sábado, 24 de dezembro de 2011

A missa e a ceia


     Este artigo, que dá continuidade à série natalina do Sete Ramos, é a combinação de dois outros, publicados há um ano: A Missa e A Ceia. Mas antes...



PEQUENO POEMA DE NATAL
PARA UMA QUERIDA AMIGA

Num  momento esquecido no Tempo,
Num lugar já perdido no Espaço,
Uma Estrela perdeu-se a si mesma,
E sua Luz se perdeu.

Anos-luz de Espaços mais tarde
E milênios de Tempos mais longe,
Num aprisco no Tempo perdido,
Numa noite no Espaço esquecida,
Uma Luz que perdera seu astro
E uma Estrela carente de Luz
Por acaso se encontraram;

O Tempo achou seu lugar,
O instante achou seu Espaço,
A Estrela rebrilhou
E o milagre aconteceu:
Momento e lugar se encontraram,
Espaço e Tempo se uniram,
E o mundo de luz se encheu!


Rodolfo Barcellos, o9 de dezembro de 2010
Feliz Natal, Lois! De novo, e muitas vezes mais!
*  *  *  *  *
Ah, aquelas Missas do Galo...
     Segundo a tradição, o nascimento de Jesus foi anunciado por um galo, que cantou à meia-noite do dia 24 de dezembro. A Missa do Galo reflete essa tradição.
     Lembro-me de alguns detalhes. Naquele tempo...
     In illo tempore, as missas eram rezadas em latim - não só as missas, mas a maior parte dos textos litúrgicos, como as ladainhas, por exemplo. Obviamente eu não entendia nada, mas guardei alguma coisa na memória e refresquei as lembranças com leituras posteriores.
     Enquanto o latinório se limitava ao celebrante, tudo ia bem; mas quando o ritual exigia os responsos dos fiéis, o caso era outro...
     - Turris davidica! - puxava o celebrante, na ladainha.
     - Tudo é da Dica! - ecoava a caboclada, contrita.
     - Turris eburnea!
     - Tudo é burro!
     - Sedes sapientiae!
     - Sede de Sá Piença!
     - Virgo potens! Virgo clemens! Virgo fidelis!
     - Viva o pote! Viva o creme! Viva o Fidélis!
     A Missa do Galo não era diferente. Por volta das 23 horas, saiam todas as famílias e serviçais para o ato religioso. E a igreja festivamente adornada, com todas as velas do Advento acesas, transformava-se numa referência social tanto quanto num templo de alegres orações. Cantava-se a plenos pulmões o Gloria in Excelsis Deo - que durante as quatro semanas do Advento fora deliberadamente banido da liturgia - e o celebrante despejava sobre os fiéis o melhor sermão que seus dotes oratórios lhe permitiam. Rezava-se o Confiteor e cantava-se o Tantum Ergo.
     Nós, crianças, com o pensamento nas guloseimas da ceia e, principalmente, nos desconhecidos mas maravilhosos presentes que ganharíamos, achávamos enfadonho aquele ritual... mas tínhamos que nos conformar.
     E ao fim da missa, dado o Dominus Vobiscum - que alguns respondiam "e com espirro tutum" - e o Ite Missa Est (Deo Gratias!), ainda tínhamos que aturar os intermináveis cumprimentos e despedidas dos adultos... 
     Finalmente voltávamos para casa, mas ainda havia uma provação a vencer: a solene colocação da imagem do Menino na manjedoura, acompanhada de orações que nos pareciam intermináveis!
     É... talvez por essas e outras, nós, que temos mais quilometragem (por favor, "idade", nesse contexto, é palavrão), tenhamos aprendido a ser mais pacientes do que os jovens apressadinhos de hoje, que querem tudo para ontem...
*  *  *  *  *
A ceia
     Parece que a Ceia de Natal originou-se do antigo costume europeu de deixar as portas das casas abertas na noite de Natal, para receber viajantes e peregrinos, e confraternizar com eles na data tão significativa para os cristãos. Para essa comemoração era preparada bastante comida, composta por diversos pratos. Essa tradição foi se espalhando pelo mundo e adaptando-se aos costumes locais.
     No Brasil, os principais pratos da ceia são:
• Peru - herança norte-americana;
• Leitão, pernil ou lombo;
• Arroz;
• Farofa;
• Castanhas - legado de Portugal;
• Nozes e avelãs - costume europeu;
• Salada Tropical;
• Frutas (em especial as brasileiras, com destaque para o abacaxi);
• Bolinhos ou salada de bacalhau - também de Portugal;
• Vinho - Portugal e França.

