, logo após as tuas preces,
Um leve vulto se aproxima, hesitante.

Qual anjo protetor, atento e vigilante,
Ao pé de ti, quieto, depõe suas benesses,
Os novos sonhos que ainda não conheces,
Para alimento de teu sono confiante.

Esse anjo mudo, amada minha, é meu zelo
Afugentando qualquer triste pesadelo
Que te perturbe a alma enquanto estás dormindo;

Que junto a ti tresnoita, neste forte anelo
De atender de pronto a qualquer teu apelo
Só por ganhar-te este sorriso doce e lindo!

Niterói, janeiro de 2012
Rodolfo Barcellos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Bagatelas


Bijuterias e miudezas espalhadas em comentários por aí. Bagatelas...
Dama da Noite - Por Bia Barcellos
*  *  *  *  *
Eu aqui não fui chamado
Mas sou muito enxerido;
Um beijo ao amor amado
E outro ao amor querido;
Eu posso até ser metido,
Mas não sou mal-educado.
*  *  *  *  *
Quando a noite te acalanta
Dormes nos braços da lua
E sonhas com as estrelas;

E quando o sol se levanta
Beijando a forma tua,
Tocando tuas mãos, ao vê-las

A vida estua e canta,
E veste tua alma nua
Com tais fantasias belas!
*  *  *  *  *
Gente grossa não avisa
Nem engana essa menina,
Pois você, querida Isa,
Com certeza é gente fina!
*  *  *  *  *
A chama bela e forte da paixão
Tem muita vez esta grande virtude:
Brilha mais forte em plena escuridão
Grita mais alto em horas de quietude...
*  *  *  *  *
O Tempo é invenção dos Deuses
Para o poeta inspirar;
Anda lento nos adeuses
E veloz na hora de amar...
*  *  *  *  *
Já dei a minha topada,
Tá me doendo o dedão.
E essa menina levada
Levou o meu coração...
*  *  *  *  *
Ser poeta não precisa
Para bem saber amar;
Mas bem amar é a divisa
Pra quem quiser versejar.
*  *  *  *  *
Quando estás cheia de nada
Tu prenhe de tudo estás;
E com tuas mãos de fada
Teu futuro criarás.
*  *  *  *  *
Não te apoquentes, poetisa, se ao andares
Ao sol morno da praia, em total solidão,
Olhando para a areia, lá tu divisares
A par de tua sombra outra mais no chão;

É a sombra da ausência, da saudade tua
Que foge, em tua busca, do meu coração
Deixando em meu peito a lembrança nua,
A dor de teu vazio, o afago de tua mão.
*  *  *  *  *
          Recebe, bela poetisa,
          Esta rima carinhosa,
          Gerada em tua concisa
          Inspiração preciosa;
          Li em teus versos um beijo
          E em troca de algo tão belo
          Na alma dar-te desejo
          Este acróstico singelo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Pour Denise

     Por volta de 1810 Beethoven compôs uma "Bagatela" e ofereceu-a à sobrinha de seu médico, acompanhada de uma proposta de casamento. A proposta foi recusada, mas o presente foi aceito. Mais tarde, a moça casou-se, mudou-se e o mimo perdeu-se.
     Muitos anos depois, quando a partitura original foi descoberta, a péssima caligrafia do autor fez com que o editor visse um nome totalmente diferente, e "Pour Therése" virou "Pour Elise". É uma peça de extrema delicadeza, uma das mais conhecidas do compositor, rivalizando em popularidade com sua famosa quinta sinfonia. E quando me veio à ideia versejá-la, a paronímia rimada impôs-se, somou-se ao grande afeto que nutro por ela - e "Pour Elise" sofreu uma segunda transformação, virando "Pour Denise".
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Sei que um dia vou te conhecer
Pra te amar
Pra te querer

Sei que um dia vou te encontrar
Pra te abraçar
Pra te beijar

Sei que um dia vou te conhecer
Pra te amar
Pra te querer

Sei que um dia vou te encontrar
Pra te abraçar
Pra te beijar

E teu sorriso brilhará iluminando a solidão


Sei que um dia vou te conhecer
Pra te amar
Pra te querer

Sei que um dia vou te encontrar
Pra te abraçar
Pra te beijar

E teu sorriso brilhará iluminando a solidão

Sei que um dia vou te encantar
Pra te cantar
Esta canção

Sei que um dia vou te encantar
Pra te cantar
Esta canção 

Eu te amarei
Para sempre
No espaço infinito do mundo
E te adorarei
Sem cessar
Sem perder um segundo