     Mas, na minha opinião, falta um importante quitute na lista: a rabanada. 
     Ah, a rabanada da mamãe! Como uma boa mineira, ela se orgulhava - com razão -  de seus dotes culinários, mas a rabanada do Natal era sua obra-prima!
     Desde a escolha dos pães, comprados na antevéspera ("rabanada decente se faz com pão dormido", ensinava ela), até a preparação - cortando as fatias, mergulhando-as em leite levemente adoçado,  passando cada uma no ovo e fritando-as por tempo certo... tudo era feito por ela. Depois, era separá-las em duas porções, conforme a preferência dos convivas: as que seriam polvilhadas com açúcar e canela - as doces - e as que seriam recobertas de parmezão ralado - as salgadas.
     Maria Helena, a nora, mesmo sendo paulista, pegou logo o jeito da coisa, tão bem que passou a ser requisitada pelos cunhados a contribuir com suas rabanadas para a Ceia - a do Ano Novo, que até hoje celebramos reunindo as famílias de todos (o Natal é comemorado na intimidade do lar de cada um, e cada família faz a Ceia conforme suas preferências).
     Mas desculpem-me essa digressão saudosista. É claro que a ceia tinha outros quitutes, e é preciso complementar a lista acima.
     Vinhos e queijos disputavam lugar, sobre a mesa enfeitada, com as  rabanadas e com fatias generosas de pernil, quando não com um leitão à pururuca, recheado com farofa, e montanhas de frutas da estação, acompanhadas por nozes, avelãs e castanhas portuguesas. O presunto não podia faltar; e o peru de Natal tem dado lugar, nos últimos anos, ao frangão - o chester ou ave fiesta, conforme a origem. E todos se regalavam, principalmente as crianças, que se mostravam extremamente eficientes no dividir seu tempo entre os quitutes e os presentes.
     E vinha o inevitável fim de festa: olhos cheios de areia, espichávamo-nos numa cama ou enrodilhávamo-nos numa poltrona, sem largar o brinquedo predileto (senão o único) e dormíamos a sono solto, acordando tarde no dia seguinte - misteriosamente ajeitadinhos em nossas camas, em lençóis cheirosos e pijamas limpos...

     Ô, saudade!
     Sei que há muitos rincões - felizes e abençoados lugares! - por esses Brasis afora, que preservam muitas dessas tradições que enriqueceram minha meninice. E também para essas gentes quero hoje desejar boas festas e...
...FELIZ NATAL PRA TODOS.


     Nota: na "juntada" dos dois artigos, alguns comentários do ano passado - os da Missa - foram copiados e inseridos no texto, para não se perderem.




Milene disse...
Eu, de família católica, nunca fui a uma missa do galo. Faria isso parte do meu perfil 'espiritualmente marginal', será?

A tradição por aqui ainda é mantida, minha mãe vai quase sempre e todos os anos vejo muitas pessoas passarem pela minha calçada rumo a esse evento tradicional, em detrimento das tão prestigiadas ceias.

Moço cujo sobrenome deveria ser SABER... Beijos.
JAIRCLOPES disse...
Barcellos,
Devido à minha criação fora dos ritos cristãos, realmente, dessas liturgias católicas eu só ouvia falar. Tuas lembranças e a maneira como as colocou em letras, me trouxeram um conhecimento que eu não tinha. Parabéns pelo banho de cultura e bom Hanuká para você. Abraços, JAIR.
Regina Rozenbaum disse...
Rodolfo amaaaado!
Primeiramente: OBRIAGADA pelas palavras deitadas lá no Divã nas últimas postagens. Vindas de você é muiiiito mais que elogio!
Segundamente:ri aos montes com os "reponsos"(nem conhecia essa palavra)dos fiéis.E como o Jair, fui criada fora dos ritos cristãos, então suas postagens natalinas tem sido verdadeiras aulas.
Terceiramente: conhecias esse ladim da nossa minina-ternura???rsrs Braba messssmo a bichinha, mas como ela deve ter lido no desafio dos SETE, dou uma boiada prá não entrar numa "briga" rsrs...inda mais com quem amo de viverrr!
Beijuuss n.c.
Xipan Zéca disse...
Barcellos... Amigo Ráry Prótis Brázuca.. rss
Li, Reli, Melí, Selí e num intindi....
Fui percura ajuda e deu nisso..
1º- http://www.paroquiasaofrancisco.net/2010/10/palavra-missa-vem-do-latim-tardio-missa.html

Dispois de me acertificá que tinha EU entendido à respeito da Missa.. Fui fazê uma penitencia e queima uma vélinha que ninguém é tão tão que num percise de proteção.. nénão ?
2º- http://www.portalangels.com/altar_virtual/altar.php?id=2865

DéussssssssssssssMilivreDumaMardição... rsss
Amém
Tatto
R. R. Barcellos disse...
- Tatto, já estive lá e acendi minha luz perto da tua. Abraços.
Xipan Zéca disse...
Barcellos ..
Oxalá que tudus amigos nossos vão lá tumêm fazê uma oração e acender uma velinha prá mór di miorá as coisa nesse mundin... nénão ?
Ficadica.. e o endereço..
http://www.portalangels.com/altar_virtual/altar.php?id=2865

Valeu Amigo R.R.Barcellos
Tatto
Leonel disse...
Apesar de ter estudado em escola paroquial, eu nunca fui na missa do galo. Mas, o pior é que eu pensava que o nome missa do galo era por causa daquele galo que cantou duas vezes, enquanto Pedro já havia negado sua ligação com Jesus por três vezes! Mas, isso foi na paixão de Cristo! Não tem nada a ver com o Natal, sô!
Valeu Barcellos, por estas lembranças saudosas, como a missa em latim!
Abraços!
Si Fernandes disse...
Fui Cristã por criação e hoje sou por opção. Mas, talvez, eu seja a mais anti-religião que existe, acho que o RELIGARE, é o que mais afasta o homem de Deus... O que me deixava "bolada" no 25/12 era o Papai Noel, que sempre me dava uma volta...era eu piscar os olhos e ele aparecia e sumia...velhinho, gordinho e ligeiro. Mas, essas coisas todas me remetem a vários cheiros que viram cenas lindas..
Menino, seu latim é baum mesmo né... eita povo poliglota danado,sô!
Chega pra vc e Tatto, deixa eu acender minha velinha, pro meu Rio, que tá tenso!

Beijos !
Ps.: adoro vê vc no Balaio!
Regina Rozenbaum disse...
Ahhhh... Rodolfo, amigo, amado!
Assim num guentu nauuuummm, sô...Já tôquitô nesses últimos tempos e vc ainda deita aquelas palavras prá mim?! Tem bola de cristal? É bruxo messssmo! Amanhã, meu mininu, vai pros States num intercâmbio de estudo e trabalho através da nossa UFMG (improve his english). Mesmo que dessa vez são poucos meses (retorna em março e olha que em 2007 ficou UM ANO fora do outro lado desse mundão de D'US)tô sentindo taaanto... Deve ser por conta da época: NATAL, ANO NOVO, FÉRIAS...sei lá, sô! Só sei que nessas horas, o tal "filhos são do mundo" não aquece meu coração nauuummm! Mas ELE é sábio mesmo: vem me preparando, faz tempo, pra esse aprendizado e desgarramento. O moço decidiu fazer Ciências do Estado + Direito = carreira de "Diplomata" (pelo menos até agora rsrs) e já comunicou rsrs: mestrado não sei onde (acho que Alemanha...com ênfase em política internacional etc e tal) poooooode? E eu cá no meu cantinho, quietinha mesmo, misto de orgulho e espanto, lembrando dele, da altura de seus 02 anos, me dizendo: póxá mãe eu sigo ti judá (com as sacolas do super-mercado)!Afff...GUENTA CORAÇÃO!!!
Beijuuss n.c.
Salete Cattae disse...
Embora católica, nunca fui numa missa do galo, aliás faz tempo que nem vou à igreja, mas achei bem interessante seu texto.

Beijos e ótimo fds.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Solstício de Verão



Ouça na voz de Lu Cavichioli. Se preferir, vá ao Empório do Café.


Assim, sem mais nem porquê,
Sem lenço e sem documento,
Me bateu no sentimento
A saudade de você,
Que brotou sem quando e onde
No desejo do meu bonde,
No meu rancho de sapê.

Assim, sem promessa ou jura,
Saltou-me à mão esta pena
Dançando em valsa serena
Sobre a folha branca e pura,
Em rabiscos atrevidos,
Em compassos mal medidos,
Passos de amor e ternura.

Assim, sem razão ou juízo,
Nasceu de tua lembrança
Este poema-criança
Já com seu alvo preciso;
E eu, poeta erradio,
Celebrando o novo estio,
Canto hoje o teu sorriso.

Assim, sem eira nem beira,
Sem audácia ou covardia,
Voltou-me a sorte arredia,
Sorriu-me a musa, faceira;
E o verso fluiu, jeitoso,
Namorado e ardoroso,
Para a linda feiticeira.

Assim, sem voz e sem jeito,
Nascem rimas desconexas
Em frases rotas, perplexas,
Vindas do fundo do peito
Deste peão que verseja
E as dedica à sertaneja
Com amor mais que perfeito.

Assim, sem hora ou momento,
Brotaram da pena minha
Sem ter marcas na folhinha,
Sem calendário ou evento,
Estas palavras vadias
Em louvor a tantos dias
Que te abraço em pensamento.

Assim, sem choro e sem vela
Por hoje morre-me o estro;
E este poeta canhestro
Fica sem rima e sem trela;
E pra terminar remete
Neste sete-sete-sete
Sete mil beijos à bela.

Rodolfo Barcellos
Para Milene Lima,
no dia 22 de dezembro de 2011,
às 02:30 - hora legal de Arapiraca.
COMEÇOU O VERÃO, OXENTE!