Uma noite vou te conhecer
Pra te amar
Pra te querer

Uma noite vou te encontrar
Pra te abraçar
Pra te beijar

E teu sorriso brilhará iluminando a solidão

Sei que um dia vou te encantar
Quando cantar
Esta canção

Sei que um dia vou te encantar
Quando cantar
Esta canção


Niterói, janeiro de 2012
Rodolfo Barcellos

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dans L'Air


     No Ar - Dans L'Air  - 210 páginas 
     Alberto Santos=Dumont - 1904
     TALLER - edição de luxo, 2009
     Tradução: Luc Robert Jean Matheron
     Santos=Dumont assinava-se assim - com um sinal de igualdade entre o Santos e o Dumont, para destacar o igual valor que dava à sua ascendência francesa e à brasileira. Escreveu essa obra no auge de sua fama como inventor, projetista e piloto de dirigíveis, mas antes de se lançar à aventura do mais pesado que o ar.
     Uma coisa é ler sobre o inventor em biografias e livros de história, que exaltam suas conquistas; outra é acompanhá-lo "pessoalmente" em suas dúvidas, erros e tentativas frustradas, em suas emoções ao voar em balões ou dirigíveis, nos medos, nos acidentes e no júbilo dos pequenos e grandes triunfos.
     Poucos sabem, por exemplo (eu não sabia), que ele havia elaborado um "check-list" - uma lista de verificação - como um "pré-voo" para seus dirigíveis. Está na página 170:
     - O balão está completamente cheio?
     - Há alguma possibilidade de vazamento do gás?
     - O aparelho encontra-se em bom estado?
     - O motor funciona de forma conveniente?
     - As cordas de comando do leme, do motor,  do lastro líquido, dos pesos deslocáveis funcionam livremente?
     - O lastro foi pesado com exatidão?
     O uso de "check-lists" desse tipo é hoje obrigatório para qualquer avião, em cada fase do voo - desde o embarque da tripulação até o desembarque no destino.
     Uma segunda obra - "O que eu vi - o que nós veremos" (68 páginas) - complementa essa edição de luxo. Escrita muitos anos depois, em  1918, cobre suas experiências e sucessos com o 14-Bis e o Demoiselle, suas impressões sobre a disputa com os irmãos Wright sobre a prioridade e legitimidade da invenção do avião e suas expectativas para o futuro da aviação.
     As duas obras são profusamente ilustradas com fotos da época e desenhos de Santos=Dumont. Prato cheio para quem gosta...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Canção de uma mulher apaixonada


     Homens são lógicos e racionais. Mulheres são emotivas e passionais.
     É claro que esta visão é extremista e polarizada demais. A maioria de nós - homens e mulheres - se situa em algum ponto intermediário entre esses dois extremos. E deslizamos para um lado ou para outro conforme as circunstâncias, sobre as quais raramente temos um controle efetivo.
     Mas tenho observado que as mulheres, em geral, gostam mais de poesia que os homens. Elas adoram ser homenageadas em versos, sentir-se fonte de inspiração, assumir o papel de musas. E fazem-no com alma. E nós, os poetas, agradecemos envaidecidos e honrados.
     E as poetisas? Essas também cantam a natureza, os mistérios da alma ou o amor em si, mas raramente dirigem seus versos a um "muso" específico - pelo menos não tão abertamente. Há exceções, é claro. Veja a postagem da Marcinha, no seu "Mar de Pensamentos".
     Imagino que minhas musas, e as mulheres em geral, gostariam de dedicar a seus bem-amados, eventualmente, um poema de amor. Bem, este vídeo nasceu de uma semente que foi plantada há mais de um ano. Foi em outubro de 2010 que me aventurei a criar uma versão em português para a famosa ária de Saint-Saëns Mon coeur s'ouvre à ta voix, da ópera Sansão e Dalila. Na época, limitei-me a alinhavar alguns versos para a última parte da ária; publiquei-os em Luzes da Ribalta e engavetei algumas idéias para a parte faltante.
     Agora, encaixadas todas as peças, atrevo-me a publicar a Canção de uma mulher apaixonada e oferecê-la às meninas da blogosfera. É a vez de nossas musas presentearem seus bem-amados... se eles merecerem.
video


Sim, eu te amarei,
Eu te amarei por toda a vida...
Sim, eu te amarei
Na derradeira despedida...
Todo o meu coração
Se abre ao teu amor
Como pela manhã
Ao beijo do sol se abre terna a flor...

Quando a noite vem,
Semeando as estrelas
E teus braços me procuram

Cresce em meu coração
Esse louco desejo
De teu corpo, de teu beijo...

Oh! Vem, meu grande amor!
Sacia a paixão!
Toma este corpo teu, dá-me teu amor
Que o sol já vai raiar...

Sim, eu te amarei,
Eu te amarei por toda a vida...
Sim, eu te amarei
Na derradeira despedida...
Todo o meu coração
Se abre ao teu amor
Como pela manhã
Ao beijo do sol se abre terna a flor...