Nota: Tenho dúvidas sobre a grafia correta da expressão "sem mais nem porquê". Acho que devia ser "sem mas nem por quê". Mas por quê?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O presépio

     Dezessete de dezembro de 1961. Há exatos 50 anos, faltando uma semana para o Natal, o Gran Circus Norte-americano, em Niterói, pegava fogo, num incêndio criminoso. Até hoje, o número exato de vítimas é desconhecido, mas sabe-se que é próximo de 500 - em sua maioria, crianças. Onde está o memorial?
http://seteramos.blogspot.com/2011/04/natal-triste.html
http://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/12/17/incendio-no-gran-circo-em-niteroi-completa-50-anos-relembre/
*  *  *  *  *
Giotto - Natal
     Segundo a Wikipédia, o primeiro presépio do mundo teria sido montado em argila por São Francisco de Assis em 1223. Nesse ano, em vez de festejar a noite de Natal na igreja, como era seu hábito, o santo fê-lo na floresta de Greccio, para onde mandou também transportar uma manjedoura, um boi e um burro, com o objetivo de melhor explicar o Natal às pessoas comuns, camponeses que não conseguiam entender a história do nascimento de Jesus. Convocou alguns aldeões para servirem como figurantes, e assim o primeiro presépio foi o que se conhece hoje como "presépio vivo". O costume - já com imagens - espalhou-se entre as principais catedrais, igrejas e mosteiros da Europa durante a Idade Média.
     Tradicionalmente, o presépio é montado durante o Advento - as quatro semanas anteriores ao Natal. As figuras obrigatórias, mesmo nos mais simples, são Maria, José e o Menino. Os presépios mais "populosos" ostentam também figuras de anjos, o principal dos quais, diretamente acima da manjedoura, traz a faixa que anuncia o nascimento: "Glória a Deus nas Alturas", ou "Gloria in Excelsis Deo". Esse anjo é muitas vezes identificado como o Arcanjo Gabriel - o mesmo do episódio da Anunciação. Os demais, quando presentes, são serafins cantores e querubins harpistas e trombeteiros.
     Outros figurantes habituais são pastores e aldeões, o boi e outros animais domésticos (que variam conforme o país) e, curiosamente, os três Reis Magos - Gaspar, Melchior e Baltazar -, quando se sabe que esses visitantes só chegaram a Belém muitos dias ou semanas após o nascimento (é por isso que o Dia de Reis é em 6 de janeiro). E os camelos que os transportaram geralmente os acompanham. Em Portugal são figurantes habituais o moleiro, a lavadeira, grupos folclóricos e outros.
     Quanto aos objetos materiais, a "Estrela-Guia" não pode faltar. Ela geralmente tem a forma de um cometa e também costuma ser colocada diretamente acima da manjedoura. O local do nascimento é representado por um curral, aprisco ou construção igualmente rústica, ou por uma gruta. Compondo a paisagem, pedras, cascatas, lagos com patos e cisnes, palmeiras... a imaginação é o limite na criação de um presépio.
     Todas as figuras - José e Maria, os Reis Magos, os pastores, o boi e o jumento - e às vezes algumas ovelhas e o galo - são dispostas ao redor da manjedoura, que ficará vazia até o momento certo. Por tradição - não sei se só dos países lusófonos -, a figura principal - o dono da festa - só será colocada em seu rústico leito à meia-noite do dia 24, ou logo após a Missa do Galo, entre orações e, algumas vezes, aplausos, cânticos e músicas. É o momento em que as pessoas se confraternizam, com abraços e beijos e votos de "Feliz Natal".
     Os chamados "Presépios mecanizados" são bem mais antigos do que geralmente se supõe. Já os havia, creio,  na Renascença, movidos por complicados sistemas de eixos e engrenagens, acionados por água corrente.
     Há-os também em diversos tamanhos, desde os imensos presépios montados em praça pública (entre eles, os que servem de cenário para representações artísticas,  como teria sido o original de São Francisco), até as minúsculas obras-primas feitas por artistas famosos ou artesãos desconhecidos.
     Um desses últimos, de origem peruana, foi-nos presenteado há três anos por minha cunhada Araci. É uma pequena moranga, do tamanho de um CD, lindamente ornamentada, a qual, quando se lhe levanta a tampa, revela um pequenino presépio, perfeito em todos os detalhes (as fotos são da Bia). Já entre os de grande porte merece menção o de Alenquer, em Portugal, que ganhou o apelido de Vila Presépio depois que o pintor Álvaro Duarte de Almeida iniciou, em 1968, a tradição de montar anualmente um gigantesco presépio numa colina. 
     Quanto a pinturas, são inumeráveis - cada uma mais bela que a outra. Vale a pena dar uma passadinha na Exposição Especial de Natal (edição de 2010), na Galeria de Arte da Graça (série O Natal na Arte) para conferir. Foi de lá que roubei o Giotto que abre esta matéria.
     Apesar de ser uma das tradições mais arraigadas na cultura popular dos povos cristãos, o presépio não representa qualquer obrigação religiosa - não há uma liturgia específica ligada à tradição. Mas na minha opinião, isso não lhe tira o valor de "ponto focal" das comemorações natalinas - pelo menos no ambiente doméstico.
     E seja o seu presépio uma colina inteira, uma pequena moranguinha ou uma lembrança que cabe num cantinho do coração, meu desejo é que você tenha um...
... FELIZ NATAL!

Próximo artigo desta série: A data - 20/12.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Conto de Natal

PRIMEIRA PARTE


     A grande nave aproximava-se silenciosamente do terceiro planeta. Os escudos de camuflagem, ajustados para invisibilidade total, absorviam todas as radiações eletromagnéticas e as re-emitiam no ponto antípoda do escudo, de modo que nem mesmo o seu bloqueio desse a algum observador mais atento qualquer indício da presença da nave-espiã. Apenas uma quantidade mínima era desviada para sensores e antenas supersensíveis - os olhos e ouvidos da nave.
*  *  *  *  *
     Na ponte de comando, dois oficiais trocavam idéias:
     - Só se passaram trezentos anos - disse An-Sard, a oficial de segurança. - Acho essas medidas um pouco exageradas para um planeta que mal saiu da idade do bronze.
     - A escala de tempo deles é bem mais acelerada que a nossa - retrucou El-Noel, o comandante. - Lá já se passaram mais de dois mil anos. Todo cuidado é pouco.
     Os dados dos sensores deram razão a El-Noel. O terceiro planeta emitia sinais de rádio com material acústico e visual em profusão, a maioria em códigos digitais. Redes de satélites foram detetadas e em poucos momentos os filtros seletivos haviam classificado montanhas de informações.
     - Hora de divulgar as ordens secretas - decidiu o comandante.
     An-Sard era a única, além de El-Noel, que conhecia a real missão da Es-Sotamer, mas seguiu o protocolo exigido: convocou as testemunhas - Ar-Ji, o navegador, Ot-att, o engenheiro, El-Meni, a oficial de comunicações, Er-Nagi, a segunda-oficial. No lugar da piloto Es-Moni, que estava ausente em missão de observação remota, foi requisitada a presença da doutora Am-Cira.
     Os demais integrantes do Estado-maior permaneceram em seus postos: Il-Lam, Em-yr, El-Menair, oficiais táticos; Ar-Çag, Chefe da Logística, En-Desi, Al-Car e as irmãs Es-Rave e En-Ravi, operadores setoriais. An-Aihn, a jovem alferes, Am-Arrefrei, Ul-Ichivoilca, Éyn-Adar, Al-Ioit, An-Gilhor, El-Regien, En-Ocao (que os amigos mais chegados chamavam de Cecília dos Sonhos Azuis), Éor-Dab, A-Is, Alm-éia, Yé-Mae, Er-Sogi, An-Thy e Am-Azir  repousavam em seus alojamentos ou aproveitavam seu turno de folga na cantina ou no ginásio. Com 160 tripulantes, a Es-Sotamer ainda se ressentia da falta de alguns integrantes que haviam pedido baixa.
     O envelope branco, lacrado à antiga com cera vermelha, foi aberto com os rituais de praxe. El-Noel sacou dele duas folhas com o timbre do Almirantado. Inseriu uma delas na leitora e logo a grande tela exibia o texto:


Do Comando Geral da Frota
Ao Comandante da "Es-Sotamer"
Ordem 41-X-003
Destino: Sistema da estrela Sol, quadrante de Centauro.


Histórico: Missões não tripuladas anteriores indicam que o evento cósmico conhecido universalmente como "Luz Nova" provocou no terceiro planeta do sistema efeitos anômalos.


Instruções: Investigar e agir conforme Procedimento Padrão de Emergência, seção 15.


Assinado: Comodoro El-Lobsarc, R. R.
Por Ordem do Almirantado.