Amor...
Amor...
Vem, meu amor...


     Usei imagens de minha artista plástica predileta, Josephine Wall, que permite graciosamente a utilização de seus trabalhos para fins não comerciais, ressalvados seus créditos. E também a imagem de um óleo de Leon-François Comerre (Danaë). Se alguém chiar, eu tiro do vídeo ou cobro a divulgação das respectivas obras...
     Aproveitem, queridas... vocês merecem!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dia de Reis

     Para fechar esta série natalina, o Sete Ramos republica hoje seu post de um ano atrás.

     Em 6 de Janeiro, com a celebração da Epifania (Manifestação), ou Dia de Reis, encerra-se o ciclo das festas natalinas. Na verdade, a reforma do calendário litúrgico em 1969 modificou a data, deslocando-a para o segundo domingo após o Natal. Mas na cultura popular, prevalece a tradição antiga. 
     A história dos Reis Magos e da estrela que os guiou carrega um forte simbolismo. Cada Rei veio de um ponto diferente do mundo conhecido na época: Gaspar seria um oriental da Pérsia, Melchior (ou Belchior) um branco da Europa e Baltazar um negro da África ou do sul da Arábia (na época, com estreitos laços com países africanos).
     O simbolismo é claro: as três raças e os três continentes do mundo conhecido prostravam-se aos pés de um novo rei da humanidade inteira. É uma bandeira contra o racismo e a favor da confraternização universal. Um interessante excerto da Wikipédia confirma esta abordagem:
     A melhor descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” relata que Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus; Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, viera do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz.
     Quanto a seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.
     Com isso se pretendia dizer que eles representavam os reis de todo o mundo e também as três raças humanas existentes, englobando jovens, adultos e anciãos. Assim, Melquior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltasar, mirra em reconhecimento da humanidade.
     O artigo completo pode ser consultado em
     A hagiologia (estudo dos santos) romana vê os Reis Magos como bem-aventurados, portanto com o "status" de santos, mas subsistem muitas dúvidas sobre a existência histórica desses personagens. O título de "magos" tem o significado de sábios e astrônomos, ou astrólogos. Eles perscrutavam o firmamento e foram alertados pelo surgimento de uma nova estrela do que estava ocorrendo na Judéia. Encetaram viagem e chegaram juntos a Jerusalém, onde fizeram a Herodes a visita protocolar de cortesia, devida pelos notáveis estrangeiros ao governante do país visitado. Suas perguntas sobre o nascimento de um novo herdeiro real perturbaram Herodes - o rei-fantoche entronizado pelos conquistadores romanos - e isso precipitou os acontecimentos que culminaram na tristemente famosa "matança dos inocentes" e na fuga de José e Maria, com o Menino, para o Egito.
     O Dia de Reis é uma festa importante nas tradições européias, principalmente nas vertentes ortodoxas da cristandade   As tradições associadas à data são riquíssimas. É tão viva a tradição em certos países europeus que é só nesse dia que as três figuras são colocadas no presépio. As crianças colocam os sapatos nas janela, com capim para os camelos dos Reis, e recebem presentes como recompensa.
     Na Itália, e posteriormente na Espanha e em Portugal, a liturgia da Epifania suscitou no imaginário popular a figura da "Bifana", espécie de bruxa do bem, que distribui nesse dia presentes às crianças - como se fazia antigamente em nosso país, antes que a magia da feiticeira européia fosse derrotada pelo mercantilismo do Papai Noel ianque.
     A data também marca o dia de se desmontarem presépios, árvores e ornamentações natalinas em geral.
     No Brasil, a tradição vem enfraquecendo ano a ano. Ela persiste ainda nas tradições regionais, como a "Festa dos Santos Reis", a "Folia de Reis", o "Reisado" ou o "Terno de Reis", e em certas famílias mais apegadas às tradições, que ainda curtem, entre outros, o hábito de saborear o "bolo de Reis", ou "Bolo Rei", às vezes com o anel, ou a ervilha - ou ambos - escondidos no seu interior, para sorteio de prendas ou definição de tarefas para a festa do próximo ano (o anel hoje é proibido na União Européia, para evitar acidentes).
     Não cabe, neste espaço restrito, uma descrição mais aprofundada do tema; entre os muitos "sites" pesquisados, recomendo que o leitor interessado nas manifestações populares brasileiras visite
para mais informações, ao som de uma bela música regional.
     E com o encerramento do ciclo natalino, também encerro, com este artigo, esta série. Aos que vêm me acompanhando desde novembro, meu agradecimento. E a todos, o Sete Ramos de Oliveira deseja um feliz Ano Novo.