     - Que evento é esse? - perguntou Er-Nagi.
     - É aquele conhecido, no seu planeta, como "Luz Nascente" - explicou Ot-Att.
     Er-Nagi lembrou-se das festividades que marcavam, em Delta Crucis 4, o advento da luz. E do espanto que experimentara ao saber que o mesmo acontecimento era celebrado, em épocas e sob formas diferentes, em todos os mundos habitados do Universo conhecido.
     Nas três estrelas de Alfa do Centauro, chamava-se "A Mãe", e celebrava o nascimento de uma mulher milagrosa, que unira pela simples força de seus ensinamentos os três impérios estelares. Em Rigel - terra de Ar-Çag - fora um homem humilde do povo, nascido em uma família numerosa, que estabelecera a paz entre as forças conflitantes. Mas sempre os maiores benefícios eram no crescimento moral, espiritual e intelectual das pessoas de todas as classes. A lista de mundos afetados não tinha fim.
     Todas as tradições mencionavam o aparecimento de um astro particularmente luminoso. Por isso, os cientistas acreditavam que tratava-se de um evento único, tendo em comum a eclosão de uma Supernova do tipo I, em algum lugar ainda desconhecido da Galáxia. E assim, com base na velocidade da luz e nos relatos antigos, rastreavam os eventos e suas épocas, na esperança de determinar o foco primitivo.
     Havia os que não aceitavam essas explicações.
     - Isso não tem lógica! - insistia Ar-Ji.
     - Suas orelhas pontudas também não têm lógica! - retrucava El-Meni.
     Ul-Ichivoilca, já em seu posto de pilotagem, interrompeu a discussão, anunciando:
     - Nave estabilizada em órbita polar, senhor!
     - Obrigado, Ul. Er-Nagi e Ot-Att, coordenem a análise dos dados. Prioridade um.
*  *  *  *  *
     El-Meni nunca havia participado de uma reunião secreta de nível máximo. E ao tomar conhecimento da lista de convocados sua apreensão cresceu.
     "Engenharia, Armamento, Segurança, Logística, Comunicações e mais a doutora... isso cheira a combate!"
     El-Noel abriu a reunião:
     - As análises estão concluídas. O evento cósmico, aqui conhecido como "Natal", é festejado a cada órbita completa do planeta, entre um dos solstícios e o periélio - daqui a dois dias-padrão. Mas embora uma parcela do povo mantenha-se fiel aos influxos originais do evento - na figura de um Salvador - tudo indica que a Luz da Estrela, como é chamada no meu planeta, foi obliterada ou distorcida desde o começo.
     - Mas como?
     - Não sabemos. Mas os registros de guerras e morticínios, perseguições e injustiças, ambição desmedida e violências contra os fracos são incontestáveis.
     - Mas... e esse Salvador?
     - Eles o mataram. Três ou quatro décadas depois de seu nascimento, eles o torturaram e mataram.
     Murmúrios de incredulidade. Depois, silêncio. Todos sabiam o significado daquela declaração.
     - Teremos que aniquilar a vida neste planeta - a voz de El-Noel estava tensa. - Não podemos arriscar que toda a Galáxia seja contaminada por um único fruto podre. El-Menair, elabore o plano tático da operação.
     - Sim, comandante.
     Havia tristeza na voz dela. A reunião foi encerrada em silêncio.
*  *  *  *  *
Rodolfo Barcellos - Dezembro de 2011

Nota: Quando fui programar a publicação desta primeira parte para as dez da noite, cometi um erro (ainda bem que não sou piloto espacial ou astronavegador); e para evitar que os amigos recebessem falsas atualizações, resolvi antecipar a publicação.
A continuação deste conto estará sendo publicada, ainda hoje (espero), no Empório do Café Literário.
http://emporiodocafe.blogspot.com/2011/12/um-conto-de-natal-segunda-parte.html

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A estrela

     Dando prosseguimento à nossa série natalina, vamos abordar uma das mais belas histórias - ou "estórias" - do Natal: a da Estrela. Ela nos é apresentada pela autoridade canônica do evangelho de Mateus:
     "Onde está o Rei dos Judeus, que é nascido? Porque vimos sua Estrela no Oriente, e viemos prostrar-nos perante ele" (Mateus, cap. 2).
 

     Assim dirigiram-se ao rei Herodes três sábios estrangeiros, recém-chegados a Jerusalém, quando lhe fizeram a visita protocolar de cortesia. O rei, perturbado, consultou seus sacerdotes, que lhe disseram que as antigas profecias judaicas indicavam Belém - a cidade de Davi - como o berço do futuro Messias.
     Mas quem eram esses três sábios? De onde teriam vindo? E o que tinha de especial aquela estrela?
     É estranho que nenhum dos outros Evangelhos mencione o episódio. É estranho que os astrônomos chineses da época, conhecidos e respeitados até hoje pela precisão de suas observações, não tenham registrado qualquer evento espetacular nos céus daqueles tempos. É estranho que o relato atribuído a Mateus tenha um sabor igual aos dos relatos "oficiais" da época, quando do nascimento de príncipes, relacionando-os sempre a algum acontecimento astronômico insólito. Tudo indica que o episódio é apenas uma lenda, ou, quando muito, uma alegoria bem urdida - adicionada tardiamente ao texto original.
     Mas eu sou um cara teimoso, gosto da história da estrela e vou tentar aqui dar uma explicação "natural" para o acontecimento.
     A meu ver, a única hipótese plausível é a de que um cometa de período longo (2.050 anos ou mais e, portanto, ainda desconhecido) tenha se aproximado da Terra em uma órbita que o ocultava, à noite,  das vistas dos atentos observadores chineses. Qualquer outro evento cósmico, como uma supernova ou uma conjunção planetária mais importante seria, sem dúvida, registrado por eles (mas veja o excelente texto em http://www.observatorio.ufmg.br/pas53.htm).
     Uma retrogradação aparente no movimento do astro (comum em qualquer planeta ou cometa) o teria feito circular em torno de uma região da esfera celeste que os magos identificariam com a Judéia - talvez a constelação de Peixes, tradicionalmente ligada aos judeus - e isso seria sinal suficientemente claro para os astrólogos persas  de que um novo rei havia lá nascido - ou lá nasceria brevemente. E eles teriam encetado sua viagem segundo essas indicações.

Trajeto aparente de Marte em 2010, na constelação de Câncer
     Assim se explica o trecho que diz "a Estrela ia adiante deles, e os guiava, até que parou sobre Belém"... uma metáfora plausível, bem ao estilo da época.
     A Pérsia (atual Irã-Iraque) era considerada terra de astrólogos, adivinhos e sábios. Alguns relatos citam uma delegação de doze "magos". Mas o que nos sobrou como tradição foram mesmo Gaspar, Baltazar e Melchior, o ouro, o incenso e a mirra... e uma das mais belas histórias do Natal.
     E que a luz dessa Estrela, histórica ou lendária, real ou virtual, ilumine nossas vidas.



Próximo artigo desta série: O presépio - 17/12.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

777 da Net


Clique aqui para acessar a postagem da Sandra
     A Sandra, a prenda bem humorada da Janela do Garden Place, queixou-se de que "nunca seria uma musa". Pois fica sabendo, guria, que tu és, sim, uma musa. Não leste os versos que para ti fiz em 30 de outubro último, em comentário às peripécias diuturnas das redes sociais que nos trouxeste? Pois veja - vejam todos - como uma musa que coloca o bom humor acima das vicissitudes da vida pode fazer germinar um 777, nas vozes dos inseparáveis Velho Mano e Mano Velho:


O FUTURO DA INTERNET - DESAFIO 777 
Velho Mano:
Mano Véio, meu amigo
Me dá tua opinião
Acho que a Nete é um perigo
Tem vírus, bugue e ladrão;
Tem gente que acha jóia,
Té que um Cavalo de Tróia
Invada seu pecezão...
Mano Velho:
Véio Mano, eu concordo,
Internete é atoleiro;
Mas se eu bem me recordo
Tu és um bom tuiteiro.
Tu também tás dando mole
E se um vírus te escapole
Contamina o mundo inteiro.
Velho Mano:
Óia só o cara roto
Falando do esfarrapado!
És orcuteiro, garoto,
Tu também és viciado.
Eu inté arrisco um chute:
Um dia terás, no orcute,
Teu hardisque deletado.
Mano Velho:
Deixa então que eu retruque:
Navegando outro dia
Vi você no Feicebuque
Num xate com sá Maria.
Ela é outra viciada
Deve tá contaminada
Dessa rede de boemia...
Velho Mano:
Pois falando em sá Maria
Dá licença que interrogue,
Porque ela desconfia
Que você já tem um blogue;
Isso sim é um pulgueiro
E de janeiro a janeiro
Não há blogueiro que folgue.
Mano Velho:
Que será que a Maicrosofe
Vai nos empurrar agora?
Esse Bilguêite é um bofe,
Diz que já está na hora:
Se botar perfume e tato,
E sabor nesse barato,
Ninguém vai ficar de fora.
Ambos:
Se só com som e image
Já basta pra viciar,
Magina tu na postage
Cheiro, tato, paladar!
Vai ter tanta sacanage,
Hômi vai fazer bobage,
Muié vai engravidar...

     É, musas minhas... imaginem a Internet divulgando o aroma de seu perfume favorito, o sabor de seu doce caseiro, o toque suave de seus doces lábios. E imaginem também os antivírus oferecendo versões atualizadas que incluam camisinhas virtuais ou "pílulas do dia seguinte"... sem falar nas clínicas piratas prometendo abortos internéticos garantidos, ou vasectomias reversíveis (com back-up...).
     Mas enquanto não chega esse Admirável Mundo Novo... beijos e abraços inofensivos (mas cheios de afeto) às nossas queridas Musas.
     E para sugestões sobre melodia e acompanhamento musical, acessem o "Desafio de Natal":
http://seteramos.blogspot.com/2011/11/belem-x-natal.html

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Origens

     Antes de prosseguir com esta série natalina, permitam-me dar a nossa amiga Marcia os parabéns pelo transcurso de seu natal particular (ontem):



Quando o Arqueiro escolhe bem em sua aljava
Dentre tão belas, a mais perfeita seta,
A de pluma mais alva, a de haste mais reta,
E tange o arco forte, lançando-a ao ar,

Não creias que seu tiro outro alvo visava
Senão o coração da musa predileta,
Aquela que em versos canta este poeta,
A que em oceanos faz o seu pensar.

E acertará a flecha o ponto desejado?
Sim! Ei-la que fulge ao Sol, e em vôo acelerado
Vai mergulhar nos pensamentos desse mar;

Pois hoje, estando Apolo em pleno Sagitário,
Recebe, Marcia, estas flores de Aquário,
Porque hoje é teu dia! Vamos festejar!
*  *  *  *  *

     As festividades natalinas têm,   basicamente, duas origens principais, mais ou menos como um rio formado pela junção de dois afluentes, ou formadores: as fontes cristãs e as fontes pagãs. As cristãs são facilmente identificáveis: são os evangelhos canônicos de Lucas e Mateus e as profecias judaicas sobre a vinda do Messias. Já as raízes pagãs são muito mais diversificadas e multiformes. A maioria destas vem direta ou indiretamente dos milenares festivais do Solstício.
     Mas como se originaram estes rituais antiquíssimos? E o que, exatamente, é o Solstício?
     No dia 21 de Dezembro o Sol, na sua marcha aparente pelo céu, passará exatamente a pino, na vertical do trópico de Capricórnio, vindo do norte. É o limite máximo da excursão solar rumo ao Sul: após deslizar sobre o trópico, o Sol volta a se afastar lentamente, em busca das paragens do Norte.
     Os solstícios assinalam o início dos invernos e dos verões. E na velha Europa, berço da cultura ocidental, gelada e escura no outono, o Solstício de Inverno sempre foi festejado como o momento em que o Sol moribundo, perdido nos confins do meridião, começa a se reerguer no céu.
     Sim, ainda passarão semanas antes que o astro-rei tenha forças para vencer o frio e as trevas, mas cada dia que passa é mais longo e mais claro que o anterior, reacendendo as esperanças de colheitas próximas e abundantes. Não admira que as antigas comemorações pagãs de dezembro tenham se espalhado pela Europa e, incorporadas às festas cristãs, chegado às colônias, mesmo ao sul do Equador, perpetuando tradições que são no mínimo estranhas nesta época, para nós, de calor.
     Que o digam os papais-noéis em suas roupas quentes, os pedacinhos de algodão ou isopor imitando neve nos presépios e árvores de Natal, a preferência por pinheiros para a árvore, o conteúdo altamente calórico da Ceia de Natal, o hábito de consumir nozes, avelãs, amêndoas - frutos caducos secos, os únicos que estavam disponíveis nos invernos europeus de séculos passados... a lista não tem fim.
     Muitos desses costumes vieram das festividades pagãs e foram absorvidos pelo Cristianismo - alguns por um processo natural de sincretismo, outros por  ação intencional da autoridade eclesiástica. Vejamos alguns exemplos:
 


     A Saturnália era uma festividade romana dedicada a Saturno. Era celebrada entre 17 e 23 de Dezembro. Os rituais incluíam  grandes banquetes, sacrifícios, às vezes orgias. Durante os festejos a própria ordem social era subvertida: os escravos adquiriam temporariamente a liberdade e como homens livres se comportavam; sorteavam entre si um "princeps" - uma espécie de caricatura da classe nobre - ao qual entregavam todo o poder.
     Mas prevalecia sempre o caráter religioso da festa.  O "princeps" geralmente usava uma máscara e trajava uma capa ou manto vermelho (a cor dos deuses), personificando Saturno ou Plutão - os senhores dos infernos - para conjurá-los a se recolherem a seu mundo subterrâneo, permitindo a volta do Sol.
     No século III, a unificação religiosa do imenso Império Romano tornara-se uma necessidade premente. Era impossível evitar conflitos entre inúmeros povos de origens, culturas e religiões diversas. Esse processo iniciou-se por volta de 200 d.C., com Heliogabalo e sua tentativa fracassada de instituir um culto artificial ao Sol Invictus (que mais tarde fundiu-se com o Mitraísmo). Aureliano conseguiu restaurar o culto, com um caráter mais ecumênico, em 270 d.C.;  e o processo culminou com Constantino, que elegeu o Cristianismo como padrão - exatamente por seu caráter universalista.
     Mesmo assim, Constantino teve que permitir que vários costumes pagãos fossem incorporados às festividades cristãs, para poder proibir, sem muitos protestos, a Saturnália e outras manifestações semelhantes.
     O Mitraísmo teve um papel aglutinador muito forte, pois era o culto preferido nas legiões romanas. E 25 de Dezembro era o dia em que se celebrava o nascimento de Mitra. Não se sabendo com certeza a data exata do nascimento de Jesus, a opção mais viável foi celebrar o Natal na mesma data, para facilitar a absorção do Mitraísmo pelo Cristianismo. Em

http://jeocaz.wordpress.com/2009/02/26/a-origem-do-natal/
ficamos sabendo que os rituais dos celtas também tiveram influência nas festividades cristãs, quando de sua absorção pelos Romanos, por volta de 400 d.C. Nas ilhas Britânicas, as festas do Solstício eram celebradas pelos druidas em Stonehenge e outros circos megalíticos, que marcavam a trajetória do Sol ao longo do ano. O Imbolc era celebrado no dia 1º de fevereiro; o Samhain, festa dos mortos, em 1º de novembro. Aos celtas devemos, também, em boa parte, a nossa árvore de Natal, costume derivado dos rituais druidas referentes às árvores sagradas.
     Na Mesopotâmia, as comemorações da volta dos dias longos a partir do Solstício de Inverno, eram celebradas durante doze dias. O mesmo Solstício relembrava no Egito antigo, a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Na Grécia o Solstício marcava o culto a Dioniso, deus do vinho e da embriaguez.
     Ainda hoje, é possível notar o caráter universal e ecumênico da festa. Embora os fiéis mais espiritualistas condenem essas manifestações exteriores, foram elas que permitiram a expansão vertiginosa do Cristianismo na Idade Média.
     E mais uma vez, permitam-me desejar a todos - cristãos ou não, crentes ou agnósticos um...
... Feliz Natal!



Próximo artigo desta série: A estrela - 10/12.